Criança

Dia da amizade: por que ter amigos é tão importante para o seu filho?

Estimular que seu filho se relacione e passe tempo com os amigos é essencial para o desenvolvimento na infância

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

Ter e fazer amigos representam fatores fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança (Foto: Getty Images)

Dizem que quem tem um amigo, tem um tesouro. Na vida adulta, o valor da amizade está em compartilhar experiências de modo espontâneo. Na infância, a importância da amizade é ainda maior. Em um mundo onde as pessoas estão cada vez mais focadas em seus próprios quadrados, estimular que seu filho se relacione e passe tempo com os amigos é essencial e necessário durante a infância.

Ter e fazer amigos, assim como manter amizades representam fatores fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança. “Aprender a partilhar, a se comunicar, a negociar, a ter autonomia… Enfim, aprender a se relacionar com seus semelhantes ou desiguais. Com um amigo, a criança aprende o diferente, se questiona”, explica a antropóloga e educadora Adriana Friedmann, especialista na temática da Infância.

Para ela, a função da amizade vai muito além do entretenimento: é capaz de fornecer estruturas para a fundação da própria identidade da criança. “Elas distinguem diferentes tipos de amigos e revelam diferentes graus de intensidade e de intimidade nas relações que estabelecem”, ressalta.

A amizade é uma importante ferramenta para a saúde emocional das crianças (Foto: iStock)

Por que ter amigos

Estudos mostram que a amizade na infância é uma importante ferramenta para a saúde emocional das crianças. Ter amigos pode significar maior estabilidade emocional, desenvolvimento de empatia e de autoconfiança. A amizade age como um fator de proteção social, que traz benefícios à autoestima e ao bem-estar da criança. Na escola, por exemplo, ela facilita um melhor entrosamento, além de melhorar seu rendimento escolar.

Ter amigos é essencial para a adaptação psicossocial do indivíduo, que repercute tanto durante a infância como na vida adulta. Brincadeiras em grupo ou com um único amiguinho ajudam a criança a dominar novas habilidades sociais e faz com que ela se familiarize com as normas e processos sociais envolvidos nas relações interpessoais. Amigo é tudo, sim!

Primeira infância

O papel dos pais é perceber a importância dessas amizades nos primeiros anos de vida e proporcionar o convívio dos seus filhos com os primos da mesma faixa etária. Calor humano é sempre bom. A pesquisa “A percepção da sociedade brasileira a respeito do desenvolvimento da Primeira Infância (0 a 3 anos)”, realizada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal em parceria com o Ibope, apresentada em 2012, constatou que apenas 8% das mães acredita que brincar e socializar com amigos seja a principal contribuição para o desenvolvimento das crianças, enquanto 51% acha que é mais importante levar ao pediatra e vacinar.

Obviamente, em um cenário ideal, tudo é importante, e cuidar da saúde do filho é fundamental. É preciso, porém, que os pais saibam que as amizades na infância melhoram o desenvolvimento psicossocial. Resumindo e simplificando: criança gosta de criança.

(Foto: iStock)

Sem muita intervenção

Se os adultos são cheios de frescuras e restrições, com criança não tem tempo ruim. Elas são desinibidas, brincam com brinquedo do outro, tiram da mão do colega, saem correndo para fugir dele… cenas clássicas! Um pouco inconvenientes para os adultos? Sim, sim. Mas fazem parte de uma fase da infância e não têm a ver com má educação.

“Os pais se afastam, por medo de que a criança esteja sendo inconveniente. Com isso, acaba isolando-a e não permitindo que ela vivencie uma experiência rica, de aprender a negociar ou ter de ceder”, explica Saul Cypel, neuropediatra, pai de Marcela, Irina, Eleonora e Bruna. A intervenção dos pais, em casos mais extremos, deve acontecer como uma mediação do conflito, em vez de julgar e decidir pelas crianças, deixando nas mãos delas a resolução final.

Tem que pegar leve

“Somos seres em relação, e, quanto mais pessoas você se relaciona, mais experiências de vida tem, o que enriquece o intelecto e o emocional”, explica a psicóloga Miriam Barros, mãe de Thiago e Felipe. Visto isso, pais com muitos sobrinhos devem estimular o contato com os filhos sempre que possível.

Mas, ainda que a relação entre primos seja altamente benéfica, ela pode gerar alguns atritos se não surgir de forma natural. A principal dica é não forçar a barra. Como a convivência é quase sempre inevitável, por causa de eventos familiares, as relações acabam sendo muito intensas, o que pode gerar uma grande proximidade, como ocorre na maioria dos casos, mas também uma rejeição.

Cabe aos pais que são irmãos, desta forma, tentar conciliar a relação entre seus filhos, mas deixar que eles se entendam, já que ninguém deve ser forçado a ser melhor amigo de ninguém. No norte ou no sul, no frio ou no calor, enfim, em qualquer lugar e momento, família grande e unida é sempre bom, e não há quem duvide disso. E a criança que cresce nesse ambiente ao lado de primos, com certeza, se desenvolve melhor.

(Foto: iStock)

Filho de peixe…

Ok, então uma infância mais completa é aquela rodeada de novos amigos, velhos amigos e até aqueles amigos mais encrenqueiros. Todos são muito bem-vindos. Mas é importante lembrar de que os pais são os modelos dos filhos, pois suas atitudes são espelhadas neles.

“O convívio social dos pais é modelo para os pequenos. É importante que a criança veja que seus responsáveis tenham amigos para que possam e queiram criar seus próprios laços de amizade”, como bem lembrou o pediatra Cláudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia.

Então, cuidado para não ficar muito focado em estimular que seu filho tenha muitos amigos e esquecer que você também tem os seus. Se a mãe ou o pai tem uma turma animada, certamente as crianças vão querer, e buscar, uma turma bacana para chamar de sua.

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