Dia Nacional de Prevenção da Obesidade: é preciso falar sobre o assunto e mudar os hábitos dentro de casa

Como forma de conscientizar as famílias, a data reforça a importância da alimentação saudável e a prática de atividades físicas ainda na infância. Em época de pandemia, os cuidados precisam ser redobrados (e mudados!) quando necessários

Resumo da Notícia

  • É importante ficar de olho na alimentação saudável e nas atividades físicas ainda na infância
  • Segundo a OMS, 41 milhões de crianças menores de cinco anos estão acima do peso

Obesidade infantil é papo sério, e como forma de conscientizar diversas famílias sobre o assunto, a campanha Setembro Laranja reforça a importância de práticas alimentares mais saudáveis, além do estímulo às atividades físicas. Com os hábitos sedentários e uma piora na alimentação, é essencial ficar de olho, inclusive em tempos de pandemia, quando as crianças estão passando mais tempo dentro de casa.

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A campanha reforça os cuidados contra a obesidade infantil (Foto: Getty Images)

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 41 milhões de crianças menores de cinco anos já estão acima do peso. Com o alerta, a Sociedade de Pediatria identifica o dado como grave e a necessidade de reduzi-lo drasticamente. De acordo com a pediatra do Hospital Universitário, Maria de Fatima Valente Rizzo, a obesidade precisa ser acompanhada pela família, pois pode causar implicações tanto na parte física, como psicossocial.

O gastrocirurgião do Instituto EndoVitta, Dr. Eduardo Grecco, reforça: “Estudos apontam que crianças e adolescente com obesidade tem a chance de serem em 75% ou 80% de se tornarem adultos obesos. Isso pode ser um fator genético, pois a genética influencia nesse sentido e o outro motivo está totalmente relacionado à alimentação e a falta de atividade física”.

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A partir de um pré-natal adequado, estudos mostram que é possível prevenir o problema desde o ventre materno. Segundo a pediatra e neonatologista Flavia Oliveira, da Sociedade Brasileira de Pediatria, mãe de Lucas e Pedro, isso pode ser explicado pela genética, pois a composição corporal, de 60% a 80%, é determinada pelos mais de 300 genes envolvidos na regulação do peso e que são hereditários. “Outros pontos que também influenciam são o aumento de peso da mãe e a diabetes gestacional, que levam a uma programação metabólica no bebê que faz com que ele tenha piores preferências alimentares, obesidade e síndrome metabólica na vida adulta”, explica. 

A amamentação pode prevenir o ganho de peso na infância?

Sim! “Uma análise recente mostrou que as crianças amamentadas apresentam 22% menos risco de obesidade quando comparada àquelas que receberam fórmulas especiais, principalmente após os três meses de vida”, comenta Flávia Oliveira. Ainda de acordo com a médica, isso pode acontecer porque diversas fórmulas prontas são mais ricas em calorias e proteínas. Nos primeiros dois anos de vida, o excesso de proteína está associado a uma maior produção endógena de insulina e IGF-1, hormônios ligados à diferenciação das células de gordura e do seu acúmulo. Esse mecanismo é conhecido como ‘programming’ e representa fator crucial para o desenvolvimento da obesidade e suas consequências na vida adulta”.

De olho no comportamento! 

A pediatra e neonatologista alerta ainda sobre o uso da mamadeira para acalmar a criança: “Isso acaba prejudicando o aprendizado correto da auto regulagem da fome”, explica. Como dica, Flávia diz que é superimportante incluir as crianças no preparo das refeições, pois assim elas podem desenvolver um bom relacionamento com a comida.

Além disso, um estudo feito pela Universidade de Harvard prova que fazer as refeições regularmente em família também diminuem as chances de sobrepeso e obesidade: “O bebê aprende a se alimentar com os pais e vai ter bons hábitos se os mesmos o tiverem. Famílias que priorizam frutas, verduras, legumes e grãos integrais aos alimentos industrializados têm muito mais saúde e qualidade de vida. Isso se reflete não apenas no presente, mas principalmente no futuro de todos”.

Para iniciar o processo de mudança, é importante que os pais também estejam empenhados: “A família precisa avaliar essas crianças e adolescentes com uma consulta com endócrino pediatra e psicólogos, e a seguir começar um trabalho com toda a família, no sentido, de que as famílias precisam mudar seus hábitos, porque senão existe uma cobrança em relação ao adolescente e essa cobrança não “se ver” em toda família”,  explica o Dr. Eduardo Grecco.

Pesquisa afirma que o número de obesos aumentará (Foto: Getty Images)

Dicas de ouro!

Para ajudar na boa alimentação em casa, Ana Luisa Vilela, médica especialista em obesidade, conta como os pais podem auxiliar os filhos nesta tarefa. Como alternativa, é importante manter os alimentos mais saudáveis sempre à vista e prontos para o consumo: “Manter o freezer cheio de opções boas e práticas também ajudam muito”. 

O gastrocirurgião explica ainda que essa fase “é um momento de adaptação e formatação da sua maturidade psicológica. É importante conversar, mostrar preparos novos e mais saudáveis, mostrar que é possível ter uma dieta saudável, não proibir totalmente, mas limitar para uma ocasião de fim de semana ou uma festa. O importante é no dia a dia procurar uma alimentação mais saudável”.

No caso das frutas, verduras e legumes devem ser lavados antes de colocados na geladeira e serem deixados sempre à mostra. Para deixar ainda mais prático, a dica é guardar tudo já picado! Os queijos e iogurtes também não podem faltar, assim como as fibras de aveias, entre outras, deixadas sempre aos olhos dentro do armário. 

Para as carnes, frango e peixes, você pode separá-los ao congelar e mantê-los já temperados. Os ovos também são uma ótima pedida no cardápio, pois são ricos em proteína e de baixa caloria. 

O que fazer quando a fome inesperada bater?

Nestes casos, opte por petiscos mais saudáveis como, por exemplo, a pipoca natural feita sem gordura na panela, ou até mesmo os biscoitos de polvilho. “Geralmente o lanche escolar ou aquele entre as refeições servem para dar energia à criança, por isso não precisa ter exagero nas calorias. Para simplificar, o ideal é que ele contenha: uma porção de carboidratos – para fornecer energia; uma porção de lácteos – que contêm proteínas; uma porção de frutas ou legumes – que são os responsáveis pelas fontes de vitaminas, fibras e minerais, e uma bebida para hidratação“, completa Ana Luisa Vilela.

De olho dos exercícios!

Sobre os novos hábitos digitais, as crianças e adolescentes tendem a cair no sedentarismo e deixar os exercícios e atividades físicas de lado. “É importante também estimular a prática de atividade física e buscar alternativa como, por exemplo: futebol, basquete, natação, dança e hoje existem outras atividades que tirem as crianças e adolescentes do sedentarismo. Hoje as crianças ficam muito vinculadas ao videogame, celular e computador, e acaba gerando uma acomodação na família. É claro que precisa respeitar também esse universo digital, mas é preciso criar o equilíbrio, da liberação das atividades digitais e ao mesmo tempo intercalar com um estilo de vida onde se sinta prazer em atividades esportivas”, conclui o Dr. Eduardo Grecco.

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