Dê voz aos sentimentos do seu filho

Quando usamos o “não precisa ter medo” e “não fica triste”, perdemos excelentes oportunidades de ensinar as crianças sobre coragem e resiliência

Tentar evitar que nossos filhos tenham ou que manifestem medo os faz acreditar que não podem ser vulneráveis e os torna despreparados para lidar com os próprios sentimentos. Isso não significa de maneira alguma que os pais devam expor o filho a situações de estresse ou insegurança. Ao contrário: quanto mais seguro e tranquilo o ambiente em que crescem, melhor o desenvolvimento em todos os aspectos.

Não tente resolver a situação pelo seu filho, ofereça apoio para que ele consiga entender os próprios sentimentos e seguir em frente (Foto: iStock)

Mas sentimento de medo, tristeza e frustração existem dentro de cada um de nós, não importa quais sejam os fatores externos a que somos expostos. E a pior maneira de lidar com essas emoções é tentando esconder que elas existem ou evitar que se manifestem. Eis a importância da leitura e contação de histórias. Quando ouvem histórias de personagens que passam por situações de dor e perdas, nossos filhos têm a oportunidade de aprender que esses sentimentos fazem parte da vida e que somos capazes de enfrentá-los.

Caso seu filho diga que está com medo em alguma situação, evite dizer “não precisa ter medo”. Afinal, esse sentimento não tem relação com a lógica. Quantos de nós, adultos, temos medos que não fazem sentido algum, como de barata, rato, injeção, por exemplo. Ao invés de dizer “não precisa ter medo”, ofereça ajuda e diga que tudo bem ter medo, mas que ele tem dentro dele a coragem para enfrentar aquela situação e que, aos poucos, ele vai perceber que a coragem pode ser mais forte do que o medo.

Isso vale também para a tristeza. Não tem problema seu filho saber que você está triste porque perdeu um amigo ou ente querido, porque está passando por uma separação ou ficou desempregado. Assim como não há nada de errado em seu filho ficar triste porque o colega não compartilhou o brinquedo ou porque ele não foi chamado para a festa do amigo. Aceite e reconheça o sentimento, mas não tome para você a responsabilidade de mudar o que ele está sentindo.

Explique que vai passar. E que ele mesmo pode buscar atividades que ajudam a tornar mais leve o momento. Ouvir música ou assistir a um desenho que gosta, brincar com os brinquedos favoritos ou mesmo falar sobre o assunto. E, ao invés do “não fica triste”, ajuda mais um “é, a gente fica mesmo triste às vezes, filho, mas vai passar e você vai conseguir ficar alegre de novo logo, logo”.

Crianças que aprendem a lidar com seus sentimentos crescem com mais recursos para enfrentar desafios em diversas fases da vida. Mais que isso, aprendem a reconhecer e se responsabilizar pelos próprios sentimentos. Assim, tornam-se abertas a buscar ajuda quando a situação parecer mais pesada do que conseguem enfrentar sozinhas. Quanta tristeza e tragédias podem ser evitadas na adolescência quando reconhecemos e ajudamos para que lidem com seus sentimentos desde a infância!