Criança

Para além da sala de aula: a escola tem que ensinar para a vida também

Pensamento crítico, cidadania e outras habilidades também devem fazer parte do currículo escolar

Ana Beatriz Alves

Ana Beatriz Alves ,Filha de Maria de Fátima

(Foto: iStock)

(Foto: iStock)

Às vezes, pode ser um pouco confuso dividir as tarefas que são da escola das que são dos pais. Claro que cada um tem o seu quadrado, é dever dos pais educar a criança para que ela chegue na aula sabendo respeitar o próximo. Mas a escola também não pode ficar dentro de uma caixinha onde o aluno só vai (por obrigação) para fazer algumas contas e aprender a escrever certo.

“Ofertar uma educação infantil (os seis primeiros anos de vida) de boa qualidade, especialmente em contextos de vulnerabilidade, é de extrema importância e tem grande impacto no desenvolvimento infantil, aumentando as chances dessa criança se desenvolver plenamente”, como destaca Beatriz Abuchaim, Coordenadora de Educação Infantil na Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

E “boa qualidade” não se refere somente ao futuro acadêmico do aluno. Sueli Cain, diretora do Colégio Mater Dei e mãe do Guilherme, fala que este preparo para a faculdade está treinando o aluno apenas para uma fase da vida e “que é passageira”.

Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, as crianças se desenvolvem através das interações e brincadeiras. Por isso, Beatriz explica que é fundamental que a creche ou escola tenha profissionais com formação adequada e que compreendam a importância do vínculo e do afeto nessa faixa etária. “A brincadeira e o cuidado com a criança, associados à interação e ao vínculo, são essenciais para o pleno desenvolvimento na primeira infância.”

É na hora de brincar que a criança expressa os sentimentos, desenvolve o autocontrola e compreende os fatos que acontecem na vida. Por isso, a educação infantil requer que os professores tenham um bom entendimento do desenvolvimento infantil. “Bem como capacidade de escutar e obervar as reações das crianças nesse processo”, como destaca Beatriz.

A escola também tem o dever que preparar as crianças para enfrentar este mundo que está em constante mudança. Como parte do docente, Sueli tem o foco muito claro. “Nosso papel, é ensinar nossos alunos a serem eternos ‘aprendentes’.”

Se você for parar para pensar no que as empresas buscam em um profissional, vai notar que a maioria das características não são trabalhadas em sala de aula. Inovador, visionário, empreendedor, criativo… enquanto as crianças e adolescentes ainda estão recebendo um ensino muito duro e “quadrado”. “É preciso pensar no desenvolvimento do ser humano em todos os aspectos”, como enfatiza Sueli.

E , para isso, a diretora fala que o caminho é trabalhar com metodologias ativas de ensino, onde o aluno é desafiado a desenvolver projetos, solucionar problemas que tenham um impacto real na comunidade e compartilhar. “É o ‘fazer’ para aprender”.

A Pais&Filhos está completando 50 anos este ano e, por isso, queremos trazer reflexões não do passado, e sim do futuro para preparar a nós e aos nossos filhos para este mundo que ainda não conhecemos. Na educação, por exemplo, estamos tomando mais e mais o caminho com a visão integral do ser humano. Ou seja, o ver e desenvolver no aluno não só o aspecto cognitivo, mas também o afetivo, social, artístico e ético.

Devemos ir para além das habilidades ligadas à cognição e desenvolver competências socioemocionais, criatividade, pensamento crítico, capacidade para resolução de problemas de forma colaborativa, comunicabilidade, flexibilidade, inovação, cidadania, organização, respeito à diversidade, respeito ao meio ambiente, ética e resiliência para os alunos.

Como a Sueli destacou, “o importante não é mais a quantidade de conteúdo absorvido, mas a capacidade de aprender ao longo da vida”.

Leia também:

Você sabia que educação emocional virou matéria escolar? 

Educação Financeira

Escola americana trocou o castigo pela meditação e, adivinha? Deu supercerto! 

Você gostou desse conteúdo?

Sim Não