Família

Carlinhos Brown abre o coração sobre os 6 filhos: “Família é tudo e é o todo”

O cantor é pai de Clara, Francisco, Miguel, Cecília, Nina e Leila

Jéssica Anjos

Jéssica Anjos ,filha de Adriana e Marcelo

Carlinhos Brown é pai de Clara, Francisco, Miguel, Cecília, Nina e Leila (Foto: Reprodução / Instagram @carlinhosbrownoficial)

Se tem uma palavra que define Carlinhos Brown é amor. Ele, que é pai de Clara, Francisco, Miguel, Cecília, Nina e Leila, esbanja sentimento e cativa a gente. O músico conhece bem a importância da família na construção do ser humano.

Durante entrevista exclusiva para Pais&Filhos diretamente do Projac, no Rio de Janeiro, para a divulgação da nova temporada do The Voice Kids Brasil 2019, ele abriu o coração e falou sobre os filhos e a proximidade e identificação que tem com as crianças. Afinal de contas, não é à toa que foi convidado mais uma vez para ser jurado do programa.

P&F: Qual a importância do filho na vida do homem?
CARLINHOS BROWN: A criança resgata no homem o compromisso e a responsabilidade consigo mesmo. Essa responsabilidade estende-se no fato de que você tem um ser que é a sua extensão e ele vai precisar ser bem preparado, bem-educado e, sobretudo, ter uma compreensão sobre o que é o mundo e como devemos respeitá-lo.

P&F: O que há de mais desafiador na educação de uma criança?
CB: Os filhos de hoje têm que ser muito mais bem preparados pelo pai por meio do exemplo em relação à figura materna. A mulher tem recebido, ao longo de sua existência, rechaço. Eu acredito que, se a própria Bíblia disse que o homem é a imagem e semelhança dele, a mulher está bem superior a isso, porque ela é quem nos traz ao mundo.

P&F: Como a sua própria criação ajudou na educação dos seus filhos?
CB: Eu sou filho de uma mãe que me trouxe ao mundo com 14 anos, sou uma criança que não foi abortada. Estou falando de aborto porque são assuntos complexos e situações complexas. A coragem da minha mãe se tornou aprendizado para mim e aplico isso com meus filhos. Esse valor também se transformou no orgulho dela por mim, faço de tudo para orgulhá-la.

“Sou filho de uma mãe que me trouxe ao mundo com 14 anos”, disse Carlinhos (Foto: Marco Froner)

P&F: E como você é como pai?
CB: Como pai, mesmo que muitas vezes eu esteja ausente, porque viajo muito, toco, saio e não pego a barra que a mãe pega, eu apoio bastante a mãe. Me esforço para ser presente mesmo estando longe.

P&F: Você enxerga nos seus filhos o desejo de seguir os passos do pai músico?
CB: (Risos). Meus filhos são músicos, nasceram com esse dom, mas com um dom melhorado. O que fiz? Aproveitei que eu tinha uma condição melhor, uma chance de fazer por eles o que eu não tive quando era mais novo, e os coloquei na escola. A minha intenção era que eles não fossem reflexo do que fiz e pudessem construir a sua própria personalidade na música.

P&F: E você orienta o caminho musical deles?
CB: Eu não quero que os meus filhos toquem como eu porque sou muito exigente comigo mesmo e acredito que todo dia aprendo mais a tocar. São exímios músicos. Meu filho Miguel toca bateria de uma maneira que eu vi poucas pessoas no mundo tocarem, e eu não estou falando como pai babão. Francisco é um compositor. Clara canta divinamente, minha filha Nina, que mora nos Estados Unidos, já tem nas suas redes sociais 20, 30 milhões de visualizações em uma música. Os outros seguem um pouco dessa coisa artística que Deus deu a capacidade para cada um.

“Não quero que meus filhos toquem como eu porque sou muito exigente comigo mesmo” (Foto: Reprodução / Instagram @carlinhosbrownoficial)

P&F: Falando sobre paternidade, o homem tem assumido cada vez mais a responsabilidade com o filho. O que você acha disso?
CB: Nós estamos aprendendo a ser pai. A mulher tem uma intuição, já nasce sabendo tudo. A criança chora, ela sabe resolver enquanto o pai fica desesperado. Nós somos muito felizes hoje porque as mulheres terminaram formatando em nós um caminho mais fácil de ser pai e a cada dia a gente aprende mais coisas. Nossas professoras são vocês, mulheres.

P&F: Pensando nisso, você tem algum conselho para dar para famílias?
CB: As famílias de hoje são muito diferentes e têm cabeças ainda seculares com a maneira de enxergar o conjunto familiar. Às vezes, o pai tem filhos fora do casamento, mas não vejo isso como falta de estrutura ou de amor. O meu conselho é respeitar, buscar o respeito e construir sua família da forma que Deus quer.

