As perdas na maternidade em relatos astrológicos

Elaborar lutos faz parte da nossa vida, já que é um processo inevitável do ciclo vital. Pode ser incrivelmente desafiador quando ele acontece fora da ordem da hierarquia, quando um pai ou uma mãe perdem um filho por exemplo

“Fiz um aborto quando era muito jovem. Depois, com meu marido tive três perdas gestacionais. Acreditei por muito tempo que seria um castigo pelo que fiz no passado. Precisei me trabalhar muito para tirar essa culpa e só depois, quando isso parecia mais natural para mim, é que aconteceu. Engravidei e dei à luz ao filho hoje com 5 anos.”

É necessário respeitar e viver o luto (Foto: Getty Images)

Já tive muitas histórias assim em atendimentos sistêmicos. Nesse depoimento, nesse Mapa Natal, ela tem Plutão na Casa 4. A casa 4 é a área da maternidade, da família. E aqui indica lutos não trabalhados dentro da família e ancestralidade, perdas não vistas com relação ao feminino e uma dor profunda que precisaria ser elaborada, integrada e acolhida.

Nas Leis Sistêmicas, abortos ou perdas naturais entram no mesmo lugar. Não importa se houve uma escolha consciente ou não. Foram perdas que precisariam ser vistas, choradas, e incluídas.

Pertencer é antes de tudo um sentimento natural, uma necessidade de qualquer ser humano. Quando ocorre uma exclusão acontece um desequilíbrio. As exclusões não precisam ser apenas de pessoas, mas também de situações, escolhas, decisões, emoções e sentimentos. Podemos encontrar emaranhamentos causados por exclusões nas relações afetivas, nas relações profissionais, financeiras, etc.

Em todos os casos em que há exclusão no sistema alguém poderá representar o que foi excluído de alguma forma, manifestando algum tipo de sintoma ou comportamento ou em forma de bloqueio e travas em alguma área da vida. Repetindo aquela mesma dor que não foi vista anteriormente. E isso acontece com a finalidade de reparar uma falta e assim, restabelecer o equilíbrio sistêmico. Temos o condicionamento e impulso inconscientes de querer excluir tudo aquilo que lamentamos ou julgamos.

Absorver esta compreensão pelo nosso coração se torna libertador, pois paramos de lutar contra tudo aquilo que nos dá a oportunidade de verdadeiramente sermos o que já somos – luz e ter o entendimento de que não há certo ou errado, apenas movimento.

Na Astrologia Sistêmica, Plutão é o poderoso astro que indica onde iremos absorver lutos do nosso sistema familiar que precisamos olhar, vivenciar e elaborar. O significado dele em nosso Mapa de Nascimento é ligado a transformação. Ele tem relação com perdas e transformações dolorosas que criaram um “vazio” jamais preenchido no nosso sistema familiar, como abortos e mortes não aceitas, lutos não resolvidos, fazendo com que nas gerações depois ocorra dificuldade dos descendentes de permanecerem na vida de forma saudável e sem culpa ou comportamentos autodestrutivos.

Muitas vezes excluímos os LUTOS. Pela dor, por ser tão difícil integrar aquela perda. Elaborar lutos faz parte da nossa vida, já que é um processo inevitável do ciclo vital. Pode ser incrivelmente desafiador quando ele acontece fora da ordem da hierarquia, quando um pai ou uma mãe perdem um filho por exemplo.

O luto é um movimento, uma mudança na relação interna conosco, com o mundo e com os outros. É importante perceber que não os “atravessamos” porque nada volta ao normal após uma perda. Apenas os “elaboramos”, ou seja, integramos aquele pesar e nos modificamos numa nova realidade.

Uma das formas de incluir e elaborar perdas na maternidade é ter um olhar amoroso de que “foi assim que aconteceu”, a aceitação e gratidão pela experiência vivida. Chegar nesse estágio é desafiador mas muito transformador. Deixo aqui o link da reportagem do casal que fez essa inclusão, que atravessou perdas e incluiu seus bebês que não nasceram.

Fica a reflexão:  Como você lida com suas dores? Seus filhos seguirão seus exemplos. Que tal, olhar com compaixão e amorosidade para sua trajetória?