O que o cocô do seu filho está tentando te dizer: saiba tudo sobre cor, consistência e os possíveis problemas

Acredite se quiser: o cocô pode revelar muita coisa sobre a saúde das crianças. Saiba em que você deve prestar atenção e quais podem ser os sinais de alerta

Resumo da Notícia

    • As fezes são um ótimo indicador de como anda o organismo
 
    • O cocô das crianças muda de cor, formato e consistência, dependendo do tipo de alimentação, da idade e da fase do desenvolvimento
 
    Nem toda alteração nas fezes é motivo para procurar um pediatra logo de cara
Na hora de trocar a fralda ou de acompanhar as crianças no banheiro, é bom ficar de olho não só na cor do cocô, mas também no seu formato e na sua consistência (Foto: Getty Images)

Ninguém gosta de falar sobre cocô, mas quando o assunto é a saúde das crianças, essa é uma conversa mais do que necessária. As fezes são um ótimo indicador de como anda o nosso organismo. Elas podem dar algumas pistas se as coisas vão bem ou não – e isso também vale para o seu filho.

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Para conseguir interpretar os sinais, é preciso sempre “fiscalizar” e prestar atenção. Na hora de trocar a fralda ou de acompanhar as crianças no banheiro, é bom ficar de olho não só na cor do cocô, mas também no seu formato e na sua consistência. E, se alguma coisa parecer diferente, não é preciso se desesperar: nem toda alteração nas fezes é motivo para procurar um pediatra logo de cara.

A seguir, te contamos o que você pode esperar do cocô do seu filho em cada fase do desenvolvimento e explicamos quando é caso de buscar ajuda de um especialista:

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O que é um cocô “saudável”?

O cocô das crianças muda muito de cor, formato e consistência. Tudo depende do tipo de alimentação, da idade e da fase do desenvolvimento em que ela está.

Seis primeiros meses de vida

Enquanto os bebês estão em aleitamento materno exclusivo – ou seja, só se alimentam do leite da mãe –, o cocô tem algumas características bem específicas.

  • Cor: amarelo ou marrom bem clarinho;
  • Consistência: líquida. Enquanto o bebê só se alimentar de leite materno, é completamente normal que o cocô tenha uma aparência mais aquosa (não precisa se preocupar: não é diarreia);
  • Cheiro: não tem cheiro ruim;
  • Frequência: nessa fase, os bebês costumam evacuar a cada mamada, aproximadamente 6 ou 7 vezes por dia. Pode ser que algumas crianças demorem um pouquinho mais para fazer cocô e evacuem 1 vez a cada 2 ou 3 dias. Mas, nessa situação, o cocô é pastoso e vem em bastante quantidade. Se for o caso do seu filho, observe se ele está mamando o suficiente e ganhando peso normalmente. Se sim, não há com que se preocupar.

Dos seis meses aos dois anos

Assim que o bebê começa a se alimentar de outras coisas além do leite da mãe, o cocô já começa a ganhar outras características. Depois de introduzir fórmula, papinhas e outras comidas na alimentação, as fezes mudam e ficam mais consistentes.

  • Cor: deixa de ser amarelado e passa a ficar mais escuro, próximo ao marrom;
  • Consistência: pastosa. Nessa fase o cocô não deve ser nem duro e nem líquido. Pode ser que você encontre pedacinhos de alimentos. Se as fezes começarem a ficar ressecadas ou a “empelotar”, é importante alertar o médico, para fazer mudanças na dieta e entrar com medicação, se for o caso;
  • Cheiro: forte. O cocô já começa a cheirar como as fezes de um adulto;
  • Frequência: a criança deixa de fazer cocô tantas vezes por dia. O tempo entre um cocô e outro fica mais espaçado. É quando as crianças podem começar a apresentar constipação intestinal (intestino preso). Se seu filho mostrar desconforto ou dor na hora de evacuar, é hora de procurar um médico para entender o que está acontecendo.

Depois do desfralde

Após a criança deixar as fraldas, o cocô muda mais uma vez: ele passa a ser ainda mais consistente e mais parecido com o dos adultos.

