Quem Ama Cria: veja como foi a mesa-redonda do 10º Seminário Internacional Pais&Filhos

O bate-papo teve presença de vários nomes, como Beto Bigatti, Humberto Baltar, Julio Rocha, Geovanna Tominaga e Rízia Cerqueira

Resumo da Notícia

  • Quem Ama Cria: veja como a mesa-redonda do 10º Seminário Internacional Pais&Filhos
  • O bate-papo teve presença de vários nomes, como Beto Bigatti, Humberto Baltar, Julio Rocha, Geovanna Tominaga e Rízia Cerqueira
  • Veja o que rolou na mesa-redonda

Para finalizar as palestras do dia, o 10° Seminário Internacional Pais&Filhos, Quem Ama Cria, contou com uma mesa redonda com nomes de peso. Nela, Beto Bigatti, Humberto Baltar, Julio Rocha, Geovanna Tominaga e Rízia Cerqueira debateram sobre a criação dos filhos e esse vínculo único adquirido com a vinda dos bebês.

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Geovanna Tominaga (Foto: Divulgação)

Quem começou falando foi Andressa Simonini, apresentando todos os convidados e apresentando o tema da mesa redonda. Ela questionou os entrevistados sobre a possibilidade de criar filhos sozinhos. Geovanna Tominaga mãe de Gabriel, jornalista e apresentadora disse que, para ela, não é possível criar um filho sozinho e contou que essa, aliás, foi uma das questões que se deparou ao se mudar para o Rio de Janeiro. “Eu pedi pra minha mãe ficar comigo no início. Quando ela percebeu que eu estava ficando mais segura, porque pra mim foi muito difícil no início, ela foi embora”. Depois da volta da mãe, ela se apoiou nas seguidoras nas redes sociais. “Cada semana eu fazia um grupo diferente com um tema diferente e lá a gente compartilhava todo tipo de assunto. Disso surgiu o que chamo de grupo de afeto, feito por pessoas que criam outras pessoas”, contou.

Beto Bigatti (Foto: arquivo pessoal)

Logo depois foi a vez de Beto Bigatti, pai de Gianluca e Stefano, publicitário, idealizador do Blog Pai Mala, autor do livro “PAI MALA: relatos sinceros de afeto, vínculos e imperfeições que não estão nos manuais”, e embaixador da Pais&Filhos, falar. Ele contou que a série de medos que carregou ao longo da vida devido à deficiência física fez com que o instinto se atrasasse. “Meu medo era da rejeição, dele ver que eu era diferente e não me amar. E foi o amor dele que acabou com esse medo que vivi por muito tempo”, contou.

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Rízia Cerqueira, mãe de Yaweh, embaixadora da Huggies e influenciadora digital, seguiu falando sobre esse medo da maternidade. “Começou essa situação da quarentena, pandemia e eu comecei a me desesperar”, revelou. Ela contou que, devido à pandemia, os pais do marido não puderam vir da Angola para o Brasil, mas a mãe conseguiu vir do Nordeste para São Paulo. “Mas depois disso é todo um dia um susto, todo dia uma descoberta”, ressaltou. “Foi e está sendo muito desafiador, mas está indo!”, completou.

Rízia Cerqueira (Foto: Divulgação)

Logo em seguida quem tomou a palavra para Julio Rocha, pai de Eduardo e José, ator, escritor e influenciador digital. Ele seguiu falando sobre os medos. “Sou muito desajeitado, então tinha muito medo de trocar o José e dar banho. Depois isso foi passando, eu fui me acostumando e a gente vira craque!”, brincou.

Julio Rocha (Foto: reprodução / Instagram @juliorocha_)

Depois de Julio, foi a vez Humberto Baltar, pai de Apolo, educador, tradutor e intérprete, falar. O tema continuou sendo o medo de criar o filho. “Quando eu soube que era pai eu fiquei inundado de uma alegria tremenda”, relembrou. Logo depois vieram as inseguranças: o medo de conseguir criar um garoto antirracista e o medo de não ser um pai afetuoso, por não ter tido essa referência quando criança. “Quando eu soube que seria pai fiquei inundado de uma alegria tremenda, pensei nas questões raciais, mas mais do que isso, me questionei se conseguiria dar afeto ao meu filho. Mas o medo inicial me abriu pra outras experiências e outras paternidades. E é na coletividade que a gente se torna maior e melhor”.

Humberto Baltar e família (Foto: Arquivo Pessoal)

Para ajudá-lo nessas questões, Humberto se voltou para as redes sociais, onde fez grupos para conhecer outros pais pretos presentes. “Aquele grupo é uma rede de apoio paterna”, completou. “Enquanto na branquitude, no ocidente, nosso valor está nas conquistas pessoais, nas culturas africanas é o oposto. É sobre o quanto você consegue agregar na vida do próximo”, explicou. O medo de não ser afetuoso se desfez logo que o filho nasceu. “Eu vi que seria impossível não ser afetuoso com aquele serzinho”, contou.

