A volta da quarentena: quais são os cuidados com as crianças em escolas e espaços públicos

Muitas famílias estão com dúvidas se podem ou não levar os filhos em parquinhos, supermercados, shoppings, escolas e locais com aglomeração. O que fazer para conciliar a ansiedade, medo e proteção?

Ainda não é recomendado levar as crianças para o shopping, ao cinema ou teatro e locais com aglomerações (Foto: Getty Images)

Com o afrouxamento da quarentena e a volta das aulas em algumas regiões do país, muitas famílias estão com dúvidas se podem ou não levar os seus filhos em parquinhos do condomínio, supermercados, shoppings, escolas e locais com aglomeração. O vírus segue com força e a ansiedade dos pais só cresce durante a pandemia do novo coronavírus. Mas o que fazer para conciliar a ansiedade, medo e proteção da família?

Segundo o estudo do New England Journal of Medicine, o vírus leva até 72 horas para se tornar indetectável em plástico, cerca de 48 horas em aço inoxidável e papelão e até 8 horas em cobre. “Então, mesmo que as crianças respeitem o distanciamento social no parquinho ou na escola, tocar nas superfícies em que outras crianças também tiveram contato não as mantém seguras. As crianças estão constantemente se movimentando, indo de uma parte para outra, e, nesse período, provavelmente toquem no rosto. Portanto, se eles tocarem em uma superfície com o novo coronavírus as chances de serem infectadas são muito altas”, esclarece a infectologista pediátrica do Hospital GRAACC, Dra. Fabianne Carlesse.

“Até que haja uma redução expressiva de casos, não é recomendado levar as crianças para o shopping, posteriormente ao cinema ou teatro e locais com aglomerações. Neste momento, precisamos ter um pensamento social”, explica a especialista. Além disso, as crianças ainda podem ser portadoras ativas do vírus antes que apareçam os sintomas. “Acima de tudo, vale ressaltar que eles ainda não entendem a importância do distanciamento social e, portanto, devem ser supervisionados ativamente pelos pais ou responsáveis”, diz. Além de não brincar em parquinhos compartilhados, é recomendável que as crianças também lavem as mãos com água e sabão constantemente, além do uso das máscaras de tecido, caso precisem sair de casa”, orienta a médica.

Mesmo que as crianças não façam parte do grupo de risco, por que elas precisam ficar em casa?

No momento atual, mesmo que não façam parte do grupo de risco, as crianças precisam ficar protegidas. Isso porque podem ser assintomáticas, portadoras do vírus, e transmiti-lo para outras pessoas. “Então, o recomendado atualmente é que, caso os pais não possam fazer home office, não deixem os filhos com os avós. O ideal é pedir ajuda para outros parentes e amigos, que também não tenham contato com idosos e não estejam no grupo de risco”, explica.

Crianças acima de 2 anos devem usar máscaras, desde que não haja contraindicações (Foto: Getty Images)

Quais são os cuidados necessários nos passeios?

Em relação aos passeios, os cuidados devem começar mesmo antes de sair de casa. Crianças acima de 2 anos devem usar máscaras, desde que não haja contraindicações. “Deve-se conversar com a criança sobre a importância da máscara e dos cuidados com seu uso antes de sair de casa. Importante que qualquer pessoa sintomática não saia de casa, a não ser que seja para atendimento médico”, explica Dra. Fabianne Carlesse.

Uso de elevadores

Ter o cuidado de entrar somente se estiver vazio. Evitar que crianças toquem paredes, botões e portas e todos devem higienizar as mãos ao saírem do elevador, pois pode haver contágio através do toque em superfícies contaminadas. Atenção redobrada ao uso de aparelhos celulares enquanto estiverem fora de casa e sempre mantê-los higienizados.

Passeios ao ar livre e piscinas

São bem-vindos. Escolher locais onde o distanciamento social seja possível, evitando sempre aglomerações, como parques e praças. “No momento, não se recomenda que crianças brinquem com outras de famílias diferentes. Parquinhos e playgrounds não são indicados por geralmente estarem mais cheios, impossibilitando o distanciamento social. O uso de piscinas é possível, desde que o distanciamento social seja respeitado, uma vez que não há evidência de contágio através de água tratada”, orienta.

Posso levar meu filho ao supermercado?

“É melhor que ele fique em casa. O supermercado é um local fechado e costuma ter aglomerações. Você vai colocar a mão no carrinho, nos produtos e não conseguirá limpá-las do jeito que precisa ser feito. E a criança também vai querer pegar as coisas e é mais difícil cuidar e controlá-la no local”, esclarece a Dra. Fabianne.

Meu filho precisa usar máscara o tempo todo?

Deve ser usada durante todo o período fora de casa, respeitando os protocolos de higiene e distanciamento social. “O uso é indicado para maiores de dois anos, sendo que de dois a cinco anos o uso correto dependerá da maturidade de cada criança. Não utilizar em crianças com dificuldade respiratória. A máscara caseira deve ser feita com três camadas de tecido, sendo a camada exterior impermeável e a camada próxima ao rosto de tecido tipo algodão, além de cobrir boca e nariz e estar ajustada ao rosto. Trocar a máscara a cada duas horas e sempre lavar após o uso”, explica a infectologista.

A volta dos pais ao trabalho

Algumas famílias terão a necessidade de apoio em casa para que possam retornar ao trabalho. Para diminuir os riscos, é aconselhável o uso de máscaras, além de roupas e calçados separados para uso domiciliar e fora dele. “Objetos pessoais como carteiras, bolsas, chaves e celulares devem estar guardados em um local específico. Outra medida para aumentar a segurança nesse processo seria planejar turnos alternativos, que propiciem aos funcionários evitar o transporte público nos horários de maior aglomeração”, orienta.

Haverá um período de adaptação na retomada das atividades, inclusive na questão de sociabilização da criança, seja com amigos ou com familiares. Os cuidados no contato com os avós devem ser mantidos e, caso a opção seja visitá-los, as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras devem ser reforçados.