89% dos médicos acreditam que o Brasil terá uma nova onda de covid-19, diz estudo

42,3% dos profissionais da saúde consideram que essa próxima onda será menos grave. Os resultados vêm de uma pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina sobre os problemas e carências dos médicos no enfrentamento à doença e eventuais reflexos na assistência aos pacientes infectados

Resumo da Notícia

  • Pesquisa aponta 89% dos médicos acreditam que o Brasil terá uma nova onda de covid-19
  • Destes, 9.4% compreendem que será ainda mais grave; 37,3%, igualmente grave; e 42,3%, menos grave
  • O estudo foi feito pela Associação Paulista de Medicina
  • Os profissionais da saúde também responderam sobre a estrutura dos hospitais
89% dos médicos acreditam que o Brasil terá uma nova onda de covid-19, diz estudo (Foto: Getty Images)

Um estudo realizado pela Associação Paulista de Medicina apontou que 89% dos médicos creem que  haverá uma nova onda de coronavírus no Brasil. Destes, 9.4% compreendem que será ainda mais grave; 37,3%, igualmente grave; e 42,3%, menos grave. A pesquisa foi feita entre os dias 25 de junho e 2 de julho e é a terceira edição de pesquisas sobre os problemas e carências dos médicos no enfrentamento à Covid-19 e eventuais reflexos na assistência aos pacientes infectados.

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O estudo contou com a participação de 1.984 profissionais de todo o País, respondendo espontaneamente ao questionário estruturado online, via plataforma Survey Monkey. 60% dos profissionais que responderam o questionário trabalham em hospitais e/ou unidades de saúde que atendem pacientes com coronavírus. Destes, 76,3% atendem, em média, 20 ou mais pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 por dia, sendo que 53% têm sob sua responsabilidade até 5 enfermos. Quatro em cada dez dos médicos pesquisados já acompanharam pacientes que vieram a falecer com suspeita ou confirmação de coronavírus.

Somente 28% deles, no entanto, se dizem plenamente capacitados para atender casos de Covid-19, em qualquer que seja a fase do tratamento. 72% admitem não ter conhecimentos aprofundados. Por isso, talvez, 57,2% façam papel de autodidatas e busquem informações científicas diretamente na literatura médica. Aliás, quando o tema é acesso a fontes de capacitação, 46% se atualizam via canais do Ministério da Saúde, 44,3% com as associações médicas e 43,4% citaram hospitais privados como fonte de informação.

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Os médicos também responderam sobre a questão psicológica durante o enfrentamento da doença. 19% registram estar com mais medo de ser infectado agora do que no início da pandemia; 49,7% mantêm o mesmo nível de temor e 31,3% hoje acusam menos medo do que quando começou a pandemia. No geral, quando se diz respeito ao dia a dia do ambiente do trabalho, 63% se mostram apreensivos com a situação na qual estão vivendo

Isso já está refletindo na saúde desses profissionais. Sintomas comuns à Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional estão se tornando frequentes entre os médicos que cuidam de pacientes infectados com o novo coronavírus. Além disso, 69,2% disseram sofrer com ansiedade, 63,5% estresse, 50, 2% exaustão física/emocional e 49% sobrecarga.

No que se diz respeito a estrutura física e insumos dos hospitais, 59% dos que responderam a pesquisa disseram que a estrutura não está adequada ou segura. Os participantes comunicam, ainda, falta de aventais, óculos, luvas, álcool gel, entre muitos outros insumos. E o que é crítico: 13,4% acreditam que faltam leitos para pacientes que precisam de internação em UTI.

Pensando no futuro, 94,3% acreditam que provavelmente irão faltar médicos para adequada atenção à saúde ao longo da evolução da pandemia. E 59% têm conhecimento do aumento de problemas de saúde (agravados) por outras causas não relacionadas à Covid-19 em pacientes que deixaram de buscar atendimento em hospitais e consultórios por medo de infecção – especialmente AVC, infarto, câncer, problemas cardíacos e descompensação de doenças crônicas e psiquiátricas.

Os profissionais também comentaram a respeito da propagação de notícias falsas durante a pandemia. 69,2% dizem que as fake news interferem negativamente, pois levam algumas pessoas a minimizar (ou negar) o problema e, assim, a não observar as recomendações de isolamento social e higiene, ou a não procurar os serviços de saúde. Outros 48,9% falam que, em virtude das fake news, pacientes/familiares pressionam por tratamentos sem comprovação científica.

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