Diástase abdominal: saiba se você tem e tire todas as dúvidas sobre o assunto

Com a transformação do corpo, a situação pode aparecer logo no pós-parto. Para esclarecer tudo, conversamos com especialistas, que deram dicas de ouro para evitar a flacidez abdominal

Resumo da Notícia

  • Saiba identificar se você tem diástase
  • Entenda como prevenir o problema, mais comum no pós-parto
  • Tire todas as dúvidas sobre o assunto

Durante a gravidez, o corpo passa por diversas transformações, podendo resultar na diástase abdominal, que é o afastamento dos músculos. Mais comum no pós-parto, o problema traz diversos riscos à saúde, além de causar complicações na autoestima da mulher por conta da aparência de abdome estufado.

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A diástase pode aparecer após qualquer gestação (Foto: iStock)

Para tirar todas as dúvidas sobre o assunto, conversamos com Gizele Monteiro, especialista em diástase, e Bianca Vilela, mestre em fisiologia, palestrante e fundadora da Bianca Vilela Saúde e Performance, e filha de Regina e Ildemar. Com dicas de ouro, elas explicaram como prevenir o problema e o que fazer caso ele apareça.

O que é diástase abdominal?

É quando acontece um aumento da pressão intra-abdominal, afastando os músculos. No caso das grávidas, com o crescimento do útero, pode estirar os músculos abdominais e, devido à frouxidão da linha alba e dos retos abdominais separados, um espaço de até 10 cm pode surgir entre os dois ventres do músculo reto ao final da gestação. “A diástase é a principal causa de flacidez abdominal e dores lombares pós-parto e deve ser prevenida e/ou tratada para que não cause danos maiores à saúde”, orienta Bianca.

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É possível identificar os sintomas?

Sim! Além da barriga estufada, o principal sintoma é uma saliência na linha alba acima ou abaixo do umbigo. Geralmente, pode ser notado ao contrair ou flexionar o tronco. Além disso, dores na região lombar também pode ser um alerta para o problema.

Teste de diástase

Você sabia que é possível fazer um autoteste para te ajudar a identificar a diástase? Segundo Gizele Monteiro, os passos são simples e podem ser feitos em casa.

  1. Deite de costas no chão – joelhos dobrados e pés no chão.
  2. Levante a cabeça como se fosse realizar um exercício abdominal, certificando-se de que seu tronco (seu olhar) se direciona para o quadril.
  3. Posicione uma mão no centro da sua barriga. Esta linha central entre os músculos é que deve ser avaliada.
  4. Pode colocar uma mão atrás da cabeça se sentir que é mais confortável. A outra irá examinar sua barriga, com a ponta dos dedos, em toda a linha central dela. Faça devagar e sem ficar cutucando. Você deve fazer o movimento de pressão e suave.
  5. Examine próximo ao seu umbigo, mas também para cima e para baixo dele, passando os dedos por toda a linha alba, procurando um local onde você sente que seus dedos irão afundar. A região em que sua mão afunda é a diástase.
  6. Deslize e apalpe com a ponta dos dedos, para cima e para baixo, toda a sua linha central entre os músculos, fazendo sentir os lados esquerdo e direito de seu músculo reto abdominal e analisando se existe uma distância entre eles acima de 1 ou 1,5 dedos ou se existe uma região que apresente uma depressão, onde parece que seus dedos afundam um pouco mais. Se encontrar essa separação ou uma região que esteja afundando seus dedos, avalie com os dedos todas as medidas desse rompimento (para te ajudar a identificar as medidas, a especialista possui um ebook gratuito (para ter acesso, clique AQUI):
  • largura (de quantos dedos é a depressão);
  • comprimento (quantos dedos ela tem);
  • profundidade (quantos dedos tem)

A diástase pode trazer riscos à saúde?

Infelizmente, sim. Os mais comuns, segundo a fisiologista, são: fraqueza muscular, dores nas costas e alterações na postura, além de causar outros problemas associados como, por exemplo, incontinência urinária e fecal e queda da autoestima.

“Além da insatisfação estética de abdome estufado e barriga com aparência de ainda ‘gestante’ que é sem dúvida a queixa principal das mulheres. Estudos revelam que quatro em cada dez mulheres relatam persistência de LBPP (dor lombar pélvica) meio ano após o parto”, reforça.

