31% dos brasileiros acreditam que dengue deixou de existir na pandemia, aponta pesquisa inédita

No começo deste ano, mais de 70 mil casos prováveis de dengue foram notificados pelo Ministério da Saúde. Mesmo assim, nos últimos dois anos de pandemia da Covid-19, o Brasil deixou de dar atenção para as contaminações da dengue – e é preciso ficar alerta

Resumo da Notícia

  • Pesquisa inédita mostra que 31% dos brasileiros acredita que dengue deixou de existir na pandemia
  • No começo deste ano, mais de 70 mil casos prováveis de dengue foram notificados pelo Ministério da Saúde
  • Mesmo assim, nos últimos dois anos de pandemia da Covid-19, o Brasil deixou de dar atenção para as contaminações da dengue - e é preciso ficar alerta

Nesta terça-feira, 15 de março, a farmacêutica Takeda promoveu o “Webinar Dengue: O Impacto da Doença no Brasil”. Nele, profissionais da área da saúde foram convidados para abordar o panorama da dengue no Brasil, principalmente nos últimos dois anos tomados pela pandemia da Covid-19. Para essa conversa, foram chamados os Dr. Alberto Chabebo, médico infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia; a Dra. Rosana Ritchmann, médica infectologista do Hospital Santa Joana; Dr. Abner Lobão, diretor executivo de Medical Affairs da Takeda no Brasil e contando com a presença Márcia Cavallari, CEO da IPEC e responsável pela pesquisa que mostrou a atual percepção dos brasileiros sobre a dengue.

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A pandemia da Covid-19 deixou o mundo todo muito alarmado com relação aos riscos da doença que já tirou a vida de mais de 600 mil pessoas – só no Brasil. Contudo, o coronavírus não é o único responsável por causar problemas de saúde e, por causa disso, a Ipec em parceria com a farmacêutica Takeda e com coordenação científica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) avaliou a percepção de 2 mil brasileiros sobre a dengue no Brasil – e ao menos 31% acredita que a doença parou de existir durante a pandemia.

As informações sobre a dengue se perderam em meio a pandemia da covid-19
As informações sobre a dengue se perderam em meio a pandemia da Covid-19 (Foto: Getty Images)

Os resultados são sérios, e mostram que ainda falta muita informação para que a população possa se prevenir contra os impactos da dengue. Ainda nessa realidade, 28% das pessoas entrevistadas não ouviu mais falar da dengue nos últimos dois anos, e 22% ainda afirmaram que “toda doença é Covid-19”.

“A gente precisa voltar a se preocupar com essa doença. Afinal, elas ainda existem e também existem riscos de aumento de contágio e infecção”, opinou o Dr. Abner, sobre a falta de informação perante a dengue. “A gente deve almejar que a informação seja tão relevante para todas as pessoas, que os cuidados com a prevenção e a saúde sejam tão importantes quanto usar cinto de segurança hoje em dia”.

A falta de informação da dengue em comparação a enxurrada de notificações diárias que recebíamos durante a pandemia mostra que os cuidados com a doença foram deixados de lado com relação aos dados da Covid-19. Mesmo compreensível, essa é uma realidade que deve ser mudada – e os cuidados, devidamente, tomados.

“Essa realidade revelada pela pesquisa é preocupante. Com a urgência da pandemia de Covid- 19, muitas doenças infecciosas, como as arboviroses (dengue), foram colocadas em segundo plano e até esquecidas. Precisamos retomar a discussão e os cuidados com a dengue, focando em disseminar informações e campanhas de conscientização que estimulem a prevenção”, comentou Dr. Alberto Chebabo.

“A dengue merece uma campanha de grande intensidade. Porque ela é uma doença que tem capacidade de causar uma grande quantidade de casos e óbitos. E a melhor forma são campanhas de conscientização nas quais você utilize vários canais, e principalmente a presença do agente de saúde nas residências”, comenta ainda Chebabo, com relação às medidas de prevenção da dengue.

