Grávida morre por coronavírus no Recife e bebê sobrevive: o que muda para as gestantes após esse caso?

Viviane Albuquerque tinha 33 anos e estava com 31 semanas de gestação, o bebê nasceu com vida e está internado em estado grave. O novo caso mostra que as gestantes devem se cuidar, mas não é preciso ter pânico

Viviane estava internada com quadro de tosse e febre desde o início da semana (Foto: Reprodução/Instagram)

Mãe de gêmeas e grávida do terceiro filho, a fisioterapeuta Viviane Albuquerque, de 33 anos, morreu na noite deste domingo (5) em um hospital particular do Recife, vítima de Covid-19.

Ela estava grávida de 31 semanas e o bebê foi retirado através de uma cesárea na madrugada de ontem e está internado na UTI em estado grave. Essa é a primeira morte de uma gestante com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) causada pelo novo coronavírus.

A informação foi confirmada pelo Hospital Unimed Recife nesta segunda-feira (6).”É com pesar que a Unimed Recife confirma o falecimento de uma gestante, vítima da Covid-19. No entanto, não está autorizada a repassar informações tanto da paciente quanto do bebê, ficando a mesma a cargo da família. A Unimed Recife assegura, por sua vez, que o bebê está recebendo da equipe médica todos os cuidados necessários. E reforça que todas as informações estão sendo repassadas às autoridades responsáveis.”, diz a nota.

Segundo informações do UOL, Viviane estava internada com quadro de tosse e febre desde o início da semana. Na segunda-feira, ela fez o teste para coronavírus e, na quinta-feira (2), recebeu o resultado positivo do exame. No mesmo dia, foi levada para a UTI. No sábado (4), ela precisou ser entubada. Devido à gravidade do caso, os médicos decidiram fazer a cesárea e retirar o bebê na madrugada.

De acordo com as publicações em suas redes sociais, Viviane aparentava ter uma vida Viviane era saudável, fazia academia com frequência e atuava como profissional da saúde. Na última postagem que fez, no dia 25 de março, ela publicou uma foto em preto e branco no Instagram segurando a barriga, quando estava com 30 semanas de gestação.

 

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30 semanas com muito amor 💓

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Através do Instagram, amigos e familiares, em luto pela perda, fizeram um apelo sobre o coronavírus. “Não subestimem essa doença Covid-19! Ela era linda, jovem, saudável, cheia de vida e de luz, deixou duas filhas lindas e seu bebê continua lutando pela vida. Vivi que bom ter trocado tantos momentos engraçados e alto astral com você, descanse em paz, estamos orando muito pelo seu bebê e por toda sua família! Sentirei saudades Descansa em paz! Que dor, inacreditável tudo isso. Fisioterapia de luto!”, disse uma amiga.

Gestantes devem se cuidar, mas não é preciso ter pânico

Em tempos de pandemia, a principal medida preventiva a ser tomada é o isolamento, principalmente para os grupos de risco – que abrangem idosos, diabéticos, asmáticos e hipertensos.

Mas e as gestantes? Por que elas não fazem parte do grupo de risco? “Provavelmente, é o primeiro caso no mundo de uma gestante que aparentemente morreu pela doença. As mulheres grávidas não estão sendo incluídas no grupo de risco até então. Mas isso é uma questão relativa. Teoricamente, as gestantes sempre são grupo de risco para doenças infecciosas, por serem naturalmente mais suscetíveis a terem quadros mais graves dessas doenças, por terem imunidade menor”, explica o Dr. Igor Padovesi, ginecologista e obstetra, colunista da Pais&Filhos, pai de Beatriz e Guilherme.

Após o caso de Viviane, é importante reforçar que a gestante deve tomar todos os cuidados com a prevenção do novo coronavírus, mas não é preciso entrar em pânico. “É um caso no mundo e isso, proporcionalmente, ainda é mínimo. Para a grande maioria das gestantes, a doença passa como um quadro leve. Então não é preciso ter pânico, mas é importante reforçar todas as medidas que já estão sendo orientadas, da necessidade de isolamento, de tentar evitar contato social ao máximo, por exemplo”, defende.

Para o especialista, teoricamente as gestantes são mais vulneráveis ao coronavírus e podem existir complicações pela doença, mas tratam-se de casos muitos raros. “Em comparação com outros vírus, como o Influenza que pode ser muito mais grave para as mulheres grávidas e não recebe a atenção necessária, o coronavírus se comporta como um quadro leve para a grande maioria das gestantes. O fato de ter um caso não é motivo para pânico, todos os dados para gestantes mostram que para a grande maioria não é grave, mas pode acontecer. Da mesma forma como vão existir mortes em jovens e crianças. Mas essas formas graves da doença representam uma parcela mínima e muito pequena do total de casos”, explica.

O coronavírus pode ser transmitido pela mãe ao bebê?

Até então, todos os estudos realizados mostram que não houve contaminação fetal, da mãe para o bebê ainda no útero. “O coronavírus pode ser transmitido pela mãe ao bebê no momento do nascimento, isso tem aparecido em alguns casos. Mas não tem nenhuma evidência ainda de que o vírus possa passar pela placenta direto ao bebê e nem pelo leite materno”, explica o especialista.

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