Família

Médica encontra forma diferente para humanizar a cesárea e tornar a mãe protagonista do parto

A obstetra Elis Nogueira conta como foi que a ideia chegou no Brasil

Izabel Gimenez

Izabel Gimenez ,filha de Laura e Décio

Emocionante! (Foto: Kátia Rocha)

A obstetra Elis Nogueira de Fávero, mãe de Rodrigo, desenvolveu um jeito de deixar o momento do nascimento do bebê ainda mais especial para as famílias. Cada vez mais, os médicos entendem a importância e fazem de tudo para que as mães tenham um parto humanizado, isto é, colocam a mulher como protagonista, tirando do médico o poder de controlar a situação. E isso ainda no pré-natal, quando o especialista informa o casale conversa com calma. Tem muito mais a ver com o processo de atendimento e não com a forma de parto em si, portanto, ele pode ser tanto parto normal ou cesárea.

Elis sempre tentou seguir essa linha, mas uma coisa não fazia sentido em sua cabeça: ” Eu não me conformava com o fato de que a mãe era a última pessoa a ver o seu filho, ou a sua filha, num parto cesárea, por que o campo de tecido não permitia que ela visse o exato momento em que o seu bebê chegava ao mundo, e se quer ver o rosto da sua médica ou médico durante o procedimento. Até então, para ela, só era possível ouvir o chorinho do bebê e só depois o mostravam a ela”, explicou em entrevista à Pais&Filhos.

A ideia de humanizar ainda mais a cesárea já existia e em 2017, a obstetra viu uma foto de um parto cesárea realizado nos Estados Unidos com o uso de um campo plástico transparente, que possibilitava visão total para as mães. “Fiquei imaginando como aquilo poderia ter sido feito, pois não havia qualquer comentário ou indicação da técnica de realização, e sabia que não existiam campos cirúrgicos transparentes disponíveis no Brasil. Foi então que, dias após ver essa foto, antes de realizar um parto cesárea num grande hospital em São Paulo, me dirigi ao arsenal de materiais cirúrgicos e pedi uma capa plástica transparente e estéril que costumamos usar para cobrir microscópios e aparelhos de ultrassom durante cirurgias”, relembra.

Conexão (Foto: Kátia Rocha)

Elis Nogueira explica que o uso do pano é essencial e garante uma proteção entre a área da cesárea e a parte superior do corpo da mulher, assim, evita qualquer tipo de contaminação por bactérias ou qualquer tipo de microrganismo. Tradicionalmente, o pano é azul ou verde, mas sendo transparente possibilita a visão da mãe. Além disso, Elis passou a entregar o bebê diretamente para o colo da mãe.

“Uma vez constatada que tanto a mãe, quanto o filho, estão saudáveis e em boas condições, e após o consentimento do neonatologista, a criança já é colocada nos braços da mamãe, ainda ligado pelo cordão umbilical para que possa haver o contato pele a pele de ambos e a realização do clampeamento (seccão) tardio do cordão umbilical, o que trás inúmeros benefícios ao recém-nascido“, explica. Algumas mães já tinham demonstrado certo desconforto por não conseguir acompanhar a cirurgia e muitas se queixavam por serem as últimas a verem o bebê na sala de parto e agora, as coisas começam a mudar.

O nascimento do bebê é um dos momentos mais importantes da vida da mãe (Foto: Kátia Rocha)

Outros médicos já começaram a implantar esse método, mas no começo houve um estranhamento. “No início a reação geral foi de surpresa, até mesmo em minha própria equipe, por ser uma inovação nas cesáreas. Com o passar do tempo e com a adoção do campo cirúrgico transparente em todas as minhas cesáreas, nas principais maternidades de São Paulo, a recepção passou as ser muito positiva”, afirma.

As mães abraçaram e se encantaram com a novidade. Elis conta que o feedback tem sido fantástico. “Para descrever, menciono algumas declarações que tenho ouvido: ‘Emocionante! Uma experiência inesquecível!’; ‘Foi a maior emoção da minha vida!’; ‘Foi incrível e mágico ver logo a minha filha quando saiu da minha barriga… imagens que guardaremos para sempre em nossos corações!’; ‘Acompanhar o nascimento do meu bebê através do campo transparente me fez sentir parte, de fato, daquele momento!'”, diz.

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