Brasileira que mora na Itália faz apelo sobre coronavírus: “Não cometam os mesmos erros que nós”

A bióloga Sabrina Simon deu detalhes sobre a situação no país após quatro semanas de quarentena obrigatória e contou sobre as “fases” que os italianos vivenciaram em isolamento

Resumo da Notícia

  • A Itália  é o país que mais tem mortes pelo coronavírus, atrás apenas da China
  • Sabrina Simon, bióloga brasileira que mora na Itália, dá detalhes de como foi enfrentar a quarentena no país
  • Ela fez um desabafo e pediu que o Brasil aprenda com o exemplo para não passar pelas mesmas situações
Sabrina Simon contou em detalhes todas as “fases” que os italianos vivenciaram em isolamento e as que devem se seguir a partir de agora (Foto: Reprodução/Instagram/@sabrina_ssimon/Getty Images)

Sabrina Simon, filha de Ilda e Benício, mora na Itália há seis meses. A bióloga conta que nunca viu nada parecido com a situação de pandemia do coronavírus que está enfrentando. Segundo ela, o país está em silêncio e foi invadido por um sentimento de insegurança. Na quarta semana em quarentena, ela entende que o mundo está enfrentando uma situação muito complicada, mas que irá passar. Depois de três dias consecutivos com uma queda no crescimento de casos no país, ela se diz otimista: “Estamos enxergando uma luz no fim do túnel”. 

Em entrevista para a Pais&Filhos, a brasileira contou em detalhes todas as “fases” que os italianos vivenciaram em isolamento e as que devem se seguir a partir de agora. “A primeira foi um clima de férias, bem relaxado. As escolas e universidade suspenderam as aulas na véspera e, no dia seguinte, todo mundo foi para o mercado e limpou as prateleiras. Como os casos não cresceram, pensamos que era exagero e as pessoas continuaram saindo de suas casas”, explica. 

A segunda fase teve início quando a quantidade de infectados pela doença começou, de fato, a subir. “Mesmo assim, tínhamos a ilusão de que a coisa não se tornaria tão grave. Havia esperança, achávamos que seria breve. Foi nesse momento que surgiram os famosos vídeos da população cantando na sacada. Tinha tédio, mas estávamos fazendo vídeos engraçados”, comenta. 

Conforme a pandemia progrediu, caiu a ficha de que o assunto era muito mais sério do que imaginavam, e isso deu início à terceira fase. “Entendemos que o recolhimento não tinha sido suficiente e precisava mais. Acabou a cantoria, as postagens nas redes sociais e ficamos inseguros em relação ao futuro. Nesse período entendemos que a quarentena não seria rápida, e o silêncio foi a nossa resposta”, desabafa. 

Vídeos de festa pela sacada circularam o mundo (Foto: reprodução / vídeo WhatsApp)

Sabrina entende que o país está em transição desta terceira fase para uma quarta, em que ainda estão em isolamento, mas começam a perceber concretamente que a situação irá acabar. “Essa é uma fase de esperança, em que percebemos que os números começam a cair e voltamos a fazer planejamentos futuros para um recomeço. Isso desperta um sentimento de motivação para lutar”, comemora.  


A bióloga vê a quinta e última fase do processo como o fim da quarentena. “Seria um período de adaptação ao novo normal e deve se estender por muitos meses”. Durante todo o isolamento, ela conta que as autoridades veicularam campanhas publicitárias para cultivar o sentimento de esperança na população e mostra a importância dessa iniciativa: “A esperança é um combustível para ação e é dela que precisamos agora, mais do que nunca”. 

Sobrevivendo à quarentena

Não foi fácil ficar trancada em casa por quase um mês. No decorrer dos dias, Sabrina fez algumas adaptações para garantir a saúde mental. A primeira foi filtrar as fontes e quantidades de informação: “Escolhi dois canais e partes do dia específicos para me informar”. A outra foi criar e realizar um projeto específico. “Algo que você coloca prazo e metas a serem alcançados, é uma forma de fazer o cérebro funcionar”. Junto disso, ela garante que também é fundamental manter a rotina

Apesar de todas as dificuldades, Sabrina vê a situação mundial como algo muito além da doença em si. “É uma oportunidade para refletir sobre o nosso modo de vida e descobrir algo muito maior. A pandemia vai passar, mas deixou muitas lições e oportunidades para aprender como seres humanos e sociedade”, afirma. Ela brinca que é muita coincidência esse acontecimento no primeiro ano da década da “ação”: “É como se desse pane no computador para a gente recomeçar. Tudo o que fizermos depois vai determinar o futuro: se vamos mudar de fato ou só reproduzir o que já foi feito”.

Ela pede que os brasileiros sigam o isolamento domiciliar (Foto: Getty Images)

É hora de parar e refletir. “É um recado que não serve só para esse momento, mas para a vida. Aprenda com o exemplo, nesse caso, o nosso. Os brasileiros tiveram o privilégio de ver outros lugares antes. Na Itália, passamos por essas fases sem podermos nos preparar, sem saber o que viria pela frente. Os brasileiros podem impedir que a pandemia se alastre e evitar passar por todas essas fases. Não cometam os mesmos erros que nós, planejem-se. Se fizermos direito, isso irá passar mais rápido”, finaliza.   

Situação na Itália 

Com 74.386 casos confirmados da doença e 7.503 mortes, o país se tornou o epicentro da doença. Na tarde desta quinta-feira (26), o Ministério da Saúde italiano divulgou esses novos números e indicou que o mundo está quase atingindo 500 mil confirmados com coronavírus. Mesmo com todos os cuidados já mencionados por Sabrina, a realidade no país está complicada. A quarentena oficial por enquanto tem prazo até o dia 3 de abril, mas a bióloga acredita que irá se estender diante das notícias.

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