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“Quando você compra de uma mãe, você está ajudando a sustentar uma família”, diz Ana Fontes

Ela, que é especialista em empreendedorismo, comandou a palestra "Muda a Maneira de Encarar o Trabalho"

Marina Paschoal

Marina Paschoal ,Filha de Selma e Antônio Jorge

(Foto: Gustavo Morita)

(Foto: Gustavo Morita)

O 6° Seminário Internacional Pais&filhos não para! Ana Fontes, está agora no palco comandando a palestra Muda a Maneira de Encarar o Trabalho. A Força do Empreendedorismo. Ela, que é especialista em empreendedorismo feminino, trouxe toda a sua experiência para o nosso público.

Ana, apesar de morar em São Paulo desde pequena, é nordestina e veio para a capital ainda criança. Estimulada pelos pais, se dedicou e concluiu a faculdade. “Eu trabalhava na casa dos meus vizinhos. Limpava, olhava os filhos, fazia de tudo. E eu não tenho vergonha disso, faz parte da minha história”, lembra.

Depois de graduada, ela construiu carreira em uma multinacional onde ficou durante 18 anos – sendo que desses anos, ela ocupou o cargo de vice-presidência, sendo a única da mulher da empresa a chegar no cargo. Ela enfrentou desafios por lá como, por exemplo, concorrer a uma vaga interna, ter todos os requisitos e ouvir, na última etapa, que não poderia assumir o cargo por ser mulher. “Foi quando decidi que era o momento da ruptura”.

Ela pediu demissão e ficou em casa, cuidado da filha mais velha, Daniela na época com 5 anos. Ana até tentou voltar para uma empresa, mas logo recebeu a aprovação da adoção da sua caçula e, novamente, recebeu a desaprovação por ser mulher. Junto com Emily, que chegou aos 10 meses, Ana pediu demissão novamente. “Parece que quando a gente vira mãe, o mercado nos enxerga com menos capacidade, mas na realidade é o contrário”, ela observa.

Foi então que ela foi repensar a vida e começou a empreender. Atualmente comanda a Rede Mulher Empreendedora e ganhou, recentemente, um investimento de três milhões do Google para o projeto Womenwill. Segundo Ana, atualmente 24 milhões de mulheres empreendem no Brasil e o principal gatilho é a maternidade. Isto porque, ainda hoje, as empresas ainda não sabem lidar com esse momento. “Mulheres empreendem e geram mais impacto social, elas têm olhar mais cuidadoso. Por isso, investir em mulheres é investir na sociedade“, comenta.

Segundo Ana, o segredo do empreendedorismo é querer transformar a sociedade e não só se limitar no pensamento do dinheiro e do lucro. “A gente só muda as coisas quando temos o olhar de transformação e a maternidade mudou meu mundo. Depois das minhas filhas, eu tenho outra visão”, conta. “Quando você compra de uma mãe, você está ajudando a sustentar uma família”, finaliza.

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