Dia das mães: existe momento certo para engravidar? Saiba tudo sobre a gestação em cada idade

Agora é a hora! Não precisa se apegar tanto à questão da idade. Descubra as vantagens e os riscos da gravidez aos 20, 30, 40 e 50 anos

Resumo da Notícia

  • Após os 25, a gestante era classificada como “primigesta idosa”, mas as técnicas de reprodução assistida derrubaram esses limites
  • Mostramos as chances de engravidar em idades diferentes
  • Conversamos com especialistas e contamos as vantagens e desvantagens para cada idade
Cada uma tem seu tempo (Foto: Getty Images)

Em nome de esperar um momento de melhor estabilidade, cada vez empurramos mais para frente a decisão de ter um filho. Falta terminar o mestrado, dar entra da na casa própria, arrumar um parceiro estável e se sentir madura para cuidar de uma criança. Não necessariamente nessa ordem. Segundo dados do IBGE, no começo dos anos 2000 meta de das gestantes engravidava do primeiro filho antes dos 24 anos e, há exatamente uma década, esse porcentual caiu para 45%. Já o número de mulheres que tiveram o primeiro filho após os 30 anos foi de 25,7% para 35,1%.

Em 20 anos, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o número de mulheres que foram mães depois dos 40 anos teve um crescimento ainda maior: 49,5% no Brasil. para se ter ideia, 72.290 dessas mulheres tinham entre 40 e 44 anos, enquanto outras 4.475 tinham até 49 anos. Nos anos 1960, era consenso que a idade ideal para a primeira gravidez ficava entre 18 e 25 anos. Após os 25, a gestante era classificada como “primigesta idosa”! A idade fértil situa-se entre 10 e 49 anos. No entanto, as técnicas de reprodução assistida derrubaram esses limites. Em tese, pode-se engravidar a qualquer momento. Mas a coisa não é tão tranquila.

Em 2013, o Conselho Federal de Medicina determinou 50 anos como a idade máxima para engravidar por meio de tratamento. Depois de muita discussão, a resolução foi flexibilizada em 2015, deixando a cargo do médico a decisão, desde que com base em critérios científicos e orientando a futura mãe sobre potenciais riscos.

Evolução
Um estudo realizado na Suécia, em 2016, e divulgado na publicação científica “Population and Development Review”, mostrou que filhos de mulheres mais velhas tendem a ser mais saudáveis, mais altos e a ter, no futuro, mais anos de educação formal. Isso porque, sem contar os avanços científicos, as políticas públicas tendem a melhorar com o passar dos anos.

Alguém que engravidou aos 20 em meados dos anos 1970, se adiasse a gravidez até os 50, teria tido o filho na primeira década do século 21. Nos anos 1970, o ultrassom praticamente não existia no brasil e muitas mulheres só descobriam o sexo ou alguma malformação no bebê no parto. Hoje exames permitem saber o sexo com poucas semanas de gravidez, o ultrassom tem versão 3D e algumas malformações podem ser corrigidas com cirurgia ainda na barriga. Mesmo assim, é bom saber que os riscos aumentam a cada ano a partir dos 35 anos. E a partir dos 40 anos a gravidez já é considerada de alto risco. Por isso, essas gestantes necessitam de mais cuidados e devem aumentar o número de visitas ao médico durante o pré-natal. Conversamos com especialistas e matéria publicada na edição 556 e atualizada em abril 2020 contamos as vantagens e desvantagens para cada idade.

  • 20 anos

Fisicamente
Do ponto de vista biológico, o organismo da mulher já está pronto para ter um filho depois da primeira menstruação. Como isso costuma ocorrer muito cedo, por volta dos 12 anos, os médicos acreditam que só depois dos 18 anos que o corpo e os órgãos sexuais estão preparados mesmo para gestar um bebê.

