Família

Pai e filha criam vakinha online para ajudar outra família: “Me cortou o coração ver a bebê em um ‘berço’ improvisado”

Conheça a história de Dona Bete e Emanuelle e saiba como participar da ajuda

Cinthia Jardim

Cinthia Jardim ,filha de Luzinete e Marco

A primeira visita de Mário ao local (Foto: Arquivo pessoal)

“Todos os dias de manhã, quando saio com a Fubá, a cachorra da família, ela cheira a Dona Bete, que é a moça que vem tirar o lixo perto do condomínio que moro”, diz Mário Lúcio, pai de Mariana, que é músico e tem um apartamento que fica em um condomínio afastado da cidade, em Bauru, no interior de São Paulo.

Com essa proximidade, ele começou a conversar com a mulher, que contou que mora em uma comunidade próxima ao local. Depois de mais alguns momentos de diálogo, ela disse que precisava muito de doações de roupas para os netos gêmeos, Augusto Daniel e Pedro Santiago, de 1 ano e 4 meses, e o músico se propôs a ajudar.

A primeira visita aconteceu junto com a esposa, Ieda Cury, no dia 8 de outubro de 2019 e aos prantos, Mário contou a situação em que a família vive: “O problema é bem maior do que parece. Quando cheguei, vi uma menina deitada em um cestinho improvisado e aquilo me cortou o coração. Eles não têm nada”.

A menina dorme em um berço improvisado (Foto: Arquivo pessoal)

Emanuelle tem apenas quatro meses, e vive em uma situação muito precária. O parto da menina foi realizado em casa, pela própria Dona Bete e a mãe da criança, Natacha Caroline, de 21 anos, tem mais um filho, Lucas Rafael, de dois. A casa onde a família mora foi construída em um terreno com tijolos encontrados na rua, por Pedro Volf, marido da Dona Bete, que é ajudante de pedreiro. A família vive no local há cerca de 30 anos. “Lá não tem estrutura nenhuma, pode cair a qualquer momento”, desabafou Mário.

“A Dona Bete me mostrou onde a menina dormia, então hoje, 24 de outubro, voltei lá e pedi para Mariana, minha filha, postar a foto para podermos ajudar de alguma forma”. Comovida com a situação da família, ela contou que arrecadou um carrinho de bebê para que Natacha pudesse carregar Emanuelle enquanto levava os gêmeos para a creche, que fica a uma hora do local: “Eu fiz uma publicação para conseguir o carrinho, e uma amiga minha, que não usava mais, me deu”.

Na casa, além de Emanuelle, vivem outras 11 pessoas: Pedro Volf, Dueli Finotti (Dona Bete), Natacha Caroline, Pedro José, Lucas Rafael, Augusto Daniel, Pedro Santiago, Aline Aparecida, outros dois filhos de Dona Bete e Gilberto, que está desaparecido até o momento da reportagem.

A casa corre o risco de desabar (Foto: Arquivo pessoal)

A moradia da família não tem chuveiro, e para que eles consigam tomar um banho de água quente, é necessário esquentar e usar uma bacia. Além disso, há também a falta de cimento no chão e uma dívida de R$ 300 reais da conta de luz. “É uma situação miserável. Eles vivem na terra”, desabafou Mariana Cury. Eles sobrevivem apenas com a renda de Dona Bete, que consegue tirar por mês cerca de R$ 150 reais vendendo lixo reciclável.

Comovidos com a história de Emanuelle, Mariana contou que eles estão buscando formas de poder ajudar a família e junto ao pai, Mário, ela criou uma “vaquinha” online para comprar o que precisam: “Tudo começou por causa daquela foto da criança no berço. Estamos conseguindo doações”, explicou.

12 pessoas moram na residência (Foto: Arquivo pessoal)

“Eles moram do lado de um pessoal muito rico, mas que não conseguem ver a situação dessas pessoas. Eles não tem dignidade, estão abaixo da linha da pobreza”, contou Mário. “Eu sabia que precisavam de tudo, mas só pude ter visibilidade quando fui lá para ver a situação mais a fundo. Eles recebem apenas leite e mais nada”.

Pela internet, até o momento, eles já conseguiram arrecadar R$ 1.300,00, que serão revertidos em cimento, cadeiras, mesas, fraldas, comida e outros itens para a casa. Para contribuir também, basta clicar aqui para ser direcionado ao site. 

Leia também:

Relato de mãe:”Foram 32 tentativas e esse foi o primeiro positivo”

Relato de mãe: “Minha melhor amiga cortou relações comigo após eu amamentar o filho dela”

Relato de pai: “Homem chora, sim. Principalmente se ele tiver filhos”