Família

Estudo afirma que ter irmão torna a gente uma pessoa melhor

Claro que a experiência tem altos e baixos, mas vale muito a pena

Marina Paschoal

Marina Paschoal ,Filha de Selma e Antônio Jorge

(Foto: iStock)

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Companhia para a vida inteira. Ter um irmão é sinônimo de ter com quem contar sempre. É ter com quem dividir tristezas, alegrias e conquistas. Mas também é garantia de uma relação entre tapas e beijos – independente da idade. E isso é normal. Não vai ser fácil ter que lidar com as discussões e ouvir os gritos. Mas os momentos em que você encontrá-los brincando juntos vai compensar tudo.

A convivência entre irmãos transforma as crianças em pessoas melhores, disso a gente sabe. Afinal de contas, abrir mão da televisão, da última bolacha do pacote e ter que dividir a atenção dos pais e da família não é nada fácil. Mas é assim que eles aprendem e entendem que o mundo não é só deles. E se você acha que para por aí, fique ligado: o filho mais velho ainda tende a se desenvolver mais rápido por influência do caçula.

E isso porque ele vai precisar criar responsabilidade e, segundo Monica Pessanha, psicanalista e mãe de Melissa, essa pode ser uma das principais habilidades que a criança desenvolve por conta do irmão. “Aprender a compartilhar por causa da chegada do mais novo, com certeza faz de nós pessoas melhores”, ela concorda. Além disso, ele vai ser mais independente, já que em alguns momentos vai ter que se virar sozinho.

A ciência prova

Quem tem irmão sabe de tudo isso e vive na pele a experiência – vezes maravilhosa, e vezes tão difícil. Mas agora está comprovado: quem tem irmão se torna uma pessoa melhor. Um time de pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, levantou essa bola depois de avaliar mais de 400 duplas de irmãos entre um ano e meio e quatro anos.

As crianças foram filmadas em casa, com a família. Depois, os estudiosos ficaram de olho nas gravações, analisando as reações das crianças quando um adulto fingia estar bravo ou chateado. E o resultado, que foge do que a gente normalmente pensa – que filho mais novo aprende com o mais velho – foi de que tanto o mais velho quanto o mais novo contribuem para o desenvolvimento um do outro. “Nossas descobertas enfatizam a importância de levar em consideração como todos os membros de uma família, não só os pais, contribuem para o desenvolvimento de uma criança”, comentou Sheri Madigan, professora de psicologia e coautora do estudo.

Ombro amigo

Amigos vêm e vão, mas família é para sempre. Para você ter ideia, uma pesquisa feita pela Penn University, nos Estados Unidos, mostrou que irmãos tendem a passar 33% da vida juntos. E provavelmente esse é um dos principais motivos porque você pensou, está pensando ou até mesmo levou o susto (a gente sabe que acontece!) com a chegada do segundo filho. É uma confusão de sentimentos mesmo, para a família toda, e é extremamente normal. Seu filho vai sentir felicidade e tristeza, achar bom e ruim, e olhar para a situação sem entender direito. E é a maneira como os pais percebem e lidam com esses sentimentos que vai fazer a diferença nas relações que vão se estabelecer, tanto entre pais e filhos como entre os irmãos.

E se você está procurando por mais um motivo para dar o grande passo, aí vai: crianças que têm irmãos sofrem meos com conflitos familiares. Essa foi a conclusão de um estudo feito em conjunto pelas universidades de Rochester, de Nebraska-Lincoln e de Notre Dame. E Patrick Davies, professor de psicologia da Universidade de Rochester, que liderou a pesquisa, observou: “A maioria das crianças passa mais tempo interagindo com irmãos do que com qualquer outro membro da família”. Não dissemos?

Ou seja, ao presenciar brigas entre os pais, as crianças ficam mais angustiadas, ansiosas e podem até se tornar pessoas agressivas, reproduzindo o que acontece dentro de casa ou ter problemas de saúde mental na adolescência. No entanto, aquelas que têm bons laços com seus irmãos ficam protegidas desses sentimentos e de possíveis problemas maiores no futuro. “Irmãos podem se tornar cúmplices e se apoiar em situações difíceis. Mas isso depende de como a família se organizou para acomodá-los”, esclareceu a psicanalista Maria Cecilia Pereira da Silva, mãe de João e Maria, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

E, ainda segundo a pesquisa, esses efeitos positivos foram semelhantes independente das idades e combinações de
gêneros. “Manter bons relacionamentos com os irmãos pode aumentar as habilidades de resolução de problemas e
até neutralizar os riscos associados à experiência de vivenciar conflitos não resolvidos entre os pais”, explicou Meredith Martin, professora-assistente de psicologia da Universidade de Nebraska-Lincoln e coautora do estudo.

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