Usar ou não máscaras para prevenir coronavírus: especialistas recomendam versões de pano feitas em casa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que apenas profissionais da saúde e pessoas com sintomas devem usar esse equipamento, mas especialistas estão estudando a possibilidade de toda a população adotar

Resumo da Notícia

  • A Organização Mundial da Saúde diz que apenas alguns grupos de pessoas devem utilizar a máscara
  • Nos últimos dias, vários países questionaram essa recomendação oficial, uma vez que 78% dos pacientes com coronavírus são assintomáticos
  • Os países que adotaram o uso de máscaras para toda a população tiveram bom resultado no controle da doença
A Organização Mundial da Saúde mantem a recomendação (Foto: Getty Images)

É um consenso entre os especialistas que as máscaras são uma forma eficiente de evitar a transmissão e, assim, disseminação do coronavírus. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, as únicas pessoas que devem usar esse tipo de equipamento são indivíduos com sintomas respiratórios (como tosse ou dificuldade de respirar – estejam ou não confirmados com a doença), profissionais de saúde e pessoas que cuidam de pacientes com sintomas respiratórios. O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) seguem as diretrizes da OMS. 

Mesmo com essa recomendação oficial, nos últimos dias, vários profissionais ao redor do mundo começaram a questionar a necessidade de uso de máscara por toda a população, mesmo quem não apresenta qualquer sintoma, como forma de prevenção. A justificativa veio do fato de cerca de 80% das pessoas contaminadas não apresentarem nenhum sinal. O grande problema, de acordo com os médicos, está na escassez desses produtos. Ou seja, caso toda a população utilizasse, poderia faltar para quem mais precisa e está na “linha de frente do combate”. Outro ponto levantado é a falsa sensação de proteção que ela traz, que pode fazer com que a população deixe de seguir outras recomendações, como isolamento social

Para solucionar o primeiro ponto, o médico e comunicador, Dr. Fernando Gomes, neurocientista e neurocirurgião livre docente do Hospital das Clínicas de SP, sugere fazer uma máscara de tecido em casa. “As máscaras cirúrgicas ou N95 são as indicadas para a não transmissão segura do vírus, mas essas são destinadas apenas aos contaminados e aos profissionais de saúde. O importante do uso de máscaras caseiras é para a proteção do outro, visto que muitas pessoas podem estar assintomáticas e assim, transmitirem a doença através de espirro, tosse ou gotículas de saliva mesmo sem diagnóstico”, afirma. Para solucionar o segundo, basta ver a eficácia de países que adotaram a medida o quanto antes em comparação com os demais.  

 

Como fazer uma máscara caseira? 

De acordo com o especialista, “as máscaras devem ser feitas com um tecido filtrante, como o TNT, e em três camadas: externa, intermediária filtrante e interna. Elas também devem ter o suporte de ferro na parte superior onde encosta no nariz, para garantir que a máscara fique bem presa ao rosto e assim evite a saída de ar. Na falta desses tecidos, podem ser utilizados a base de algodão, que também tem capacidade filtrante, mas qualquer uma delas precisam ser lavadas com água e sabão ou água sanitária toda a vez que forem usadas e, depois de secarem, devem ser passadas com ferro quente”. 

Nesta quarta-feira (01), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, contou que o Ministério da Saúde também irá publicar um manual para ensinar as pessoas a fazerem as próprias máscaras de pano reutilizáveis. O grande objetivo da iniciativa é suprir a alta demanda dos últimos tempos, uma vez que a indústria não está sendo capaz de fazer sozinha. Assim, as “profissionais” ficariam com quem é da área da saúde e o restante fabricaria a própria. O documento ainda não foi divulgado, mas pretende apontar os tecidos adequados para serem utilizados e a forma correta de higienizar

O próprio ministro adiantou: “Lave com hipoclorito [de sódio], água sanitária, cândida, o nome que você conhece. A gente vai colocar tipo uma coisa bem simples: lave por 20 minutos, seque, tenha quatro ou cinco, de uso pessoal, sua, de mais ninguém, você mesmo lava quando chega em casa, reaproveite”. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também alertou a necessidade de lavar as mãos com água e sabão ou álcool 70% antes e após vestir as máscaras. A recomendação também é não tocar ou retirar o equipamento na hora de falar. O uso incorreto pode fazer o material perder a eficácia.

Na quinta-feira (02), o ministro voltou a comentar o assunto durante uma coletiva: “Não tem muita regra máscara de pano ou comum. Não precisa ir para especificações técnicas. Nos ambientes de saúde, usamos o TNT por ser grosso. Mas se a gente usar o tecido que for para si próprio, sem compartilhar e lavar com sabão e produtos de limpeza também irá matar tudo. Faça a sua, tenha a sua, é a coisa mais simples. Tudo bem querer aquela parruda, mas isso fará falta para quem está dentro do hospital, na UTI”.

 

Como as máscaras estão sendo utilizadas no mundo?

Vários países já estão adotando a prática de uso de máscaras para toda a população, principalmente, os asiáticos. De acordo com os especialistas, esse hábito cultural de países como China e Japão justificam o sucesso para controlar a quantidade de casos nesses locais. Os Estados Unidos já informou que está estudando a possibilidade de exigir o uso para todos os norte-americanos, uma vez que o número de casos no país continuam crescendo exponencialmente e a técnica apresentou bons resultados em outras localidades.

 

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