Mulher perde a mãe para coronavírus e relata trauma: “Não contei à minha avó que a filha dela morreu”

Amanda Lima de Castro fez um desabafo de partir o coração ao contar sobre como a família passou pela pandemia de covid-19 e lamentou o óbito de Regina

Resumo da Notícia

  • A mãe, a vó e a tia ficaram internadas na mesma UTI
  • Amanda ainda não deu a notícia para a avó sobre o falecimento da mãe
  • A jovem fez um relato sobre o desespero da família
  • Ela lembrou quando viu a mãe pela última vez
A jovem perdeu a mãe para a doença e a avó e a tia estão internadas (Foto: Getty Images)

Amanda Lima de Castro, de 29 anos, define a pandemia de coronavírus como “um misto de tristeza, raiva e desespero”. Ela se referiu à abertura do comércio local, que aconteceu na segunda-feira, 20 de abril, em Londrina, no Paraná, que foi ilustrado por cenas de aglomeração.

Até o último sábado, 25 de abril, a cidade tinha 96 casos de covid-19 e 13 mortes pela doença. O sétimo óbito foi a da mãe de Amanda, Regina Aparecida de Lima, de 56 anos. Dos casos confirmados, dois são da família dela: a avó, de 83 anos, e a tia, de 63, que estão internadas na mesma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde a mãe ficou por 17 dias intubada.

As quatro mulheres moravam juntas, onde também Ragnar, de apenas 11 meses, filho de Amanda, passou a viver. Nem ele, nem a avó da jovem, que deixou a UTI no último domingo, 26 de abril, sabem que Regina morreu. Na semana passada, em meio ao pesar do luto, ela teve pelo menos duas bos notícias: a de que a tia teve alta, e a de que a avó ficará apenas com oxigênio e sonda. “As três ficaram na mesma UTI. Estou sem chão com tudo isso até agora”, desabafou ao Uol.

No dia 21 de março, Amanda e Regina começaram a ter os primeiros sintomas da doença: coriza, dor no corpo e dor de cabeça. “Chegamos a pensar que fosse dengue, porque há uma epidemia da doença em Londrina”, contou.  A jovem sempre morou com a mãe e agora, depois do nascimento do filho, ela também ajudava a cuidar do bebê.

O teste positivo para coronavírus só foi confirmado três dias antes do óbito (Foto: Getty Images)

“Tinha dias em que eu ficava muito ruim com esse mal-estar, noutros dias, era ela, e a gente ia se revezando nos cuidados. As dores no corpo passaram. Mas um dia ela teve febre alta, 38ºC, e passou a perder o apetite —não queria comer, ficou bem prostrada, apática, mas em nenhum momento reclamou de falta de ar“, desabafou.

No dia 2 de abril, a tia e a avó de Amanda começaram a ficar debilitadas por causa do vírus. Quando levou a mãe ao hospital, não imaginava que aquela seria a última vez que a veria em casa. “Ela foi intubada na manhã seguinte, sábado. Acordei nesse dia com o médico me ligando para dizer que, ‘olha, sua mãe teve uma piora do quadro: passou a noite muito cansada e com muita dificuldade de respirar, com saturação baixa, a gente teve que intubá-la…'”, contou.

Com o desespero, disse que não imaginava que nunca mais fosse ver Regina. “Me apeguei na minha fé em Deus, fiz minha oração e, mesmo ouvindo que o estado dela era gravíssimo, pensei: ‘Minha mãe vai sair disso’. Foram 17 dias de tubo. Ela faleceu no domingo passado, dia 19 de abril. Uns dias antes, na quarta-feira, 15 de abril, o teste para covid tinha dado positivo”.

Amanda lamentou ainda que a avó ainda não sabe sobre a morte da filha, porque seria muito difícil. “Não sabemos nem por onde começar… Estamos tentando alguma orientação de psicóloga do hospital para saber como dar essa notícia e qual o melhor momento. Ela pergunta da filha, pergunta de mim e do meu filho, mas o que eu posso fazer agora é conversar com ela em vídeo, por telefone, ao lado do meu filho —minha tia voltou ao hospital para cuidar dela. Vai ser difícil, mas, agora, só preciso que ela volte para casa”, concluiu.