Estudo mostra que 97% dos brasileiros acreditam na importância de vacinar os filhos

Pesquisa analisou 140 países e Brasil tem o maior índice de aprovação

97% dos brasileiros apoiam a vacinação infantil (Foto: Getty Images)

Uma pesquisa divulgada na última quarta-feira (19 de Junho),  pela Wellcome Global Monitor, analisou 140 países e mostra que 97% dos brasileiros, apesar do avanço da desconfiança em relação às vacinas, acreditam na importância da imunização durante a infância. Essa é a primeira pesquisa global que investiga o tema. No Brasil, os participantes foram ouvidos entre 19 de julho e 22 de agosto do ano passado. A margem de erro da pesquisa é de 3,6 pontos percentuais, de acordo com a BBC.

Entre as mil pessoas entrevistadas, 97% afirmaram “concordar fortemente” ou “concordar” com a importância de que as crianças sejam vacinadas. A proporção é maior que a média global (92%) e que os índices observados em vizinhos como o Chile (89%), Uruguai (94%) e Peru (95%). Um percentual bem inferior, de 80%, declarou acreditar que as vacinas como um todo são seguras — mesmo assim, a proporção ainda é superior à média global (79%)

Quando perguntados sobre as impressões a respeito da eficácia das vacinas, 81% dos brasileiros afirmaram “concordar fortemente” ou “concordar” com a afirmação de que elas funcionariam, um percentual inferior ao da média global, 84%. A proporção é menor que a de países como , Argentina (89%), México (91%) e Venezuela (94%), mas está à frente da registrada no Peru (70%) e no Uruguai (75%).

Apesar das evidências científicas de que as vacinas ainda são um meio seguro e efetivo para prevenção de uma série de doenças, há grupos que questionam a segurança dos programas de imunização e decidem não vacinar os filhos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) colocou a chamada “hesitação vacinal” entre as dez maiores ameaças à saúde global.

Desconfiança

Moradores de regiões com renda média elevada estão entre aqueles, de acordo com os dados da pesquisa, que menos confiam na segurança das vacinas. Na França, um em cada três discorda que as vacinas seriam seguras. Esse é o percentual mais alto registrado na pesquisa. Os franceses estão também entre os que mais discordaram que as vacinas seriam efetivas (19%) e que a imunização seria importante para as crianças (10%). Não é por acaso que, o governo francês acrescentou recentemente outras oito vacinas às três que já eram obrigatórias na infância.

Também em resposta à queda na taxa de imunização, a Itália recentemente aprovou uma lei que permite que as escolas barrem crianças não vacinadas ou multem os pais. O Reino Unido ainda não tomou medidas concretas contra os “antivacina”, mas o Secretário de Saúde, Matt Hancock, disse recentemente que “não descarta” a ideia da vacinação compulsória, se for necessário. Os Estados Unidos também têm registrado surtos de sarampo, o maior registrado em décadas no país, com 980 casos confirmados em 26 Estados apenas em 2019.

O que gera desconfiança?

Na pesquisa, aqueles que apresentavam maior confiança em cientistas, médicos e enfermeiras tenderam a concordar com as afirmações sobre segurança e efetividade das vacinas. Por outro lado, aqueles que buscaram recentemente informações sobre ciência, medicina ou saúde tiveram uma tendência menor a concordar com as afirmações.

O relatório do Wellcome Monitor analisa que a baixa confiança nas vacinas se dá por uma conjunção de fatores que vai além da hesitação vacinal. Um deles pode ser complacência, se uma doença fica menos recorrente, a necessidade de vacinar parece menor. Todos os medicamentos podem apresentar efeitos colaterais, incluindo as vacinas. No entanto, elas são precisamente testadas para garantir a segurança e a prevenção da doença.

Hoje, a rápida velocidade da internet abre espaço para o compartilhamento de crenças e preocupações sobre a imunização que não são sempre baseadas em fatos concretos e verdadeiros, as chamadas fake-news.

No Japão, especialistas acreditam que a redução da confiança nos programas de imunização pode ter relação com uma suposta ligação entre a vacina contra o HPV e problemas neurológicos, um tema muito discutido pela população. Já na França, há uma controvérsia em relação à vacina contra a gripe, acusações de que o governo comprou grandes quantidades de doses, fabricadas de última hora e não foram tiveram o devido cuidado. No Reino Unido, também tem polêmica, a vacina tríplice viral e sua suposta ligação com o autismo ainda causa polêmica, mesmo depois de esclarecido pela comunidade médica de que a ligação não tinha fundamento.

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