A especialista em reprodução assistida, Claudia Padilla, mãe de Miguel e Isabel, explica que entre os 20 e 30 anos a mulher possui o máximo da sua fertilidade. Nesta fase, o corpo feminino tende a ovular mais e os óvulos ainda são de melhor quantidade. Isso ocorre porque todo mês vários óvulos são “recrutados” para se desenvolver. O selecionado no mês irá se desenvolver e o restante morrerá. Este processo se inicia a partir da primeira menstruação. A queda da fertilidade feminina com o passar do tempo acontece por causa dessa perda mensal, que é comum no funcionamento ovariano.

Psicologicamente
Por volta dos 20 anos, as pessoas começam a definir os objetivos de vida. “Então, se a mulher tem como meta ser mãe e se prepara para isso, mesmo sendo jovem ela pode estar madura para ter um bebê e vivenciar uma experiência maravilhosa”, explica a psicóloga Aline de Sousa Ribeiro, filha de Maria Alice e Marcelino. Aline lembra também que é comum que uma mãe jovem sinta que está perdendo momentos que ocorrem mais na juventude, como uma viagem longa. “Em contrapartida, ela tem energia de sobra para aproveitar muito com o seu filho”, acrescenta.

Financeiramente
Este ponto varia mais em função dos hábitos de uma pessoa do que da faixa etária, de acordo com o especialista em finanças pessoais, Luciano Tavares, pai de Henrique, Eva e Helena. Entretanto, o profissional, fundador da Magnetis (empresa que presta consultoria para quem quer investir), lembra que o casal que deseja ter filhos aos 20 anos precisa ter em mente que os gastos com as crianças são bem maiores do que aqueles do dia a dia. “É importante ter uma reserva para emergências. Mulheres e homens não costumam ter esse estoque de dinheiro na faixa dos 20 anos, pois estão no início da carreira”, completa.

  • 30 anos

Fisicamente
O organismo pode se adaptar facilmente às modificações circulatórias, cardíacas, renais e metabólicas que ocorrem na gravidez, explica a dra. Claudia. Em caso de tratamento, também há mais chances de sucesso: 50% por ciclo de fertilização in vitro, segundo Eduardo Motta, pai de Daniella e Camilla, ginecologista. Mas tudo depende de em que momento da década de 30 você está. A partir do limite de 35, o cenário fica mais complicado. Aumenta o risco de pré-eclâmpsia (problema ligado à pressão), diabetes gestacional, abortos, partos prematuros, e síndromes genéticas, como a síndrome de Down. Por isso, além dos exames de rotina do pré-natal, pode ocorrer o aconselhamento genético. A partir desta idade também é realizado teste de proteína plasmática associada à gravidez e dosagem de alfafe toproteína no 2° trimestre.

Psicologicamente
Nessa fase você já adquiriu mais autoconhecimento e ganhou mais maturidade, o que ajuda a administrar a chegada da maternidade. Por outro lado, as exigências de expansão profissional podem ser conflitantes com os cuidados que um filho exige, lembra a psicóloga. “Esse dilema pode gerar um sofrimento enorme, como se a vida inteira você tivesse lutado para ter uma carreira e agora tivesse que escolher entre uma coisa ou outra”, diz Aline.

Financeiramente
As despesas ainda são grandes, pois casa e carro podem ainda não estar quitados. Como lembra o economista Marcos Silvestre, pai de Rachel e Alexandre, o padrão de consumo ainda é comedido. Segundo os cálculos do especialista, só os gastos com quarto e enxoval podem variar de R$ 8 mil a R$ 100 mil, dependendo do padrão de vida da nova família. Se quiser manter o padrão, pode ser que tenha de trabalhar ainda mais. Ou abrir mão de algum conforto.

