ECMO no tratamento da covid-19: saiba quando terapia usada em Paulo Gustavo é necessária

O termo começou a ser mais falado nos últimos dias, porque o ator e comediante Paulo Gustavo está passando por esse tratamento durante a intubação

Resumo da Notícia

  • Paulo Gustavo foi internado com covid-19 no dia 13 de março
  • Os médicos precisaram recorrer ao ECMO, a Oxigenação por Membrana Extracorpórea
  • Alguns pacientes ficam os pulmões comprometidos e os médicos usam um pulmão artificial para ajudar na circulação do oxigênio

O ator e comediante Paulo Gustavo foi internado no dia 13 de março, após complicações devido à covid-19. Durante o tratamento ele apresentou uma piora significativa que fez com que ele precisasse ser intubado e passar uma terapia chamada ECMO, sigla para Oxigenação por Membrana Extracorpórea. Isto é, a oxigenação do paciente vai ser realizada por uma membrana que está fora do corpo.

-Publicidade-

Alguns pacientes apresentam “falhas” nos pulmões e eles se tornam incapazes de absorver o oxigênio, então é necessário que ele seja “substituído” . Nesse momento, entra o ECMO, já que o equipamento funciona como o órgão que está debilitado e oxigena o sangue fora do corpo.

Rafaella Gato é cardiologista pediátrica e diretora do programa de ECMO do departamento de cardiologia do Sabará Hospital Infantil em São Paulo e falou em entrevista ao G1: “Na maioria dos casos de Covid, o dano está no pulmão. Vemos uma dificuldade de oxigenação, o pulmão está muito lesado, muito afetado. O órgão não consegue trocar com a ventilação tradicional e a ECMO entra para ajudar na oxigenação e suporte para o paciente devolvendo o sangue oxigenado artificialmente”.

É por isso que, quando o paciente está na máquina ele precisa estar sedado. “O pulmão passa a ser a membrana. Controlamos o gás carbônico e o oxigênio por essa membrana. Deixamos o pulmão parado para desinflamar”, explica Fábio Rodrgiues que é fisioterapeuta cardiorrespiratório e de Terapia Intensiva.

Diferenças do ventilador mecânico

O ventilador dá o oxigênio promove as trocas gasosas e dá pressão para o pulmão continuar aberto, mas ele não substitui o órgão. Ele ajuda e favorece a fisioterapia e a recuperação do pulmão. Entretanto, esse suporte tem um limite.

Terapia existe desde 2009

De acordo com Rafaella, a terapia com ECMO foi muito utilizada em 2009 durante o surto de H1N1. “ivemos um pico de assistência em ECMO em 2009, quando a terapia voltou a ser falada e consolidada. E agora, com Covid, de novo. Estamos fazendo estudo coletivo dos centros que trabalham com ECMO no Brasil e estamos vendo boas histórias e boas taxas de sobrevida.”, ela explica. Além disso, ela pode ser de dois tipos.

  • Veno-venosa (VV): que é utilizada em pacientes com insuficiência respiratória. O sangue vai ser retirado de uma veia central e passar pela membrana extracorpórea, onde a troca gasosa acontece e vai retornar para a veia central. É essa a terapia que está sendo usada nos casos de covid-19 e no ator Paulo Gustavo.
  • Veno-arterial (VA): ela é usada em pacientes que apresentam insuficiência cardíaca. Nesse caso, ela fornece suporte tanto respiratório, quanto circulatório. O sangue retorna para o sistema arterial e oferece suporte hemodinâmico e  de ventilação.

O equipamento pode ser usado em recém-nascidos e nos idosos, ou seja, ele não tem uma restrição de idade. E está disponível tanto na rede pública quanto na privada. Mas, é preciso se atentar as contraindicações deles que são:

  • Quando o paciente apresenta falência múltipla de órgãos
  • Em pessoas que apresentam doenças pulmonares ou cardiovasculares que são irreversíveis
  •  Pacientes que já passara muito tempo recebendo auxílio dos ventiladores mecânicos e já apresentam danos nos pulmões
  • Pessoas que tenham coagulopatia grave e/ou hemorragia. Ou apresentem qualquer outra anomalia congênita