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Seu filho pode sofrer de distúrbios na tireoide: saiba como identificar os sintomas

A falta de informações e comunicação com o médico pode afetar o diagnóstico

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Getty Images)

(Foto: Getty Images)

Engana-se quem pensa que as disfunções na tireoide são problemas só de gente grande. É verdade que elas acometem mais os adultos, mas as crianças também podem sofrer com as doenças tireoidianas. E o perigo mora nesta falta de informação.

Uma pesquisa global feita pela farmacêutica alemã Merck mostrou que 63% das mães afirmaram que o filho nunca passou por exames para descartar distúrbios da tireoide. Entre aquelas que não tinham histórico familiar, o número saltou para 85%.

As mães também foram questionadas se já haviam conversado com um médico sobre os possíveis problemas de tireoide — e 58% delas responderam que nunca foram atrás dessa informação com um especialista.

No Brasil, as mães se mostraram mais bem informadas: 90% afirmaram saber que as crianças podem ter problemas de tireoide, 65% declararam já ter recebido orientações de profissionais e 66% das crianças já fizeram algum exame na vida para diagnosticar disfunções na glândula.

É comprovado que a falta ou o excesso dos hormônios tireoidianos (o T3 e o T4) prejudicam o desenvolvimento do corpo e podem levar a problemas neurológicos e dificuldades de aprendizado. Por isso, é muito importante fazer um acompanhamento com as crianças desde pequenas.

Se você integra o grupo de mães que nunca levou seu filho ao médico para checar possíveis distúrbios da tireoide, não se preocupe. Conversamos com Dr. Emerson Favero,  especialista em cirurgia de tireoide e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, para tirar as principais dúvidas sobre o assunto.

O que é a tireoide?

Essa glândula, localizada na região anterior do pescoço, é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, essenciais para várias funções do organismo. O hipotireoidismo acontece quando ela não consegue trabalhar o suficiente.

Quais problemas neurológicos e dificuldades de aprendizado a falta ou excesso dos hormônios tireoidianos pode causar nas crianças?

Geralmente, a falta de hormônios da tireoide causa transtorno no desenvolvimento da criança como um todo, incluindo o neurológico. Isto pode causar problemas na fala, desenvolvimento e aprendizagem. Já o excesso de hormônios pode causar problemas no coração, com arritmia cardíaca e problemas de ansiedade e inquietação, mesmo em crianças.

Devo ficar atento para quais sintomas da criança?

As dificuldades de aprendizado e do desenvolvimento e crescimento são os sintomas que podem ocorrer em crianças.

Quais as diferenças dos sintomas do transtorno da tireoide nas crianças em relação ao TDAH?

As crianças com transtorno de déficit de atenção podem ter maior dificuldade ainda em manter a atenção e geralmente ficam mais indispostas e cansadas mais facilmente.

Em quais casos a criança precisa passar por uma cirurgia?

A criança candidata a cirurgia é aquela que apresenta nódulos tireoidianos suspeitos para câncer ou ainda aquela em que a tireoide está funcionando mais rapidamente (hipertireoidismo) e que não se adaptou ao uso de medicação, além das crianças com nódulos que hiperproduzem hormônios (doença de Plummer). A cirurgia de tireoide em crianças deve ser sempre evitada, pois o órgão tireoide é muito importante no desenvolvimento geral da criança e sua perda poderá afetar isso.

O tamanho do nódulo está diretamente relacionado ao diagnóstico?

Isso é relativo. Geralmente, os nódulos maiores podem ser benignos e nódulos menores, malignos. Além disso, o parâmetro do tamanho do nódulo é ruim em crianças, pois elas têm a glândula tireoide pequena e isso dificulta este parâmetro.  O que nos importa é a característica deste nódulo (que é observada pelo ultrassom). No entanto, os nódulos maiores ou iguais a 1 cm e com aspecto sólidos ou mistos (sólidos e císticos no ultrassom) em crianças merecem ser investigados com biópsia, feita através da punção. Além disso, nódulos menores do que 1 cm devem ser puncionados quando há história de exposição da criança a radiação,  se o nódulo estiver associado a algum linfonodo (ínguas no pescoço) ou se o nódulo apresentar hipoecogenicidade, margens irregulares, fluxo central, e ser mais alto do que largo.

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