Família

Mãe larga tudo para ficar com os filhos: “Posso crescer e me expandir”

Atualmente ela tem seu próprio negócio

Nathália Martins

Nathália Martins ,Filha de Sueli e Josias

(Foto: Arquivo Pessoal)

(Foto: Arquivo Pessoal)

Como sempre, nossa colunista Kuki Bailly compartilha histórias de transformação e empreendedorismo do grupo Rededots, idealizado por ela. Dessa vez a escolhida  foi Raquel Dieguez,  jornalista que largou tudo depois do segundo filho e de ser diagnosticada com esclerose múltipla. Ela foi morar no interior e, sem pretensão, virou dona da Imã Poesia, loja online de palavras magnéticas. Conheça essa família:

Como tantas mulheres, deixei de trabalhar fora para ficar com meus filhos. Eu até tentei. Depois do meu segundo filho, cheguei a trabalhar alguns meses voltando da licença-maternidade, mas não aguentei. Eu estava em pedaços. Meu primeiro filho, Samuel, com uma séria alergia alimentar (a leite e ovos) necessitava de cuidados especiais. Minha segunda gestação não foi fácil. Aos 7 meses, começaram contrações fortes e precisei ficar de repouso. Só que não, já era mãe.

O Mateus nasceu e, com ele, o choro contínuo que me enlouquecia. Levamos em alopata, homeopata, benzedeira, até no João de Deus o levei, e o choro continuava. O choro foi especialmente difícil. Achava que ele não gostava de mim.  Depois percebi que aquela era a maneira dele se expressar.

Eu, que havia sido diagnosticada com esclerose múltipla anos antes e estava múltiplas vezes abatida com tudo, estava em pedaços. Já bem magra, me arrumava para trabalhar, mas  por dentro estava perdida. Então resolvi com Osvaldo, meu marido, que pararia. Fiquei em casa com meus filhos e juntando meus cacos.

A alergia do Samuel não melhorou e voltamos para São Carlos, nossa cidade de origem. Lá poderíamos morar no sítio da família, reconectar. Nesse processo, a editora 7Letras aceitou publicar meus poemas. Excelente oportunidade para o meu renascimento profissional.

Comecei a fazer ímãs de geladeira com imagens e dizeres. E foi aí, em maio de 2016, com meus ímãs feitos à mão, em mãos, que pensei em fazer palavras magnéticas em português: Imã Poesia. Fiquei alucinada ao perceber que não havia no Brasil algo parecido com o que me encantou nos EUA.

Me joguei e fiz tudo sozinha: abri a firma, registrei o nome, visitei fabricantes. Fiz o logo e as embalagens. O primeiro kit levou o vocabulário do meu livro: Evidente é o Arrepio. Consegui colocá-los à venda numa livraria do Rio de Janeiro e no Facebook alcancei mais de 50 mil seguidores, comecei a vender online.

Foi apenas esse ano, depois de sete anos, que fiz uma viagem internacional e fiquei mais de duas noites longe deles. Assim, cortando esse cordão umbilical, percebi que à medida que eles crescem, eu também posso crescer e me expandir.

Lancei o segundo kit recentemente, o Kids. Tornar esse lindo projeto de sucesso em um sólido negócio é meu objetivo. Inaugurei minha loja online no marketplace da Rededots e, agora, a poesia pode chegar a todas as pessoas.

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