Família

Conheça a história emocionante de Silvia e Nickollas Grecco, ganhadores do prêmio “Torcedor do Ano” pela FIFA

Nickollas é deficiente visual e foi adotado por Silvia após ser recusado por 12 casais

Caroline Passos

Caroline Passos ,Filha de Maria Aparecida e Agnaldo

Silvia Grecco e Nickollas Grecco, ganhadores do prêmio de melhor torcedor pela FIFA em 2019 (Foto: Reprodução/ Instagram/ @pringrecco

 

Não foi fácil para Silvia e Nickollas Grecco conquistarem o prêmio de melhor torcedor, entregue pela Fifa na segunda-feira, 23 de setembro. Tudo começou muito longe da grande cerimônia na Itália ou dos estádios de futebol que mãe e filho frequentam há sete anos para torcer pelo Palmeiras. A história dos dois se iniciou em um hospital de Mauá, São Paulo, onde se encontraram pela primeira vez e começaram a protagonizar uma história que conquistou o mundo todo pela dedicação dela em narrar os jogos para o garoto de 12 anos deficiente visual e portador de autismo.

Silvia decidiu anos atrás por aumentar a família mesmo já sendo mãe de Marjorie. Ela queria adotar uma criança, então, se inscreveu na Vara de Infância de Mauá, onde morava na época. Foram sete meses longos de espera até receber um chamado sobre a possibilidade de acolher um bebê de quatro meses, deficiente visual e nascido com apenas 500 gramas após uma gestação de apenas cinco meses interrompida por uma tentativa de aborto.
Antes de Silvia, outros 12 casais haviam recusado a adoção de Nickollas “Quando cheguei ao hospital, o médico trouxe o Nickollas e o colocou no meu colo, tive a certeza absoluta que seria meu filho. Eu digo que com a minha filha eu cortei o cordão (umbilical), mas com o Nickollas nós amarramos o coração. Naquele instante eu mal conseguia ouvir o que o médico dizia pela emoção de ter o meu filho no colo”, contou Silvia nesta terça-feira, 24 de setembro, em entrevista à Rádio Eldorado.
A relação entre mãe e filho foi gradativamente se tornando mais forte. Aos cinco anos, o menino foi diagnosticado com um grau leve de autismo, mas o problema não o impediu de irem pela primeira vez em estádios em março de 2012, no Pacaembu. A palmeirense Silvia quis transmitir a Nickollas a paixão pelo clube e o levou para acompanhar o jogo contra o São Caetano.

Silvia Grecco e Nickollas Grecco durante a premiação de melhor torcedor pela FIFA em 2019 (Foto: Reprodução/ Instagram/ @nickollasgrecco

“Eu coloquei um fone de ouvido para ele ouvir o jogo no rádio. Mas ele tirava o fone. Ele vibrava muito com a torcida, já pulava logo no primeiro jogo. Queria escutar a torcida. Por conta do autismo, ele ainda não se expressava muito bem e falava em terceira pessoa: ‘O Nickollas é porco'”, contou Silvia. Para fazer o filho entender o que se passava no jogo, ela procurou trocar os fones de ouvido e se tornar a narradora particular dele.
Para isso, Silvia decidiu observar o comportamento dos narradores e radialistas para adquirir as técnicas de locução e como poderia transmitir a emoção do jogo para o filho. “Quando estamos no estádio, os torcedores ao redor não gostam que se grite gol antes da hora. Mas eu tenho de me antecipar um pouco para contar para o Nickollas. Então, eu não ligo para isso”, desabafou.
Nos últimos anos, a dupla passou a frequentar sempre os jogos do time do coração, até que em setembro de 2018 a dupla foi descoberta por uma equipe de reportagem da TV Globo. A locução da mãe para o filho conquistou em primeiro lugar a torcida do clube alviverde e agora, com o prêmio da Fifa, ganhou repercussão mundial. No discurso após a conquista, Silvia destacou a importância da inclusão social do portador de deficiência.
“Esse amor entre a gente supera tudo. Eu mudei muitos valores em função do Nickollas em minha vida”, disse Silvia à Rádio Eldorado. “O Nickollas foi um grande presente que a nossa família ganhou. Ele ensina muito para todos nós”, completou.
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