Saúde

A amamentação interfere no risco de ter câncer de mama? Desvendamos mitos e verdades sobre a doença

Novo levantamento do Ibope mostra que ainda há muita desinformação e dúvidas sobre o câncer de mama no país

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

77% das mulheres confiam mais no autoexame, apesar de não ser o método mais preciso para identificar a doença (Foto: Getty Images)

Outubro é o mês da conscientização do câncer de mama. Apesar de o Brasil já participar do movimento desde 2002, há muita desinformação sobre as causas e o diagnóstico precoce da doença. 

Encomendado pelo Coletivo Pink, do laboratório Pfizer, o levantamento “Câncer de mama hoje: como o Brasil enxerga a paciente e sua doença?” foi conduzido pelo Ibope Inteligência. Durante a pesquisa, foram entrevistadas 1 040 mulheres e 960 homens da cidade de São Paulo e das regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Curitiba através de uma plataforma online.

A pesquisa indica que 79% dos homens e 77% das mulheres confiam mais no autoexame (o toque feito pela própria mulher), apesar de não ser o método mais preciso para identificar a doença, por exemplo.  Na maioria dos casos, o tumor palpável já está em estágio avançado.

Além disso, as dúvidas que acercam a maternidade e o câncer de mama também são muitas. A amamentação interfere no risco de ter câncer de mama? Quem nunca teve filhos corre mais risco de ter câncer de mama? A consultora técnica da pesquisa, Marina Sahade, oncologista clínica do Hospital Sírio-Libanês, respondeu algumas das dúvidas levantadas durante a pesquisa para desmistificar as questões maternas relacionadas à doença. 

A mulher que teve câncer de mama pode amamentar após o tratamento, mas na maioria dos casos apenas produz leite com a mama não operada (Foto: Getty Images)

Amamentar ou não amamentar os filhos não interfere no risco de ter câncer de mama?

A mãe que amamenta tem sim menor risco de desenvolver câncer de mama e essa proteção é ainda maior se ela amamentar além dos 6 meses. Apesar disso, pesquisa recente do Ibope com a população brasileira mostrou que 54% dos entrevistados ainda desconhece este benefício e desconhece o fator protetor da amamentação para a mulher. 

 Uma mulher que teve câncer de mama tem condições de amamentar depois?

A mulher que teve câncer de mama pode sim amamentar após o tratamento, mas na maioria dos casos apenas produz leite com a mama não operada, ou seja, aquela na qual não teve o câncer. Alguns tratamentos para o câncer, como a quimioterapia, podem reduzir as chances de fertilidade no futuro. Por este motivo recomendamos que mulheres jovens façam congelamento de óvulos ou embriões antes do início da quimioterapia, para aumentar as chances de sucesso de gestação após o tratamento. Aquelas pacientes que fazem tratamentos de hormonioterapia preventiva após o câncer (com drogas como o Tamoxifeno, por exemplo), precisam interromper seu uso antes de engravidar, e só podem reiniciar o tratamento após pararem de amamentar. Neste período, as pacientes devem manter acompanhamento conjunto com o oncologista e mastologista. 

Mulheres que demoraram para entrar na menopausa (depois dos 55 anos) correm mais risco de desenvolver câncer de mama?

Sim, as mulheres que são expostas a uma quantidade maior de ciclos menstruais ao longo da vida, como aquelas que entram na menopausa mais tarde ou têm a primeira menstruação muito cedo, têm um risco aumentado para câncer de mama. Da mesma forma, aquelas mulheres que não engravidam ou que não amamentam também estão expostas a um risco maior. Na pesquisa com a população observamos que 87% dos entrevistados desconhecem a relação da idade da menopausa com o risco de câncer de mama, e 91% têm dúvidas quanto à relação da doença com a idade da primeira menstruação.

Só desenvolve câncer de mama quem já teve algum caso da doença na família?  

Não, o câncer de mama pode aparecer em quem não tem nenhum caso na família. Sabemos que pessoas com familiares que tiveram câncer, sobretudo se parentes de primeiro grau e que tiveram a doença em idade mais jovem, antes dos 50 anos, têm de fato um risco maior de desenvolver a doença, entretanto esta associação é responsável por apenas 10% dos casos de câncer de mama. Apesar disso, 71% dos entrevistados acreditam que a herança genética seja o principal fator de risco para o câncer de mama. Sabemos que outros fatores de risco, tais como a obesidade, o sedentarismo, o consumo de álcool e alimentos industrializados, bem como outros fatores relacionados à vida moderna da mulher, como não ter filhos ou não amamentar, também são importantes para contribuir com o aumento dos casos de câncer de mama na população.

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