Férias em família: resiliência e adaptações fazem a diferença

Nem tudo sai como planejamos, e está tudo bem. É necessário se virar nos 30 e muitas vezes deixar certas questões de lado para curtir de fato

Fim de ano, Natal, festas… E férias à vista!! Mesmo em tempos de COVID-19 e novas variantes temos o direito de pensar em nos desestressar, e para isso nada melhor que nos reunirmos e festejarmos a vida e nos prepararmos para passar uns dias fora do ambiente em que ficamos confinados nesses últimos meses, trabalhando, estudando e vivendo o dia a dia com nossas famílias.

É importante estar aberto a todas as possibilidades e aproveitar
É importante estar aberto a todas as possibilidades e aproveitar (Foto: Getty Images)

É muito gostoso poder viajar e sair por ai, nem que seja para um lugar próximo… Nossos filhos vão agradecer! A natureza, o esporte e tudo que envolve a viagem faz com que a família se una ainda mais, porém pode exigir mais atenção em algumas habilidades de relacionamento como: resiliência, paciência, respeito e compreensão, pois quando se viaja em grupo é preciso se movimentar de acordo com o seu funcionamento.

Vou citar um exemplo que aconteceu comigo em uma viagem para fora do país quando eu era casada com meu ex-marido e fomos esquiar com as duas filhas dele de 9 e 12 anos e eu levei (a contra gosto) meu filho que ainda era um bebê de 11 meses, mas como minha sogra foi também para ajudar, me senti mais segura. Viagem longa, para um baita frio… Mas imaginem o que aconteceu?

Estávamos num hotel charmoso nos Dolomiti, no norte da Itália, desfrutando de boa comida quando foi justamente a minha sogra (tadinha) quem acabou passando mal e teve que ser levada de ambulância no meio do jantar por ter tido uma desinteria sem fim e acabou ficando internada no hospital desse vilarejo por um dia!!

Por fim, eu que fiquei com ela e meu filho 15 dias sem esquiar, não é sempre que as coisas dão certo!! Contei isso para ilustrar o cenário em que me encontrava, e para compartilhar com vocês o quanto tive que manter o meu estado emocional equilibrado, evitando brigas, tentando manter a calma e resolvendo conflitos que pudessem surgir; o grupo era grande e eu precisava ser uma mulher e mãe centrada para gerenciar algumas situações. Ao final minhas enteadas aprenderam a esquiar e consegui manejar as agendas de forma positiva.

Para um embasamento teórico, escolhi um artigo realizado pela Universidade de Fortaleza que fala sobre compreender a vivência do lazer a partir da perspectiva do grupo familiar, lá é descrito sobre as possíveis influências da experiência do lazer na dinâmica das mesmas. Foi ressaltado as interações significativas que promove as contribuições ao bem-estar da família.

A coparticipação da família em atividades de lazer pode influenciar positivamente a sua satisfação, suas interações, favorecendo a estabilidade familiar. Com tudo, surgiram algumas limitações como: tempo, dinheiro, acesso a opções de lazer e de conciliação das demandas de gerações diferentes e empecilhos para a vivência familiar do lazer. Por isso o diálogo, a interação, compreensão e a resiliência são fundamentais para a vida em família e também numa viagem de férias.

Referências

  • Bennett, L. A., Wolin, S. & McAvity, K. J. (1988). Family identity, ritual and myth: A cultural perspective on life cycle transitions. In Falicov, C. (Ed.), Family transitions: Continuity and change over the life cycle (pp.211-234). New York: The Guilford Press
  • “À mesa com a família”: Rituais familiares ao longo do ciclo de vida. C Crespo – 2011 – eg.uc.pt
  • A vivência do lazer em família. Roberto, Fátima Maria da Costa [1]; Macedo, Ana Paula Pereira [1]; Morais, Normanda Araujo de [1]. Universidade de Fortaleza