Maria Homem aponta as importâncias de não idealizar a infância: “Tranquilidade faz diferença no momento de educar”

A psicanalista foi a terceira palestrante do 9° Seminário Internacional Pais&Filhos. Ela falou um pouco sobre o que podemos fazer para criar filhos com mais autoestima e seguros de si

Resumo da Notícia

  • Maria Homem é a terceira palestrante do 9° Seminário Internacional Pais&Filhos
  • Ela falou um pouco sobre o que podemos fazer para criar filhos com mais autoestima e seguros de si
  • Além disso, ela comentou sobre a importância da divisão das tarefas entre os pais
  • Ela também comentou sobre a idealização da infância

A terceira palestra do 9° Seminário Internacional Pais&Filhos ficou por conta da psicanalista Maria Homem. No bate-papo intitulado “Emoção: parentalidade fora do controle?”, ela falou um pouco sobre o que podemos fazer para criar filhos com mais autoestima e seguros de si.

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Maria Homem é uma das palestrantes do 9° Seminário Internacional Pais&Filhos (Foto: DCury)

A psicanalista começou a palestra citando uma frase do Freud que dizia que havia duas missões impossíveis: governar pessoas e educar, além de analisar. Ao longo da palestra, ela falou um pouco sobre como lidar com camadas heterogêneas de sofrimento dos filhos, das mais simples às mais complexas.

O primeiro desafio apontado por ela foi a questão de saber ponderar razão e emoção. “A gente não sabe exatamente como combinar isso, como fazer de uma maneira de casar tudo isso”, ressaltou. Maria Homem contou também sobre a importância de saber lidar com sentimentos como felicidade, medo, irritação e etc.

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Ela continuou falando um pouco sobre a parentalidade. Para isso, começou definindo o termo. “A gente está muito habituado a falar de maternidade e paternidade. Mas falar de parentalidade é falar sobre a função tanto do pai quanto da mãe, fora das noções de gênero”, ressaltou. Ela explicou que falar sobre a infância é algo novo, dos últimos 400 anos, e ressaltou a importância da ECA para entendermos que as crianças são pessoas em constituição, que devem ter o direito de apenas existir.

A mãe de um menino de 10 anos e professora na FAAP e no Núcleo Diversitas – USP apontou que justamente por essa liberdade da infância, idealizamos esse período da vida como um momento mágico, feliz. “Justamente por isso, sofremos mais ao vermos uma criança triste, com fome, abandonada. O sofrimento na infância não casa com nossa mente moderna, é como se ele fosse mais atroz, mais cruel. Mas ele sempre aconteceu. A modernidade romantiza uma era de felicidade, que vai desde à gestação até os momentos da infância”.

O problema dessa idealização? Para a psicanalista, a decepção ao descobrirmos que as coisas não são como imaginávamos. “Aos poucos o contemporâneo vai desconstruindo essa visão idealizada da infância e traz pra realidade os problemas”. Para enfrentar tudo de uma forma mais leve, Maria Homem fez um convite: “Queria convidar a todos a ousar colocar em questão esse lugar dessa majestade (criança) e pensar o quanto a gente cede da nossa vida em prol de girar em torno desse núcleo que é o filho”.

Ela apontou que quem mais sofre com essa parentalidade idealizada é a mãe, uma vez que nossa sociedade exige da mulher sustentar toda essa idealização na realidade. “O que está em discussão nessa quarentena e no seculo XXI no geral é como seremos pais e mães, juntos: definir juntos como cuidar, dar comida, quem vai ajudar na escola”, apontou. Ao falar disso, Maria Homem questionou a respeito parentalidade e apontou, apesar de ser um termo moderno, ainda está muito sobre os braços das mães, por mais que haja um conjunto.

Maria Homem também falou sobre a edução e contou qual é, para ela, o segredo de uma educação: “Você educa bem quando você ama”, aponta. “Delimitamos limites com o amor, o que eu quero, o que você quer”, ressalta.

Maria Homem terminou a palestra falando sobre a importância de entendermos que todas as fases tem suas limitações e que nenhuma idade é completamente feliz. “Você pode suportar o ódio do outro, inclusive do seu filho. Você pode ouvir ‘você é chata’ e falar ‘sim, eu sou, vá dormir!’. É preciso estar tranquilo no seu lugar. Tranquilidade faz diferença no momento de educar”, finalizou.

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