Dia dos Avós: a importância deles para seu filho e como não perder o contato durante a quarentena

Como estamos vivendo uma situação difícil e não podemos estar perto para dar muitos beijos e abraços apertados, daqueles que só avós são capazes de dar, a criatividade precisa entrar em cena para não deixar essa data passar em branco

O dia 26 de julho é mais do que especial: hoje comemoramos o Dia dos Avós! E dá para celebrar a data das mais diversas formas: relembrando uma receita, revendo fotos ou botando a conversa em dia. Como estamos vivendo uma situação difícil e não podemos estar perto para dar muitos beijos e abraços apertados, daqueles que só avós são capazes de dar, a criatividade precisa entrar em cena para não deixar essa data passar em branco.

-Publicidade-
(Foto: iStock)
A importância dos avós vai além do afeto. Quando a criança convive com os avós, pode ter algo que os pais não oferecem (Foto: iStock)

“A grande prova de amor que as crianças podem dar para os avós nesse momento de quarentena é ficar longe fisicamente e perto emocionalmente”, defende Vanessa Abdo, doutora em psicologia e CEO do Mamis na Madrugada, mãe de Laura e Rafael. Não está sendo e não será um período fácil, mas a especialista enxerga também como uma oportunidade de crescimento familiar.

“Tanto é importante a presença dos jovens na vida dos velhos como é importante a presença dos velhos na vida dos jovens. Os idosos por trazerem memória, costumes e o que de mais especial, único e exclusivo tem naquela família. Por outro lado, as crianças trazem a renovação da esperança, são a continuação da vida”, comenta. Por isso, cultivar essa relação é fundamental e, sim, possível mesmo em período de isolamento social. A tecnologia se torna nossa principal aliada nessa hora.

-Publicidade-

Alô, tudo bem?

Embora os aparelhos eletrônicos muitas vezes possam afastar quem está perto, ainda são muito importantes para aproximar quem está longe. Você pode gravar um vídeo do seu filho com uma mensagem para os avós ou até mesmo fazer um call ao vivo, para que ambos vejam que o outro está bem e bater papo. “Para as crianças com aula online, uma coisa que eu tenho feito muito em casa é recomendar pedir ajuda para os avós: ‘Ah, por que você não liga para o seu avô? Tenho certeza que ele vai poder te ajudar’, exemplifica. Dessa forma, Vanessa acredita que a criança percebe de forma real o quanto a sabedoria está relacionada à idade.

É possível fortalecer a relação entre avós e netos mesmo com a distância física (Foto: Getty Images)

Mesmo com a distância física, a pandemia está oferecendo uma chance de reconexão com o que realmente faz sentido para você e tem valor. A especialista explica que é comum os mais velhos reagirem com teimosia nesse período: “Eles têm mais resistência de ficar em casa, porque já viveram muitas histórias de superação e não acreditam que a ‘gripe’ irá pegá-los ou, pelo menos, não acreditam que depois de viver tanto seja isso que irá fazer um grande estrago”. Assim, ficam nesse conflito entre permanecer em casa sozinho e lidar com a própria frustração ou se arriscar em algo que nem acreditam ser tão real.

Novos aprendizados

Portanto, filhos (que hoje também são mães e pais) é a vez de trocar de papel e garantir que os idosos permaneçam em quarentena. E para tornar esse tempo menos complicado, aplique as dicas das ligações e chamadas de vídeo. A saudade vai bater, de ambos os lados, mas esses minutos diários vão dar um gás extra para continuar seguindo as recomendações de segurança. “Nós vivemos em uma época com muita valorização do novo e desqualificação do antigo. Esse momento que a gente vai enfrentar, de alguma forma, deixará claro o quanto é importante a presença dos velhos na nossa família”, acrescenta. Daqui a pouco a doença passa e esses ensinamentos permanecem.

Muito além do carinho

A importância dos avós vai além do afeto. Quando a criança convive com os avós, pode ter algo que os pais não oferecem: a experiência de alguém que já passou por todas as fases da maternidade. Por terem mais disponibilidade e conhecimento, eles passam para as crianças muito mais experiências de vida do que os pais no dia a dia, e mantêm as lembranças da família ativas. “Com o tempo, as memórias de uma família vão se perdendo. Antigamente contava-se muito as informações familiares, e hoje essa é uma função dos avós. Eles fortalecem as histórias da família, contando sobre a infância dos pais da criança e como era no passado”, explica a neuropsicopedagoga Débora Corigliano, mãe de Bruno e Giovanna.

O avô ou avó bem equilibrado ajuda o pai e a mãe a ouvir e traduzir o que a criança quer dizer (Foto: Shutterstock)

E mimar faz parte, sim! “Às vezes os pais são tão autoritários ou somente não têm tempo de dar carinho, que as crianças precisam desse colo dos avós”, defende Débora.Para a especialista, o papel dos avós é complementar de forma muito acolhedora e afetiva a função dos pais, apesar de não serem protagonistas na educação dos netos. “Alguns pais se queixam que os avós estragam os netos com seus mimos, pois a responsabilidade da educação é somente deles. Mas os avós acabam apenas complementando a educação, e essa dose de harmonia e comprometimento é importante também para o desenvolvimento emocional da criança”.

O avô ou avó bem equilibrado ajuda o pai e a mãe a ouvir e traduzir o que a criança quer dizer. Com bom senso e equilíbrio, essa fase e a relação avós/netos pode ser ótima. O vínculo é bem sucedido quando há um diálogo familiar. É preciso fazer alguns combinados para que exista uma mesma fala com a criança. O que não é permitido na casa dos pais também não deve ser permitido na casa dos avós”, explica Débora. E esse diálogo é ótimo para o seu filho — ele aprende o que é sim e o que não, a fazer a escolhas e ganha segurança.

E qual o papel dos pais nessa história toda? Fazer valer a presença dos avós no convívio familiar. “As crianças precisam de tempo com os avós e cabe aos pais promover eventos que juntem a família toda. Isso precisa ser resgatado o quanto antes”, defende Débora.