Crise de pânico em crianças: 15 sintomas para ficar de olho, o que fazer e como ajudar

Saúde mental é assunto sério e merece atenção. Em um momento tão delicado, as situações intensas de medo e insegurança podem acabar desencadeando crises de pânico. Saiba como agir em momentos como esse e ajudar seu filho a ficar mais tranquilo

Resumo da Notícia

  • As crises de pânico costumam ser pontuais e apresentar sintomas emocionais e físicos
  • É muito importante ouvir as crianças e oferecer o máximo de apoio possível em momentos de crise
  • Os sintomas de crises de pânico podem desaparecer alguns minutos após seu ápice

Em um pouco mais de um ano de pandemia, a saúde mental é um tema que precisa continuar sendo acompanhado de perto (e com muito carinho!). Com a sensação frequente de medo e insegurança, causados por um período tão delicado, é necessário redobrar a atenção quanto às crises de pânico.

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Apesar de ser mais frequente nos adultos, as crianças também podem sofrer com as consequências ligadas aos sintomas da condição. Para tirar as principais dúvidas sobre o assunto, conversamos com a Dra. Ana Gabriela Andriani, psicóloga, mestre e doutora pela Unicamp, filha de Claudilene e Delfino. Saiba a importância do papel dos pais nesse processo e como você pode ajudar o seu filho.

Qual a diferença entre crise de pânico e síndrome do pânico?

De acordo com a especialista, a crise de pânico é caracterizada por uma sensação de angústia, ansiedade e medos intensos, mas que acontecem de forma breve e pontual, algumas vezes sem um motivo específico. “Essas sensações têm início súbito e são acompanhadas por sintomas físicos e/ou emocionais”, explica.

Os sintomas de uma crise de pânico podem desaparecer alguns minutos depois do momento de medo ou insegurança (Foto: Shutterstock)

Quanto a síndrome do pânico, Ana Gabriela comenta que são crises mais recorrentes. “A frequência das crises pode deixar a pessoa que a vivencia muito insegura e desejosa de controlar os fatores que imagina serem os desencadeadores dela. É comum, a partir daí, ela torna-se reclusa por acreditar que as exposições a estímulos do ambiente podem ser gatilhos para o aparecimento dos sintomas”. Anualmente, a síndrome do pânico atinge cerca de 2% a 3% da população mundial. Segundo dados do MSD, mulheres possuem duas vezes mais chances de terem o diagnóstico do que os homens.

Sintomas de ataques de pânico

  • Sensação de medo
  • Falta de controle
  • Medo da morte
  • Taquicardia
  • Sudorese
  • Ânsia de vômito e vômitos
  • Dores no peito
  • Falta de ar
  • Sensação de dormência no corpo
  • Sensação de fraqueza
  • Calor e suor frio
  • Sensação de terror ou perigo eminente
  • Boca seca
  • Zumbido nos ouvidos
  • Tontura

Geralmente, os sintomas atingem o seu nível mais alto em até dez minutos, podendo desaparecer logo em seguida. Por isso, é muito importante que, caso a criança esteja passando por um momento de crise, a família dedique apoio e procure ajuda de um profissional.

Como agir durante uma crise de pânico

  • Lembre que o momento é passageiro e logo os sintomas físicos irão desaparecer
  • Tente respirar lentamente e profundamente, controlando aos poucos o processo de respiração
  • Permaneça no lugar até conseguir mais controle sobre a situação
  • Se a crise de pânico estiver acontecendo com o seu filho, procure levá-lo a um lugar mais tranquilo e mantenha uma comunicação clara, calma e simples. Junto com ele, tente praticar alongamentos para relaxar e oferecer todo o suporte possível

Crise de pânico em crianças

Apesar de acontecer com menor frequência nas crianças, elas também podem passar pela situação. “A sintomatologia se apresenta de uma forma parecida com a do adulto, com o agravante de, muitas vezes, elas não saberem explicar exatamente o que estão sentindo”, comenta a psicóloga.

Para ajudar seu filho durante uma crise de pânico, é muito importante manter a calma, saber ouvir e oferecer apoio (Foto: Shutterstock)

No geral, os primeiros sintomas podem aparecer a partir de crises de ansiedade generalizada e/ou separação (ir para a escola, ir viajar sem os pais ou ficar na casa de um amigo). Além disso, a criança pode se sentir receosa de continuar frequentando locais onde uma crise de pânico aconteceu.

Como ajudar seu filho a enfrentar uma crise de pânico

O primeiro passo é dar apoio e mostrar que a criança sempre pode confiar em você. “Os pais não devem tratar a situação como uma birra, culpar ou cobrar o filho. O que ajuda é ouvir a criança e dizer que entende como ela está se sentindo. Quanto mais segurança os pais transmitirem à criança, melhor”.

Em segundo lugar, e não menos importante, a família deve buscar pela ajuda de um psicólogo se as crises persistirem. “Quando tratada em uma psicoterapia, a síndrome de pânico tende a desaparecer, uma vez que poderão ser entendidos os fatores desencadeantes dela (modo como a criança está se sentindo na escola, nas relações familiares, se está insegura ou se sentindo ameaçada com algo, por exemplo) e os pais também poderão receber orientação para melhor entender e ajudar seu filho. Crises de pânico frequentes indicam que a criança está em sofrimento e que algo está se passando com ela. É justamente isso que precisa ser investigado e cuidado”, conclui Ana Gabriela Andriani.