  • Cor: normalmente, é próxima ao marrom. Mas pode variar, de acordo com a alimentação;
  • Consistência: num geral, o cocô tem formato de salsicha, como se fosse um cilindro fino. A consistência ainda deve ser pastosa. Se o cocô sair muito grosso, “empelotado” ou em bolinhas, é bom consultar um médico;
  • Cheiro: forte. O cocô já cheira como as fezes de um adulto;
  • Frequência: leva mais tempo entre um cocô e outro. Mas, assim como acontece com os adultos, cada organismo tem um ritmo próprio. Aos poucos, você vai entender qual é o hábito intestinal do seu filho. Vale a mesma regra: se ele apresentar dor, desconforto ou dificuldade para evacuar, é sinal para conversar com o pediatra.
Se o cocô apresentar cor, formato ou consistência que fuja muito do normal, é preciso procurar um médico (Foto: Getty Images)

Quando devo me preocupar?

O cocô às vezes é o primeiro sinal de o que o organismo não vai bem. Algumas alterações nas fezes podem indicar sinais de quadros mais graves, como problemas hepáticos e hemorragias, por exemplo. Por isso, se o cocô apresentar cor, formato ou consistência que fuja muito do normal, é preciso procurar um médico. Acenda o alerta vermelho se o cocô do seu filho estiver branco, preto ou apresentar sangue ou muco. O excesso ou a falta de evacuações também merecem atenção.

Mas isso não significa que toda alteração nas fezes deve ser motivo para preocupação. Percebeu algo diferente no cocô do seu filho? Calma: pode ser algo passageiro e simples de ser resolvido. A recomendação é observar. Se demorar mais de 2 ou 3 dias para voltar ao normal, por via das dúvidas, vale consultar um pediatra.

Veja a seguir quais casos exigem mais atenção e a ajuda de um especialista:

Cor

A coloração das fezes muda dependendo da fase do desenvolvimento em que a criança está ou do que ela come. Por isso mesmo, o cocô pode variar entre amarelo, marrom e verde sem que isso represente necessariamente algum problema. Mas, quando o cocô for branco ou preto, é preciso acender o sinal de alerta e procurar um médico o mais rápido possível.

Cocô branco

Fezes brancas podem ser um alerta para problemas no fígado e nas vias biliares. Se perceber que seu filho está fazendo cocô esbranquiçado, avise o pediatra e marque uma consulta imediatamente.

Cocô preto

Fezes pretas, parecendo carvão, normalmente indicam alguma hemorragia. Elas ficam dessa cor justamente por conterem partículas de sangue. Se isso acontecer, a recomendação é a mesma: buscar ajuda e orientação médica.

Sangue e muco nas fezes

Não é normal encontrar sangue no cocô das crianças, seja na fralda ou no penico. Se acontecer, procure o pediatra para entender o porquê disso e se informar sobre o que fazer. O mesmo vale se aparecer muco ou “catarro” esbranquiçado no cocô. Eles podem ser uma pista para vários problemas, como proctocolite alérgica, por exemplo.

Acenda o alerta vermelho se o cocô do seu filho estiver branco, preto ou apresentar sangue ou muco (Foto: Shutterstock)

Diarreia

O nosso organismo pode variar entre períodos de evacuação normal, diarreia e constipação (intestino preso).

Quando os alimentos passam muito rápido pelo intestino, as fezes perdem a consistência, ficam mais líquidas e o número de evacuações aumenta. É o que chamamos de diarreia.

Depois da introdução alimentar, fazer cocô pastoso muitas vezes por dia também pode ser um sinal alerta. Nesse caso, é preciso prestar atenção se a diarreia vem acompanhada de outros sintomas. Se seu filho também apresentar febre ou vômito, muito provavelmente trata-se de uma diarreia infecciosa, causada por vírus ou bactérias. Pode levar cerca de 5 dias para passar.

Se a diarreia durar mais de 14 dias, é preciso buscar um médico e investigar as causas mais afundo. Pode ser um indício de alergias alimentares ou irritação intestinal, por exemplo. E lembre-se sempre: especialmente no caso das crianças, manter a hidratação é fundamental.

Intestino preso

Algumas crianças têm o intestino “mais preguiçoso” e não fazem cocô todos os dias. Isso é comum e acontece porque cada organismo tem um ritmo próprio. Você só precisa se preocupar se a frequência ficar muito mais espaçada do que é o normal para o seu filho. Mais de dois ou três dias de intervalo já exigem um olhar mais atento. Outros sintomas também merecem atenção: cocô ressecado, gases em excesso, sangramento e dor para evacuar são motivo para buscar ajuda e consultar a opinião de um médico.

Fonte: Vera Lúcia Sdepanian | Presidente do Departamento de Gastroenterologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e Professora de Gastroenterologia Pediátrica da Escola Paulista de Medicina (Unifesp)

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