Medicina materno-fetal: o que é e como são feitos os procedimentos no bebê dentro do útero

A medicina materno-fetal é quase a voz do bebê dentro da barriga da mãe. A partir dela, é possível identificar possíveis anomalias congênitas e lutar por cada uma das vidas que ainda nem vieram ao mundo

Resumo da Notícia

  • A medicina materno-fetal dá suporte ao obstetra e à mãe
  • O aconselhamento começa após o diagnóstico ou suspeita de alguma anomalia genética
  • Geralmente, quase nenhuma das grávidas possuem sintomas de que há algo de errado com a gestação nestes casos

O termo medicina materno-fetal vem ganhando cada vez mais destaque quando o assunto é o cuidado com o bebê e a grávida. Mas, você sabia que ela também é como se fosse a voz do embrião dentro da barriga da mãe? Isso acontece porque o médico especialista defende, cuida e luta de todas as maneiras possíveis para salvar aquela vida.

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A medicina materno-fetal é essencial no aconselhamento do obstetra e também da família (Foto: Shutterstock)

Para o Dr. Rodrigo Ruano, especialista em medicina materno-fetal, professor da Universidade do Texas e pai de Antonio e Daniel, com o avanço da tecnologia foi possível aprender e melhorar novas técnicas, que fazem toda a diferença para ser rápido e preciso durante os procedimentos cirúrgicos.

Por amor à profissão, Rodrigo, que atualmente mora e trabalha nos Estados Unidos, volta ao Brasil para abrir uma clínica especializada no assunto. Se dividindo entre os dois países, o médico explica que é uma maneira de retribuir todas as oportunidades que teve por aqui. “Eu sou apaixonado pela medicina. Amo o que faço, o diagnóstico pré-natal e a parte de cirurgia e terapia do feto, e assim como cuidar de gestantes de alto risco, com problemas tanto maternos, quanto fetais”.

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Mas afinal, o que é a medicina materno-fetal?

A especialidade vai muito além dos conhecimentos avançados relacionados ao bebê, incluindo também questões sobre genética, anomalias congênitas e, principalmente, todo o cuidado e responsabilidade também com a mãe. “Nossa função é de ser um complemento para a atividade do obstetra. Uma vez que a doença é diagnosticada a partir do pré-natal, ou há suspeita de uma condição de anomalia, é importante ter um médico especializado no assunto. Há também a possibilidade da avaliação da parte genética, que é realizada por um geneticista”, explica.

Além disso, a Medicina materno-fetal também oferece apoio para a gestante e a criança, com a intenção que tenham o melhor tratamento possível. Sobre as cirurgias, elas devem sempre ser realizadas apenas quando há necessidade. Geralmente, os procedimentos são realizados com agulhas de 2mm guiados por ultrassom, por exemplo, para que seja possível chegar até o bebê ainda dentro da barriga da mãe.

Como é feito o pré-natal nos casos de anomalias congênitas?

Durante toda a gestação, o pré-natal convencional é realizado normalmente, mas em casos de anomalias congênitas, o obstetra também conta com o apoio de um especialista em Medicina-Fetal. Alguns dos exames básicos pedidos para acompanhamento são: ultrassonografia, morfológico, ultrassonografia de alta qualidade, ecocardiografia fetal, a amniocentese e, em alguns casos, a ressonância nuclear-magnética.

A grávida pode ter algum sintoma de que há algo de errado com a gravidez?

Geralmente, de acordo com o Dr. Rodrigo Ruano, a maioria das grávidas não apresentam nenhum sintoma, mas algumas mulheres podem ter. “Nos casos de cirurgia gemelar, por exemplo, depois de fazer o diagnóstico precoce, bem no comecinho da gravidez, é fundamental saber quantos bebês temos, se eles são viáveis, indo bem e qual o tipo de gestação para ter uma conduto. Então, se de repente a mãe sente que a barriga está crescendo rápido demais por causa do excesso de líquido, ela precisa procurar um médico rapidamente. No caso de contrações, também vale a pena buscar por um especialista”.

A cirurgia materno-fetal pode ser feita em qualquer semana da gestação?

Quanto mais cedo for o tratamento, melhor. Mas, ainda assim, existem semanas importantes para alguns dos procedimentos. “Para a gestação gemelar, a cirurgia pode ser realizada entre 16 e 26 semanas, para a espinha bífida, com 22 a 26 semanas, hérnia diafragmática de 24 a 29 semanas, além dos tumores que aparecem e nós precisamos fazer”, comenta.

No entanto, é essencial falar também com a paciente de que o bebê pode nascer prematuro. “Então, é importantíssimo indicar a cirurgia correta quando realmente é necessário, porque existem riscos, além de também ser discutido os prós e contras daquele procedimento”.

Riscos da cirurgia materno-fetal

Como toda cirurgia, a materno-fetal também possui seus riscos. Um deles, é sobre as membranas que ficam ao entorno do útero e da bolsa de líquido amniótico, o outro, é o início das contrações. Caso esse líquido venha a vazar, há a possibilidade de infecções. “Tentamos sempre melhorar a técnica e avaliar alternativas para evitar a ruptura das membranas”, comenta o especialista sobre os avanços.

Toda cirurgia pode conter riscos, mas, no caso da cirurgia materno-fetal, pode ocorrer o rompimento da bolsa, início das contrações e infecções (Foto: iStock)

Nas cirurgias em que existe a necessidade de fazer a abertura do útero, o médico explica que não se pode deixar a grávida ter contrações. “Nós temos que ter o acompanhamento. Algo que eu quero trazer para o Brasil é esse suporte para as gestantes e os obstetras mesmo depois da terapia e tratamento da cirurgia. Pretendo olhar e verificar as pacientes até o nascimento do bebê”.

A clínica de medicina materno-fetal vai trazer diversos benefícios para as famílias

Na segunda-feira, 8 de março, o Dr. Rodrigo Ruano inaugurou sua primeira clínica no Brasil, especializada em medicina materno-fetal, localizada na Rua Peixoto Gomide, 515, Cj 53/54, em São Paulo. A partir de uma equipe multidisciplinar, o médico investiu em tecnologias essenciais para a saúde da mãe e do bebê. São elas: aconselhamento pré-concepcional, acompanhamento de primeiro trimestre após reprodução assistida, novas técnicas de cirurgia fetal para mielomenigocele, hérnia diafragmática congênita, tumores fetais e obstruções urinárias. “Esse é o meu maior sonho, diminuir os riscos hospitalares. Então, se nós pudermos fazer algo mais rápido, adequado, direto e seguro, será muito melhor”, conclui.