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Gravidez

“Eu quase abortei meu bebê depois de um resultado de exame errado”, desabafa mãe

Claire Bell agora usa sua história como alerta para outras mulheres

Marina Paschoal

Marina Paschoal ,Filha de Selma e Antônio Jorge

(Foto: Reprodução / BBC)

Durante muito tempo a vida de Claire Bell, uma sul-africana, e de seu marido não foi nada fácil. Eles passaram 5 anos enfrentando dois tipos de câncer que ele tinha e quando o tratamento finalmente chegou ao fim, eles decidiram que era hora de ter um bebê. Eles optaram por fertilização in vitro, já que ela tinha 41 anos e ele tinha congelado os espermatozoides antes das quimioterapias. Logo na primeira tentativa, o positivo chegou. “Foi uma gravidez milagrosa! Funcionou no primeiro embrião que tentamos”, ela disse em entrevista à BBC.

Por conta do histórico médico, o casal resolveu fazer um exame de sangue conhecido como NIPT (ou, Teste Pré-Natal Não Invasivo) para saber se o bebê tinha Síndrome de Down. “Meu marido e eu tínhamos a consciência de que não seríamos capazes de cuidar de um bebê com Síndrome de Down. Nós sentíamos que não tínhamos reserva emocional depois de lidar com cinco anos de câncer”.

Para completar o exame e saber o sexo do filho, ela precisou aceitar a condição de analisar também o DNA da placenta, que testaria outras condições cromossômicas raras. A clínica disse à ela que eles receberiam um e-mail se tudo estivesse certo e, em caso contrário, ligariam se tivesse algo para discutir. Depois de uma semana do exame, enquanto eles estavam de férias na França, o telefone tocou e era a clínica.

“Eu corri para atender e enquanto eu me tremia, enrolada numa toalha, o médico me disse que meu bebê tinha chances de ter Síndrome de Turner”. Arrasada, Claire pensou em interromper a gestação, e acreditava que essa poderia ser a melhor opção. Depois de conversar com uma amiga, que a encorajou a pesquisar mais sobre esse tipo de exame, ela descobriu que o NIPT é sim muito eficaz para detectar síndromes como de Down, Edwards e Patau, mas que para rastrear outras condições – como é o caso de Turner – o exame tem alta taxa de falha (segundo um artigo da revista médica Ultrasound in Obstetrics and Gynecology).

(Foto: Reprodução / BBC)

Ela pesquisou e encontrou vários relatos em que bebês com o diagnóstico nasceram sem a síndrome e resolveu olhar a proporção dos seus resultados. Descobriu que para uma mulher de 41 anos as chances eram de 40% e resolveu confirmar com o médico que fez seu exame se essa informação poderia ser verdadeira. “Sim, mas nós não sabemos”, ele respondeu à ela.

Ainda sem saber o que fazer, decidiu conversar com a sua tia, que abriu seus olhos e fez com que ela percebesse que os sintomas não seriam motivo suficiente para o aborto – são eles: dificuldade em localização espacial e/ou matemática e ser baixinho. “Você não pode abortar um bebê porque ele pode ser baixinho e ir mal em matemática”, ela ouviu. Claire continuou pesquisando e descobriu que a própria empresa que inventou o exame sugeria que ele poderia não ser confiável para Síndrome de Turner – mas, sim, se houvesse histórico familiar similar.

(Foto: Reprodução / BBC)

Foi o suficiente para que ela desistisse do aborto e em junho de 2018 Fintry nasceu, sem nenhuma síndrome ou sintomas diferentes. “Em pensar que eu poderia ter abortado, que isso passou pela minha cabeça… Eu quase abortei meu bebê depois de um exame pré-natal errado”, ela contou, pensativa. “É muito importante que as mulheres saibam que esse teste tem muitos falsos positivos”.

O casal pretende levar a menina para fazer um exame de sangue quando completar um ano, para ter certeza se ela tem ou não a condição.

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