P&F: A gente sabe que você ama o meio ambiente. Como tudo isso começou?
CB: Acredito que vem da minha convivência com a natureza na infância, mas sempre tive essa preocupação. Para você ter ideia, minha primeira profissão foi carregar água. Nossa atitude egoísta em relação à natureza não está nos levando a nada e hoje é extremamente importante que se colabore com a conscientização.

P&F: É por isso que você desenvolveu projetos infantis voltados para esse tema?
CB: Sim, e meu novo projeto com cartilhas para a educação infantil sobre cuidados com o meio ambiente é resultado do trabalho que desenvolvo com as crianças há 35 anos no Bairro do Candeal, na periferia de Salvador. Nós instituímos o movimento da lata com educação e iniciação musical através de lata e reciclagem.

P&F: Qual é a mensagem que você quer passar para as crianças?
CB: Eu particularmente vejo que esse é um planeta que a gente volta e podemos estar destruindo o futuro que nos espera. Tenho uma compreensão da vida eterna muito importante. Se a gente não cuida hoje do que realmente interessa, que é a terra mãe, vamos nos perder bastante.

P&F: E por que focar na educação infantil?
CB: A minha geração se perdeu bastante no caminho. Acredito que quando a gente traz as aventuras de Paxuá e Paramim (personagens que fazem parte da cartilha criada por Carlinhos para ensinar a preservação do meio ambiente) para educação infantil, com crianças a partir dos 4 anos, criamos nelas a vontade de cuidar do nosso planeta. Traz o legado de todo meu trabalho como educador. Porque ganhar diversos prêmios e não colher resultados como este não vale a pena.

O cantor criou uma cartilha para a educação infantil, voltada para crianças a partir dos 4 anos de idade, com os personagens Paxuá e Paramim. Os dois ensinam que é preciso cuidar e respeitar o meio ambiente para que haja futuro (Foto: Divulgação)

P&F: Quais suas inspirações para os projetos?
CB: Uma grande inspiração para mim é Monteiro Lobato, um dos maiores educadores infantis. Depois, é claro, vem Maurício de Sousa. Eles deixam uma mensagem de que temos que fazer algo por essas crianças. Claro que é preciso reunir uma equipe enorme para isso. Para montar as histórias de Paxuá e Paramim, por exemplo, fizemos todo esse adequamento de conteúdo no enredo dos personagens. Cartunistas, pedagogos, professores, educadores, roteiristas, designers, trabalharam juntos por mais de cinco anos desenvolvendo o projeto. Não é algo que apenas sai da minha cabeça. Foi necessário entrar, sobretudo, na linguagem pedagógica e estar associado a pessoas que puderam me ajudar a entrar da maneira certa no ambiente educacional. Meu sonho é fazer com que isso chegue às escolas, estamos falando em formar pequenos protetores da natureza.

P&F: Seus filhos cresceram com essa visão de cuidar do meio ambiente também?
CB: Ah, sim. Eles cresceram em espaços meio floresta e beira-mar. Têm essa convivência com respeito e sobretudo cuidado com a natureza. Eles amam todo o meio ambiente igual ao pai. E sabe que não é bicho-cria (risos). Meus filhos também falam e puxam a minha orelha quando é necessário. Se tomo banho no chuveiro e passo do tempo, eles estão contando e falam: ‘Epa, não pode!’.

P&F: É aquela história, às vezes aprendemos mais com os filhos?
CB: Acho que a criança acaba sendo esse grande educador do lar. Eles fazem a gente refletir sobre várias questões da vida, coisas que nunca passaram pela nossa cabeça. Eu mesmo tenho buscado a me educar sobre isso. Poxa, esquecer o carregador de celular, quem nunca? Isso é uma carga fantasma, além de ir na sua conta, está contando para o futuro também. Meus filhos mesmo me policiam, mais uma vez eles me ensinando. Como eu adoro ver TV, às vezes eu durmo com ela ligada, aí eles falam: ‘Ei!’. Eles também estão me educando. A minha meta de vida é tentar colocar cada dia mais em prática o que estou aprendendo com meus filhos. E vou te contar uma verdade que eu dei de cara quando me tornei pai: acho que as crianças nos ensinam até mais do que a gente ensina a elas.

P&F: Para você, família é tudo?
CARLINHOS BROWN: Sim, claro que família é tudo. Família é tudo e é o todo. Mesmo dentro da linguagem familiar atual, que já não é mais com aquelas imagens conservadoras que a gente tinha. A família hoje se estende desde o porteiro até o cachorro que temos em casa. Isso tudo faz parte das pessoas que nos cercam. Mesmo no nosso caso do Brasil, que tem um índice enorme de divórcios, isso não afeta a convivência familiar, ao contrário, tem até aproximado. Família é tudo, porque o melhor de ser família é quando todo mundo se abraça.

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