Beto voltou a falar depois de Humberto, contando sobre a relação tempestuosa que tinha com o pai. “Eu entendi meu pai e que ele fez o que pode. Apesar de tudo, tinha amor”, ressaltou, após falar sobre a importância de não seguir necessariamente os caminhos dos pais. “O que nos salva é a possibilidade de amar o próximo. Ver esse novo ser, amar e a partir daí criar uma nova história”, apontou.

Geovanna voltou falando dessa evolução e espelho dos pais. “Eu tive pais incríveis. Meu pai sempre foi um amigão, nunca fez diferenciação por eu ser menina e eles meninos. Minha mãe também, quando eu vim pro Rio ela veio também. Minha mãe é realmente minha melhor amiga”, contou. Ela revelou que pretende usar os exemplos dos pais para a educação do próprio filho.

Julio Rocha prosseguiu elogiando os membros da mesa. “Eu queria valorizar todos que estão aqui nessa mesa, por terem essa sensibilidade tão aguçada e estou muito feliz por estar fazendo parte disso”, agradeceu. Ele seguiu falando sobre as cargas que carrega e relação à educação. “Eu quero que meus filhos nunca percam a essência deles. Que entendam a importância de amar e respeitar as pessoas. Entender qual é nosso lugar no mundo. Que cada minuto é precioso, cada pessoa é preciosa. Mas tenho muita segurança que vou passar isso pra eles”, contou. Ele falou que o maior receio que tem é em relação à violência e a relação com outras pessoas. “Me preocupo muito sobre como vai ser o encontro dos meus filhos com outras pessoas”, pontuou. “Minha única preocupação é saber conduzir meus filhos para realidades onde eles possam experienciar o amor, o respeito”, completou .

Humberto Baltar concordou com ele, falando que por mais que ensinem, não tem como preparar totalmente os filhos para o que vão ver no mundo, no caso apontado por ele, principalmente em relação ao racismo. “É importante não criar para a diversidade, mas pela diversidade. Em vez de falar para seu filho que pessoas pretas existem, estimule o convívio dele com crianças pretas, mostre animações com crianças pretas”, aconselhou.

Rízia seguiu falando sobre a necessidade de se ter um otimismo ao criar o filho. “O otimismo o tempo todo é impossível. Sou muito transparente nas redes sociais, contando meus surtos”, brincou ela. “Eu tento não transmitir meus medos e ansiedade pra ele. Mas é muito difícil, é uma guerra diária”, ressaltou. A influenciadora também contou sobre momentos que viveu durante a própria trajetória, relacionadas ao racismo. Geovanna concordou, falando sobre a dificuldade de quebrar essa visão de “mãe perfeita”.  Ela seguiu falando sobre o medo extremo que sentiu ao ser mãe “Primeiro eu não queria sair da maternidade, eu tinha medo de que qualquer coisa poderia acontecer com ele a qualquer momento”, confessou.

Humberto voltou a falar, contando sobre essa descoberta dos filhos de terem um pai com deficiência. “Para os guris eu era apenas o pai deles. Daí estávamos falando sobre pessoas com deficiência e eu usei o termo ‘nós’ e meu filho perguntou se eu era deficiente”, relembrou. Ele falou sobre a necessidade de outras família exporem aos filhos pessoas deficientes, para que essa relação seja mais natural.

Andressa Simonin finalizou a mesa lendo um parágrafo do prefácio que fez para o livro do Beto Bigatti. “É vida, dessa vez, com 7 mãos. A dele, da esposa, e dos filhos, todos unidos. É  família. E quem ama cria”, finalizou.

O tema do 10º Seminário: Quem Ama Cria

A Pais&Filhos acredita que não existe jeito certo ou errado na hora de criar e cuidar de um filho, mas sim o seu jeito. Por isso, antes de sair por aí procurando mil e uma dicas, saiba que não existe ninguém no mundo que conhece seu filho melhor do que você.

E mais do que isso, em 2020 e com a chegada da pandemia do novo coronavírus no mundo, a criação e cuidado com a família foram além. Esse novo momento trouxe para dentro de cada um de nós um jeito novo de criar vínculos. Palavras como felicidade, impulso, adaptação, abraço, carinho, vínculo, rede de apoio, saudade: tudo isso está na criação de um filho. Mas da onde vem esse ato de criar?

Esse instinto está na parentalidade. E ele não é exclusividade da mãe ou do pai, mas sim de quem cria. Então, na boa, vai na tua! Sem medo de viver, de confiar e de abraçar o que você acha melhor para seu filho.

Sobre o 10º Seminário Internacional Pais&Filhos:

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  • Aberto ao público online e gratuito
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Para ver mais detalhes, a programação completa e se inscrever nos sorteios, acesse o site do Seminário!