  • 40 anos

Fisicamente
Embora hoje seja possível driblar o relógio biológico por meio das técnicas de reprodução assistida, ele existe e começa a dar sinais de desgaste. Enquanto a chance de engravidar naturalmente aos 30 é de 25% a cada ciclo menstrual, aos 40 ela cai para 7%. Ao mesmo tempo, o risco de ter uma criança com alteração cromossômica que aos 30 é de 1/900, aos 40 anos, sobe para 1/75, segundo o dr. Bruno Scheffer, ginecologista e especialista em reprodução humana, pai de Allegra e Henrique. O risco de aborto chega a 30%, segundo a dra. Claudia Padilla. A probabilidade de diabetes gestacional e hipertensão, que varia de 10% a 20% até os 35, dobra a partir dos 40 anos. Segundo o dr. Eduardo Motta, recomenda-se fazer a mamografia, além da rotina pré-natal e exames genéticos.

Psicologicamente
Você provavelmente já plantou, colheu e aproveitou dos frutos conquistados com a carreira. Segundo a coach Deborah Toschi, filha de Rafael e Lourdes, a mulher sente a necessidade de rever sua trilha de carreira. Muitas nesta fase também iniciam a preparação para o seu plano “B”, que pode incluir trocar o dia a dia no escritório por um trabalho em casa. “A mulher moderna tem preferido essa idade, pois diminui muito a sensação de ter que escolher entre família e carreira”, diz a psicóloga Aline. Por outro lado, o fato de ser mais difícil engravidar gera uma ansiedade maior.

Financeiramente
A carreira costuma estar consolidada e talvez a casa própria já esteja quitada, a menos que você tenha trocado por um imóvel maior e mais caro, refinanciando o saldo. Se você já realizou seus principais sonhos de lazer e viagens, será mais fácil a adaptação. Mas se acostumou-se com a vida de “namoro”, abrir espaço para o filho no orçamento será mais desafiador, explica o economista Marcos. Por outro lado, você pode se ver dividida entre preparar a própria aposentadoria e poupar para garantir o futuro da criança, segundo Luciano Tavares, CEO da Magnetis.

  • 50 anos

Fisicamente
As chances de gravidez natural aos 50 anos existem, mas são bastante baixas, em torno de 3%, segundo a Dr. Claudia. Mesmo recorrendo a técnicas como a fertilização in vitro, essa possibilidade cai de 25% aos 40 anos para apenas 5% aos 50. Felizmente hoje existem técnicas, como a do congelamento de óvulos, que deve ser feito pela mulher quando mais jovem. Outra possibilidade é recorrer à adoção. Segundo o Eduardo Motta, à medida que o tempo avança, todas as situações de risco para a gravidez são mais prevalentes. O conselho federal de medicina estipulou que os médicos avaliem caso a caso os riscos de um tratamento nesta fase e informem a futura mãe dos riscos envolvidos, que incluem hipertensão, diabetes, parto prematuro e baixo peso do recém-nascido.

Psicologicamente
O nível de maturidade e vivência é ainda maior que nos 40 anos. O seu “ajuste de rota” geralmente nesta fase já contempla administração do seu “Plano B”. Tudo isso faz com que a mulher tenha ainda mais espaço para dedicar suas energias e aprendizados para a maternidade, diz Deborah Toschi. Por outro lado, lembra a psicóloga Aline, que mulher já não fica abalada só ao ouvir que a gravidez é de alto risco? “Além disso, readaptar a sua vida com a rotina de uma criança é algo assustador neste primeiro momento”, analisa. A mulher que planejou a gravidez aos 50 terá que lidar com essa expectativa enorme, já que luta com as questões fisiológicas.

Financeiramente
A carreira pode estar no auge ou ameaçada pelo desemprego (ou troca com rebaixamento de renda) devido à “obsolescência” da profissional, imposta pelo mercado de trabalho, o que varia muito conforme a profissão. “A gravidez de maior risco biológico pode exigir cuidados e gastos mais intensivos”, analisa Marcos Silvestre. Se você já se aposentou, por exemplo, mas mantém alguma atividade remunerada, a aposentadoria entra como complemento e você pode estar mais tranquila. “Para a aposentadoria ou para garantir a educação do filho que nasceu agora, o dinheiro deve ficar em aplicações de longo prazo”, recomenda Luciano