Os 4 tipos mais comuns de diástase:

  • Barriga pochete: o estado debilitado do períneo, que fica na base do púbis. A baixa complexidade pode fazer com que a recuperação seja mais rápida.
  • Barriga avental ou caída: geralmente, neste caso a diástase fica na região inferior do abdômen ou geral, abrangendo toda a barriga. Geralmente é associada ao sobrepeso.
  • Umbigo para fora: acontece quando a diástase fica na região central do abdômen, causando o aspecto de umbigo saltado. É necessário acompanhamento médico e somente um procedimento cirúrgico pode reverter o quadro.
  • Estômago alto e estufado: neste caso, a diástase é superior e fica acima da região do umbigo. Exercícios posturais podem auxiliar na melhora do caso.

Pode acontecer em qualquer gestação, ou apenas na primeira?

A diástase abdominal pode aparecer em todas as gestações, por isso é importante prevenir o quanto antes. “E a cada nova gravidez ela piora, além de poder afetar mais a estética e a diástase romper mais aumentando o tamanho da barriga, flacidez de pele e tônus dos músculos muito baixo”, explica Gizele.

O problema é mais comum no pós-parto (Foto: Shutterstock)

Como prevenir?

Bianca comenta que as principais orientações pra prevenir a diástase são: ajustar a postura de como sentar, levantar, deitar, amamentar, segurar o bebê e colocá-lo no berço. Vale lembrar que o intuito é de sempre proteger a coluna.

“Estimular a atividade física segura durante a gestação e no pós-parto supervisionadas por um profissional especializado são fundamentais, De acordo com Kate Bowman, especialista e biomecânica e autora do livro “Diastasi rectil”, se houver diástase, neste período de reabilitação, deve-se evitar exercícios abdominais convencionais, principalmente os de rotação de tronco e quadril, alongamento lateral ou da cintura, pois os mesmos podem contribuir para o aumento da diástase”, comenta.

Evitar o ganho excessivo de peso também é uma forma de prevenção. “É importante que a gestante entenda a diferença entre prevenção e tratamento; sendo o segundo muito mais complexo”.

Existe tratamento?

Existe, e quanto antes ele acontecer, melhor! A partir dos exercícios certos e direcionados, além da reorganização e recuperação do corpo, é possível reverter a diástase. Portanto, é importante tonificar a musculatura abdomino-perinea, favorecer a estabilidade espinhal, adequar a postura, prevenindo qualquer tipo de hérnia, regular fatores respiratórios, entre outros, mas sempre com a orientação de um profissional.

Vale lembrar que as cirurgias de diástase devem ser feitas apenas em último caso, pois “ela não fortalece os músculos fracos. A cirurgia apenas costura a diástase, retira o excesso de pele, mas não recupera a força, equilíbrio muscular e nem reorganiza postura e pelve”.

O problema não pode ser ignorado!

Se a diástase for diagnosticada e ignorada, Rô Nascimento, educadora física especializada em gestantes e puérperas, faz um alerta para o que pode acontecer com o corpo: abdômen fraco e com um buraco, dor na região lombar, fraqueza no assoalho pélvico, perda de urina ao rir, tossir, espirrar, pular e agachar, dor na relação sexual e prisão de ventre. “O ideal é fazer um trabalho de prevenção, mas é possível recuperar no pós-parto e mesmo algum tempo depois”, explica.

Superação

Para Daniela Cacciola, mãe de Alice, Arthur e Victoria, a diástase abdominal aconteceu na terceira gestação. “Eu nunca tinha usado maiô na vida e quando via aquela barriga frouxa e aquele estômago alto sai correndo para comprar, pois jamais imaginaria que voltaria a usar meus biquínis. Os shorts apertavam muito e quando eu comia, parecia que minha barriga estufava na hora. Sentia uma sensação de órgãos frouxos”, lembrou.

Já para Nádia Franco Azevedo, mãe de Pedro e Felipe, o problema aconteceu em 2018. Com a descoberta, ela procurou ajuda e recebeu todo o suporte para iniciar o tratamento. “Eu tinha escapes de xixi com muita frequência, eu não podia nem espirrar”, contou.

Felizmente, com a orientação de Gizele Monteiro, as mães conseguiram recuperar a autoestima e se sentiram motivadas a influenciar que outras mulheres também procurem ajuda. “Estou realmente orgulhosa”, comentou Daniela. “Com os exercícios certos, os resultados já aparecem na primeira semana”, concluiu Nádia.

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