Mulheres que engravidaram do mesmo homem superam rivalidade e viram melhores amigas

Andrea Tinagero engravidou aos 16 anos do primeiro namorado e logo descobriu que ele tinha uma esposa, Regiane, que também esperava um bebê

Resumo da Notícia

  • Andrea Tinagero contou a história de como ela e Regiane se tornaram melhores amigas
  • Ambas mantinham um relacionamento com o mesmo homem sem saber
  • As duas criam as crianças como irmãos

A paulista Andrea Tinagero engravidou aos 16 anos do primeiro namorado e semanas depois descobriu que ele era casado e a mulher, Regiane, também estava grávida. Algo que começou como uma rivalidade, foi se transformando em uma forte amizade. Hoje, aos 43 anos, a cozinheira contou a história com todos os detalhes.

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Andrea Tinagero e Regiane mantém forte amizade (Foto: Reprodução / Marie Claire)

“Em 1992 conheci um rapaz no colégio que pensei ser o grande amor da minha vida vida. Começamos a namorar e dois anos depois perdi minha virgindade com ele, aos 16 anos. Engravidei de primeira. Mas, ao contar a notícia, ele se assustou, perguntou o que iríamos fazer, ficou nervoso. E sumiu! Procurei o pai dele, que combinou ir até minha casa conversar com a minha mãe, mas nunca apareceu. Meu namorado, pai do bebê, não foi mais para a escola, certamente por estar com medo de me encarar”, começou ela.

Estranhando o sumiço do namorado, ela decidiu ligar para a casa dele, e se surpreendeu quando uma mulher, com voz de adolescente, atendeu do outro lado da linha. “Ela perguntou quem eu era e falei: a namorada dele. E já fui logo contando que estava grávida e esperando ele conversar com a minha mãe. Furiosa, ela também se apresentou – falou que se chamava Regiane, tinha 19 anos, era esposa dele e também estava grávida. Minhas pernas ficaram bambas. Não consegui falar mais nada, passei mal e fui parar no hospital. Depois soube que Regiane também se sentiu mal e foi para o hospital, perplexa com a notícia.

De primeira, Andrea se sentiu muito mal e nervosa. “Naquele momento, juro que a odiei e desejei do fundo da minha alma que ela morresse. Muita imaturidade minha. Eu o amava e fiquei totalmente sem chão por saber que ele tinha outra além de mim. Só pensava como contar para a minha mãe, como ficariam os meus estudos e o que eu ia fazer da minha vida grávida aos 16 anos e mãe solo. Saí do hospital sem rumo, sem saber o que fazer ou para onde ir. Pedi ajuda para uma tia que chamou minha mãe para conversarmos. Achei que fosse tomar uma surra ou um sermão daqueles, mas ela me apoiou, me ajudou em tudo e disse que eu não precisaria desse rapaz para nada.

O nascimento

Depois da revelação, ela passou praticamente um ano sem ter notícias do pai do bebê, e disse que teve a filha sozinha. ‘ Ele nunca mais me procurou, nem quis saber da criança. Minha filha, Ana Carolina, nasceu em 14 de maio de 1995. Minha mãe me acompanhou no hospital e fez todo o enxoval da neta. Carol era uma menina linda, gordinha e a cara do pai. Já Guilherme, filho da Regiane, nasceu  um mês antes, em 18 de abril do mesmo ano. A diferença de idade entre os dois irmãos é de apenas 25 dias.”

Reencontro

Meses após o nascimento da filha, Andrea mudou para o bairro de Presidente Prudente, e por uma ironia do destino, o cobrador do ônibus do novo bairro dela era ninguém mais ninguém menos do que o ex-namorado. ” Ele perdeu a cor quando me viu. Minhas pernas tremiam. Acho que eu ainda gostava dele, mas minha raiva era maior. Por influência da minha mãe não o procurei nem para registrar a criança, assim como não quis que ele soubesse nenhuma notícia sobre nós duas. Só que o destino veio e mudou tudo”.

Em janeiro de 1996, ela colocou a filha em uma creche no centro da cidade, para poder trabalhar, e no local a mãe dele era cozinheira lá. Eles passaram a se ver quase todos os dias, quando ela pegava condução, e incentivado pela esposa, ele insistiu em registrar a filha. “A partir de então, começou a nos fazer visitas e a se aproximar da filha. Passei a ter ainda mais raiva da Regiane, na minha cabeça achava que ela queria roubar a minha filha de mim para viver com eles. Quando a via, não olhava na cara dela e nem ela na minha. O ódio tomou conta do nosso ser. A gente não se engolia. Ele ficava no meio das duas tentando contornar a situação. E assim, em meio a essa guerra das duas, passaram-se alguns anos e eles se mudaram para São Paulo”.

