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Cris Guerra desabafa: “O mercado de trabalho não aprendeu a ser mãe”

Quando uma mulher se torna mãe, ganha novos olhares do mundo - que nem sempre são tão otimistas

Cris Guerra é mãe do Francisco (Foto: Gustavo Morita)

Ser mãe muda tudo. O aprendizado começa na pele, desde o exame positivo de gravidez, quando a mulher passa a cuidar de uma saúde que não é mais só sua. São meses colocando na balança cada passo, cada escolha, cada pequena vontade.

O filho nasce e, ao carregar nos braços um peso que aumenta a cada dia, a mãe treina halterofilismo. Seu currículo cresce junto com o filho, ganhando habilidades nunca sonhadas. Gestão de pessoas. Gestão de compras. Gestão do tempo. Logística. Malabarismo. Contorcionismo. Psicologia. Nutrição. Enfermagem. Coach de carreiras.

Mãe é uma palavra plural. Pra começar, é uma criatura de dois corações (um deles bate fora do corpo). A maternidade é o esporte mais radical de todos – a prova nunca termina.

Aventureira, a mãe aprende a viver com frio na barriga – o espetáculo não pode parar. Mas parece que o mundo não enxerga assim. Mães são alvos de preconceitos e interpretações equivocadas. Perdem contratos antes mesmo de o bebê nascer. Deixam de conquistar postos de trabalho só pela possibilidade de engravidar.

Eu mesma fui coagida a voltar ao trabalho antes do fim da minha licença-maternidade, sob a alegação de que poderia perder meu cargo para um colega do sexo masculino.

O mercado de trabalho não aprendeu a ser mãe. Por isso vive abortando profissionais competentes, produtivas e com alto potencial criativo. A cada porta que fecha, mais e melhores negócios nascem destemidos – fora do padrão, inovadores e afetivos, qualidade que escola alguma é capaz de ensinar. É algo visceral, que só se aprende tendo corpo e alma absolutamente transformados de dentro para fora.

Filhos costumam parir grandes empreendedoras. Lia Castro e Carmem Madrilis são exemplos disso. Além dos filhos, elas pariram um projeto de apoio ao empreendedorismo materno, o Grupo M.Ã.E., que adota como filhas muitas outras mães fazedoras do possível e do impossível.

Agora, nasce um novo fruto dessa maternidade criativa: o livro “Mãe: a profissão capaz de mudar o mundo”, pela Editora Much. Compartilhando histórias pessoais, Lia e Carmem mostram que não é obrigatório escolher entre a maternidade e a carreira. E que, num coração de mãe, tudo se mistura numa alquimia surpreendente, fazendo nascer muitas outras forças que ninguém é capaz de deter.

Uma mulher que se torna mãe não exerce a maternidade apenas junto a seu filho. Ela se torna mãe do mundo, disposta a mudá-lo para melhor a qualquer preço. E isso não tem volta.

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