Criança

Gêmeas siamesas separadas em cirurgia completam três anos

O Profissão Repórter acompanhou a recuperação das meninas brasileiras Ysadora e Ysabelle

Ingrid Campiteli

Ingrid Campiteli ,filha de Sandra e Paulo

As gêmeas com os pais (Foto: Reprodução / TV Globo)

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é uma referência nacional por realizar operações de alta complexidade, como o caso de Maria Ysadora e Maria Ysabelle, gêmeas siamesas que nasceram ligadas pela cabeça. O Profissão Repórter, da TV Globo, acompanhou a história das meninas para ver a recuperação delas, que recentemente completaram três anos e fizeram a última cirurgia há oito meses.

Em 2018, a equipe do HC de Ribeirão Preto realizou a cirurgia com a ajuda de especialistas dos Estados Unidos. A operação levou 21 horas de trabalho. “A raridade, nós estamos falando aqui de um caso para 2,5 milhões de nascidos vivos. E, ainda assim, sendo tão rara, a cada quatro crianças que têm uma união pela cabeça, só uma tem condição de ir para a cirurgia”, afirmou o neurocirurgião pediátrico Ricardo Santos de Oliveira ao Profissão Repórter.

O americano James Goodrich, neurocirurgião pediátrico, acompanhou pessoalmente a cirurgia para poder ajudar. E ele conta que até 2004, o mais comum era que a mãe escolhesse qual criança iria sobreviver, decisão difícil que deixava traumas permanentes na família. Sendo assim, ele e um colega de trabalho desenvolveram uma técnica para executar várias cirurgias preparatórias ao longo de um ano.

Depois de um mês separadas, Ysabele e Ysadora entraram num processo de reabilitação. Os médicos e fisioterapeutas arriscaram na capacidades dos cérebros das meninas de conseguirem criar novas conexões para que as meninas consigam ganhar autonomia. “Elas passaram dois anos em uma situação de difícil estimulação. A gente conversa com os pais mostrando que ainda tem um caminho pela frente. A gente precisa que elas sustentem o pescoço, que elas sentem sozinhas para a gente almejar uma marcha”, afirmou Carla Caldas, neurologista chefe de reabilitação pediátrica.

Porém, hoje em dia, as meninas já conseguem ter sustentação no pescoço, ficam de pé com a ajuda dos pais e até falam “papai”. O acompanhamento para a evolução das duas acontece no hospital de Fortaleza, junto ao neurocirurgião Eduardo Jucá, que foi o responsável por ter levado as crianças até o HC de Ribeirão. E o próximo passo que a família sonha é que daqui uns meses elas possam correr.

Outro caso de gêmeas siameses

Duas meninas paquistanesas Safa e Marwa, de dois anos, que estavam unidas pela cabeça desde 2017, passam por um tratamento pós-cirúrgico, incluindo fisioterapia, para se adaptarem a uma nova vida independente. As duas fizeram três cirurgias em quatro meses para que os médicos conseguissem realizar a cirurgia de forma segura.

As horas contabilizadas de todas as cirurgias chegam a 50, que foram um sucesso, segundo o Hospital Great Ormond Street, na Inglaterra, onde as crianças foram operadas em 2018.

As cirurgias chegaram a 50 horas (Foto: Reprodução / Hospital Great)

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