Em 2003, as duas mulheres se reencontraram, com um pouco menos de rancor no coração. Regiane ainda era casada com o pai da criança “Minha mãe, que sempre me ajudou, tinha acabado de morrer. Eu estava com 21 anos e fui embora para Araçatuba. Minha filha ia sempre passar as férias na casa deles, até que um belo dia ela resolveu morar com o pai, o irmão e a madrasta. Quase enfartei. Ela tinha 11 anos, estava entrando na adolescência e não estávamos nos dando bem, brigávamos muito. Acabei aceitando que fosse morar com o pai, mesmo com o coração dilacerado por dentro. Fiquei arrasada, uma mãe nunca quer que os seus filhos saiam de perto. Para minha total surpresa, Regiane cuidou muito bem da minha menina, como uma verdadeira mãe. Ali ela ganhou minha admiração e respeito. Na verdade ela sempre tratou Ana Carolina como se fosse sua filha, confesso que rolava até uma pontinha de ciúmes. Por pura ignorância minha, ainda tinha um certo receio da Regiane e, por isso, não permitia nenhum tipo de aproximação”.

Nova amizade

Andrea foi morar em Florianópolis em 2005, e lá se casou. Cinco anos depois, ela se via muito mais madura, e a filha voltou a morar com ela. “Fiquei radiante. No ano seguinte engravidei e voltamos a morar em Presidente Prudente para estar mais perto da minha família. Minha segunda filha, Yasmin, nasceu em junho de 2012. Neste período, voltei a reencontrar meu ex e também a Regiane. Passamos até a nos falar. Ainda não éramos amigas, mas com o tempo, isso foi acontecendo de forma genuína. Tempos depois, ela se separou dele e nos aproximamos de vez. Agora imagina o que duas ex-mulheres podem falar quando se encontram? Nosso hobby preferido era falar dele, claro. Nos divertíamos e passamos a nos unir e ficar cada vez mais próximas. Ela começou a frequentar a minha casa e os nossos filhos também ajudaram muito a nos unir”.

As duas se divertem quando saem juntas (Foto: Reprodução / Marie Claire)

Depois de se separar em 2015, Andrea disse que foi Regiane quem a ajudou a sair da fossa. ” Uma consolava a outra, era até engraçado. Com as duas recém-solteiras, começamos a sair juntas para nos divertir. Íamos a bailes, barzinhos, festas… Sempre juntas. Uma motivando e segurando a mão da outra. Quando ela conheceu um novo amor, eu fui cupido do casal. Regiane se casou de novo e teve um bebê, que sou madrinha e ‘tia coruja’. Nossos filhos também foram ficando cada vez mais unidos”.

Experiência traumática

Em abril deste ano, a cozinheira teve covid-19, e acabou desenvolvendo a forma grave da doença, chegando a ser intubada. “Fiquei muito mal. Adoeci trabalhando no restaurante onde sou cozinheira e fiquei 31 dias no hospital, duas semanas intubada. Estive a beira da morte por duas vezes. Quando tive alta dependia das pessoas para me trocar, me dar banho e até comida na boca. E quem estava lá fazendo tudo isso por mim? Ela, Regiane, que me ajudou muito em todos os sentidos e ainda contratou um enfermeiro particular para cuidar de mim. Ela pagou todos os meus exames particulares e cuidou das minhas filhas enquanto estive ausente. Regiane pagou também as contas da minha casa e segue me ajudando até hoje pagando uma pessoa para limpar meu lar, já que sigo me recuperando das sequelas da doença”.

“E pensar que a gente já se odiou 25 anos atrás, quando engravidamos praticamente ao mesmo tempo, do mesmo homem. Éramos tão meninas ainda. Mas com a maturidade veio também a sabedoria e, juntas, praticamos o perdão, nos unimos e hoje somos uma só família. Tenho a Regiane como uma irmã e melhor amiga. Ela é minha parceira, companheira e cúmplice. Tudo a gente compartilha, fala e pede a opinião da outra. Com o ex nós já nem temos muito mais contato. A gente até esquece que foi por causa dele que nos conhecemos. De rivais, que mal podiam se ver, nem ouvir falar o nome uma da outra, passamos a ser melhores amigas. Muito além do que uma amizade entre duas mulheres, temos uma irmandade que me emociona só em falar”, finalizou Andrea.