Pais

Mulher que não teve a mãe presente na infância encontra um jeito de fazer diferente com os filhos

A ideia dá certo há 5 anos

Yulia Serra

Yulia Serra ,filha de Suzimar e Leopoldo

Para ela, essa proximidade não tem preço (Foto: reprodução/Arquivo Pessoal)

Thaís Lopes não teve a mãe presente durante a infância e sentiu falta desse afeto. Por isso, com a chegada dos filhos, decidiu fazer diferente e encontrou uma forma de conciliar trabalho e maternidade: 

“Minha história começa desde que era pequena. Minha mãe era solteira e nunca estava em casa ou participava da minha rotina, porque precisava trabalhar para me sustentar. Quem cuidava de mim era minha avó

Ao entender isso, decidi que, quando tivesse filhos, não trabalharia e cuidaria deles. Estaria presente na rotina e não faltaria a um momento importante da primeira infância dos meus filhos. 

Desde que comecei a namorar, sempre deixei isso bem claro para o meu namorado, hoje marido e ele sempre concordou, mas tinha medo de que eu não me sentisse feliz após o crescimento das crianças.

Estudei, casei, me formei, me tornei Fisioterapeuta e, após 4 anos em 2010, veio minha primeira filha. Quando engravidei, disse que não pararia de trabalhar totalmente, dividiria com meu marido, que trabalhava homeoffice, a rotina da Ana Clara. 

Como fisioterapeuta, tinha a oportunidade de adequar meus horários a uma nova rotina. Infelizmente, ela nasceu de 7 meses porque tive pré-eclampsia e precisamos ficar internadas. 

Ao sair da UTI, apresentei um quadro de trombose e não pude trabalhar por algum tempo, então nosso vínculo aumentou e assim que pensei em voltar a trabalhar, percebi que não conseguíamos mais nos separar

Em 2012, nasceu o Miguel e o motivo para continuar em casa aumentou, até que percebi que minha rotina era exclusivamente materna (não trabalhava, não estudava e nem fazia atividade física). Passei a imaginar que tão logo meus filhos iriam crescer e eu precisava fazer algo por mim. 

Em 2014, apareceu a necessidade financeira de uma aumento na renda familiar. Com o incentivo do meu marido, as crianças foram para escola por meio período e eu coloquei a maca no carro e voltei a rotina de trabalho. 

Todas as tarde eram assim,  maca no carro, filhos na escola e lá vamos nós. Algumas vezes, em períodos de férias escolares, alguns pacientes me ofereciam a oportunidade de levar meus filhos comigo aos seus lares para que eles não ficassem sem atendimento e eu não ficasse sem trabalhar.

Quando o paciente precisava de atendimento e eu não podia ir até eles, porque não tinha como sair e deixar as crianças, eles iam até minha casa para serem atendidos por mim. Isso ainda acontece.

Hoje, já estou completando 5 anos de uma nova rotina! Trabalho com atendimentos domiciliares, em um consultório, ajusto a rotina das crianças à minha e a minha a deles. Voltei a estudar e hoje curso duas pós-graduações nos finais de semana.

A grande vontade de dar aos meus filhos o que minha mãe não pode me ofertar (sua presença em minha rotina), fez com que buscasse ser dona do meu próprio negócio para adequar meus horários sem precisar passar por constrangimentos ao pedir ao chefe pra sair mais cedo.” 

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