Família

“Adulto é invasivo demais! A gente acha que sabe tudo…”, afirma Mônica Figueiredo

Diretamente de Portugal, Mônica Figueiredo falou sobre como os adultos podem ser invasivos com as crianças

Isabella Zacharias

Isabella Zacharias ,Filha de Aldenisa e Carlos

(Foto: iStock)

Mônica Figueiredo é mãe de Antonia. Agora, diretamente de Portugal, ela continua falando sobre suas reflexões na maternidade. Vem conferir o que ela disse sobre as soluções que os filhos encontram para a vida:

“Nós, adultos, temos a pretensão e a mania de achar que sabemos de tudo, quando, na realidade, estamos interrompendo nossos filhos. Pensa nisso!

Na nossa missão de educar os filhos, sempre achamos que estamos fazendo o melhor. Né? Hã hã. Desculpa aí qualquer coisa, mas a real é que só tenho uma certeza: erramos muito mais do que acertamos. Nossa sorte, o que nos salva, é que as crianças são fortes, resistentes! Resistem a nós e nos amam assim mesmo. Esse é o milagre. Essa é a bênção!

Mônica é mãe da Antônia (Foto: Pais&Filhos)

Ontem a Veridiana, filha da minha amiga Lica, fez 15 anos. Chamou a turma de amigos para irem em casa tomar sol, piscina, farrear. Nada demais.

Falei isso mesmo? Nada demais? Kkkk. Quando junta um bando de adolescente na explosão de energia, tudo é sempre pouco, óbvio. Mas não é deles que quero falar. Fui para lá ficar com meu afilhado. Foquei nele. Um ano de idade, amarradão na irmã e nos amigos, mas é um bebê, né? Não dá para largar lá com a galerinha. Fiquei com ele brincando na sala de brinquedos. E aí que, na calma, só a gente, vendo ele brincar, super na dele, minha cabeça viajou muito. Cara, como os bebês são espertos!

E como a gente fica interrompendo eles o tempo inteiro, pensa nisso. Como a gente atrapalha! Adulto é invasivo demais. A gente acha que “sabe” tudo. Afe, que pretensão… Como ontem eu estava de bobeira, só observando, consegui enxergar. Que sorte a minha! A velha diferença entre olhar e ver.

A porta para o jardim estava aberta. Ele podia ir e voltar à vontade. Uma hora, meio sem querer, ele bloqueou a tal porta com um carrinho grandão, tipo um andador. O “certo” seria eu rapidamente levantar e desbloquear a porta, né? Tipo impulso: resolver o problema. Partir para outra. Atropelar! Mas percebi que ele estava de boa. Então esperei.

Ele ficou lá, de pé, analisando a situação. Fez várias simulações, traçou  uma tática. Tentativa e erro. Foi virando o carro maior que ele e, depois de uns 15 minutos, conseguiu! Ele ficou tão feliz que começou a bater palmas para ele mesmo. Fiquei tão comovida…

Mas, mais que isso: aprendi uma lição. A gente não deixa essas crianças em paz. A gente não está dando espaço para que elas criem as soluções delas, que podem ser ( fatalmente serão) muito diferentes das nossas. E TUDO BEM! Isso que é rico. Que é a maravilha das maravilhas. E aí lembrei de Antonia, com uns cinco anos, no avião, lendo, fazendo as coisas dela, e eu lá, chata, puxando assunto, até que com toda a paciência do mundo ela me disse: “Mãe, deixa eu pensar”. Pois é.”

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