Fake News

Para além da falta de informação, existe ainda um inimigo que bate de frente com o desejo de profissionais da saúde de proteger a população contra a dengue: as notícias falsas. A pesquisa mostrou resultados positivos: 81% dos entrevistados confirmou que verifica as informações que recebe sobre saúde, ou ainda espera que veículos da mídia de confiança verifiquem o que foi falado antes de tomarem como verdade.

Mesmo assim, as notícias falsas ou ‘Fake News’ ainda encaram uma realidade de força e influência na vida de brasileiros. Como resultado, doenças como a dengue e até a Covid-19 não conseguem ser amplamente prevenidas.

“A viralização de uma fake news é muito mais rápida do que a de uma notícia verdadeira”, confirmou Dra. Rosana, durante o evento. “A gente precisa pensar nessa pandemia em relação a como melhorar a nossa comunicação. A baixa das coberturas vacinais salta aos olhos. Você tendo um programa de vacina fantástico no Brasil, é possível perceber que existe um problema de comunicação gigantesco. Esse é o maior desafio de 2022. Nossa missão é divulgar de forma mais clara a informação sobre a prevenção”.

Mesmo tendo avançado bastante, a população ainda precisa de mais informações para diminuir o contágio e o número de casos da dengue no Brasil. Afinal, mesmo que a pesquisa tenha mostrado que 92% dos brasileiros procuram um especialista quando estão com sintomas da dengue e que apenas 12% da população não sabe quais são os sintomas, são 62% dos brasileiros que não buscam mais informações sobre o caso.

“Desinformação é uma pandemia tão grande como qualquer outra. Ela mata tanto quanto doenças graves. Combater a desinformação é uma responsabilidade da saúde tanto quanto combater qualquer doença”, afirma Dr. Abner. “Os resultados da pesquisa do IPEC confirmam que ainda precisamos falar sobre a dengue e não deixar que a doença caia no esquecimento da população. Existe um longo caminho para a conscientização e estamos empenhados em contribuir com esse objetivo, levando informações que ajudem a combater a dengue no país”.

Sempre alerta

Pesquisas como aquela realizada pelo Ipec servem para mostrar não só para a população o panorama brasileiro e como mudar a partir disso, mas também para que especialistas saibam quais são as melhores maneiras de passar a informação para frente e, enfim, trazer resultados efetivos.

Márcia Cavallari, CEO da Ipec e responsável por apresentar os dados da pesquisa no evento, mandou a real sobre o assunto: “Essa informação tem que chegar de uma forma didática para a maior parte da população, que tem uma escolaridade mais baixa. A informação chega de uma forma truncada, então ela precisa ser passada de forma didática. E a informação precisa chegar para as pessoas, porque é muito difícil que a pessoa corra atrás disso”, comenta.

Sobre a dengue

A dengue é uma doença infecciosa que pode evoluir para casos graves e afetar a saúde de toda a família, independente da idade. Ela é transmitida por humanos por meio da picada do mosquito fêmea, e se prolifera em climas tropicais e subtropicais, estando presente em ao menos 100 deles no mundo todo.

Saiba quais são as melhores formas de prevenir a dengue
Saiba quais são as melhores formas de prevenir a dengue (Foto: Freepik)

No Brasil, nas seis primeiras semanas de 2022, já foram contabilizados mais de 70 mil casos prováveis de dengue – de acordo com informações do Ministério da Saúde. Os principais sintomas da dengue são:

  • Febre alta (39° a 40°) de início abrupto com duração de até 48h
  • Dor de cabeça
  • Dor atrás do olho
  • Dor muscular
  • Dor na barriga
  • Presença de manchas vermelhas no corpo
  • Náusea
  • Sinais de desmaio
  • Dificuldade na ingestão de líquidos

Não existe uma forma exata de tratamento contra a dengue. A melhor maneira são aquelas que visam conter os sintomas da doença. Mesmo assim, pessoas com quaisquer sintomas relacionados a doença devem recorrer a médicos e especialistas para um diagnóstico correto.

Para a prevenção, é recomendado eliminar água armazenada para impedir possíveis criadouros, como em vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e até mesmo em recipientes, pequenos, como tampas de garrafas.