Coronavírus pode ser transmitido pela lágrima?

Um estudo avaliou essa possibilidade e descobriu que ela é muito baixa. O que vale é continuar seguindo a Etiqueta Respiratória, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Resumo da Notícia

  • Um estudo concluiu que a contaminação de coronavírus através da lágrima é muito improvável
  • De todos os pacientes analisados, nenhum apresentou o Covid-19 nas amostras das lágrimas
  • A maior concentração do vírus estava no nariz e garganta, por isso é fundamental seguir a Etiqueta Respiratória
Um estudo provou que as chances são mínimas (Foto: Getty Images)

Um estudo publicado no dia 21 de março no Ophthalmology avaliou a possibilidade do coronavírus ser transmitido através das lágrimas. Para isso, os cientistas analisaram a secreção de olhos de pacientes, a partir dos primeiros sintomas. De acordo com a pesquisa, a chance de isso acontecer é muito baixa, uma vez que todos os infectados analisados não apresentaram o vírus nas amostras de lágrimas, mesmo nos já contaminados por duas semanas.

“Além do mais, pacientes com sintomas de alta infecção das vias respiratórias não apresentaram qualquer índice do vírus nas lágrimas, sugerindo que a hipótese da transmissão pelas lágrimas pode não ser verdade”, escreveram no estudo. Mesmo assim, os especialistas alertaram que é preciso, sim, ter cuidado com os olhos, uma vez que podem ser um canal de contaminação, caso, por exemplo, encoste em algo infectado e leve as mãos ao rosto.  

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 1% dos pacientes com coronavírus apresentaram inchaço nos olhos. Como, no estudo, apenas um paciente desenvolveu sintomas oculares e, mesmo assim, ele não apresentou evidências do vírus nas lágrimas, os especialistas concluíram que a transmissão dessa forma é muito improvável. A maior concentração do Covid-19, contudo, foi vista na mucosa nasal e garganta desses indivíduos. 

João Prats, infectologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, comentou o resultado: “O estudo de Singapura é bem interessante, porque mostra que o vírus não afeta muito as glândulas lacrimais e essa não é uma forma de contágio importante, muito embora do ponto de vista prático, se ele está assintomático, a pele do rosto pode estar contaminada pelo contato com tosse na mão ou espirros”. O especialista completa que, na prática, não muda muito a forma de prevenção, uma vez que o cuidado com rosto, pele, boca continuam.

 

Etiqueta Respiratória

Como a maior parte das transmissões ainda acontece através da tosse ou espirro, te lembramos da Etiqueta Respiratória, ou seja, a forma correta e segura de fazer isso evitando contaminar alguém, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e tida como modelo para a população se cuidar. Vale lembrar que mesmo pessoas assintomáticas podem apresentar a doença e transmiti-la, por isso todo o cuidado é bom nesse momento.  

A prevenção é o melhor caminho nesse momento (Foto: Getty Images)

Como o coronavírus é transmitido através do ar por meio de secreções respiratórias do paciente infectado ou por contato com secreções contaminadas seguido de inoculação em mucosas (olhos, nariz ou boca), é fundamental se atentar a cuidados simples do dia a dia que podem impedir a contaminação. Esse é o objetivo da Etiqueta Respiratória, reduzir as transmissões através de diretrizes simples, mas fundamentais para o dia a dia:

  • Cobrir a boca e nariz ao tossir ou espirrar: o infectologista Dr. Gerson Salvador ressalta que, nesses casos, você deve virar para o lado e levar o cotovelo para perto do nariz ou boca, não a mão (já que é através dela que temos contato com o mundo)
  • Usar lenços e jogá-los fora depois do uso: Dr. Gerson acrescenta que é bom andar com eles na bolsa, caso precise sair, e assim, ir descartando conforme o uso)
  • Lavar as mãos ou usar álcool gel todas as vezes que tocar a boca ou nariz: Dr. Gerson explica que com água, é importante esfregar as mãos de 40 a 60 segundos; já o álcool gel são 20 segundos. 

 

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