Juntos ou separados: um só time

Mesmo após o divórcio, nós jogamos juntos buscando o único título que realmente vale a pena: a felicidade das nossas filhas

**Texto por Rafael Brais, jornalista, pai de Linda e Olívia. Em 2017, lançou o canal @opapaidelas (Instagram, Facebook, YouTube e TikTok) no qual conta as aventuras e desafios de um pai separado que faz questão de ser protagonista na vida das filhas

A separação é entre o casal, mas ainda é preciso jogar como um time para o bem das crianças (Foto: Shutterstock)

Muita coisa muda quando o casamento acaba. Por mais dolorido que seja, é preciso deixar os acontecimentos para trás para que a nova etapa da vida seja a mais confortável e feliz para as crianças. E aqui há um fato que tenho aprendido desde 2017, quando me separei: pai não é o contrário de mãe. Eles precisam falar a mesma língua, combinar estratégias e jogar no mesmo time, o dos filhos.

E como em toda boa equipe, haverá diferenças. Tem partida que os jogadores discutem, pensam diferente e divergem na execução de alguma jogada. Porém, o objetivo principal é sempre o mesmo: a vitória. E para dar certo, seguimos por aqui o esquema 2-4-1, ou seja, dois (pai e mãe) alinham, quatro (pai, mãe e filhas) se resolvem, e o um (time) fica na boa para vencer. E não tem jogo fácil, amigo!

Para a sintonia desse esquadrão seguir em alta, sempre informamos sobre praticamente tudo relacionado à turma. Médico, escola, dentista, viagens, planos, necessidades, broncas. E, quando você passa a pensar como um grupo que precisa de organização, empatia e paciência, as coisas funcionam. A guarda alternada em uma semana, como é aqui em casa, resume bem isso. Tem coisas que elas fazem somente com a mãe e outras que só acontecem em casa. E está tudo bem, já que existe entendimento e parceria.

A nossa escala de final de ano, por exemplo, segue uma programação digna de Copa do Mundo. As famílias e avós maternos e paternos moram em cidades relativamente próximas e, para que todos possam desfrutar de período tão importante, protagonizamos uma jogada ensaiada. Na semana do Natal, as crianças ficam com a mãe. A partir do dia 25 de dezembro, é comigo: saio logo cedo da casa do vovô delas e, após um pouco mais de 100 km de estrada, busco as duas na metade do caminho até a casa do outro vovô. Daí em diante, os próximos sete dias, incluindo réveillon, são comigo.

Premiações e presentes, temas que incluem Natal, aniversários, ovos de chocolate, são definidos sempre após uma preleção com os técnicos, digo, um acordo informal nosso. E, logicamente, com a aprovação dos cartolas esportivos: o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e a Fada do Dente. Ah, e os feriados e “datas-FIFA” são alternados anualmente. Exceção para as festas de fim de ano, que seguem a estratégia vitoriosa já citada acima.

E assim seguimos nessa rotina de treinamentos, planejamentos, ajustamentos e finais de campeonato. Não para chegar na intangível harmonia perfeita, mas para alcançar a concordância possível. Que nosso time se entrose cada dia mais em busca do único título que realmente vale nessa vida: a felicidades delas!