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Sarampo: tudo o que você precisa saber para proteger a sua família

A doença aumentou 164% em 19 dias na capital paulista

Giovanna de Boer

Giovanna de Boer ,filha de Karen e Christiano

São Paulo registrou neste ano 363 casos de pessoas com sarampo (Foto: Getty Images)

A cidade de São Paulo registrou neste ano 363 casos de pessoas com sarampo, além de 800 casos em investigação, disse o prefeito, Bruno Covas. Somente nesse mês, foram registrados 226 casos, ou seja, um aumento de 164,9% nas três primeiras semanas de julho. A campanha de vacinação contra o sarampo, que teve início em 10 de junho, conta com 150,6 mil pessoas vacinadas, no entanto ainda é muito pouco. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a campanha que pretende vacinar 2,9 milhões de pessoas conta com somente 6% da população paulistana vacinada.

O prefeito, Bruno Covas, disse em entrevista coletiva, que o crescimento do número de casos se deve “em grande parte às fake news na internet”. Ele ainda culpou a baixa adesão à vacinação na cidade ocorrida neste sábado, 21 de julho, à divulgação de informações mentirosas sobre os efeitos da vacina.

Em entrevista para a imprensa na manhã de hoje, Covas afirmou que os casos se devem “em grande parte às fake news na internet”. Ele culpou a divulgação de informações sem comprovação científica pela baixa vacinação na cidade e convocou a presença dos “jovens adultos”, de 15 a 29 anos

Desde 2018 até janeiro de 2019, foram registrados 10.274 casos confirmados de sarampo. Os lugares com mais ocorrências são o Amazonas, que registrou 9.778 casos, e Roraima com 355. São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Bahia, Pernambuco, Pará, Sergipe e Distrito Federal, tiveram alguns casos isolados. Foram registrados 12 mortes causadas pelo sarampo: 6 no Amazonas, 4 em Roraima e 2 no Pará.

De acordo com o Ministério da Saúde, os surtos estão relacionados à importação. A Venezuela está com o surto da doença desde 2017 e já perdeu seu certificado de eliminação. O genótipo do vírus que está circulando no Brasil é o mesmo do país.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas (Unicef) mais de uma a cada 10 crianças, ou 20 milhões em todo mundo, ficaram sem vacinas que combatem doenças letais como sarampo. “As vacinas são uma de nossas ferramentas mais importantes para evitar surtos e manter o mundo seguro”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado.

As crianças com com idade entre 1 ano e menores de 5 anos precisam ser vacinadas, por fazerem parte do grupo de risco, mesmo que já tenham as duas doses da vacina. De acordo com o Ministério da Saúde 4, 1 milhões de crianças ainda precisam ser imunizadas pela vacina. Uma dúvida comum entre os pais, talvez tenha passado pela sua cabeça, é se o filho pode tomar uma terceira dose da vacina. Desta vez, a vacinação é feita de maneira indiscriminada, ou seja, a resposta é sim! Mesmo que a criança já esteja com a carteira de vacinação completa pode receber mais um reforço!

Restou dúvida?

De acordo com Isabela Garrido, assessora médica em imunização do Fleury Medicina e Saúde, filha de Maria e Sérgio, é preciso duas doses da vacina para estar completamente protegido contra a doença. O que acontece no setor público é a primeira dose ser dada aos 12 meses de vida, com a versão da tríplice viral, e a segunda, aos 15 meses, com a tetraviral. Isso vale para o ano inteiro.

Entretanto, com os surtos do sarampo em alguns estados brasileiros, o governo resolveu convocar a campanha para aumentar a cobertura da vacina e barrar a contaminação. E não tem problema se o seu filho já está vacinado, durante a campanha, ele poderá receber uma terceira dose da vacina para assegurar a proteção. Quanto mais, melhor!

O Ministério da Saúde também disponibiliza duas doses da vacina para as pessoas até 29 anos e uma dose para o grupo de 30 a 49 anos. Se você não está em dia com a caderneta de vacinação, pode procurar o posto de saúde mais próximo a sua casa.

E não esquece que a injeção é contraindicada para gestantespessoas com baixa imunidade (causada por alguma doença ou medicação) e crianças expostas ou infectadas pelo vírus HIV. Se surgiu alguma dúvida sobre qual grupo você e seu filho se encaixam, converse com o médico da família.

Por que se vacinar?

Essa é uma notícia muito triste para a gente, porque desde 2016 o sarampo era considerado erradicado no Brasil. Mas entre 1˚ de janeiro e 23 de maio deste ano, foram registrados 995 casos da doença no país, com um surto nos estados de Amazonas e Roraima, os dados são da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Isabela explicou que os pesquisadores estão dando para a volta do sarampo no Brasil é pelo fluxo de pessoas que estão imigrando da Venezuela para o Brasil, trazendo o vírus com eles. “Sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida por gotículas de saliva”, explica Isabela.

A especialista comentou com a gente que principal maneira de prevenção é através da vacina. Alguns movimentos de mães que decidem não vacinar as crianças são preocupantes para os médicos que entendem que a vacinação é a maneira mais eficaz de proteger as crianças de vírus como o do sarampo. “Qualquer não cumprimento rigoroso do calendário vacinal favorece a proliferação da doença”, alerta.

Quais os sintomas?

A fase inicial lembra um resfriado. A criança pode apresentar febre, coriza, tosse e até conjuntivite. “É característico que a partir do quarto dia o corpo mancha de vermelho, começando pela cabeça”, exemplifica Isabela. 30% das pessoas infectadas evolui para outras doenças mais sérias como a pneumonia. Não há uma medicação específica para tratar o vírus, o que dificulta a recuperação.

  • Febre alta, acima de 38,5°C;
  • Dor de cabeça;
  • Manchas vermelhas, que surgem primeiro no rosto e atrás das orelhas, e, em seguida, se espalham pelo corpo
  • Tosse;
  • Coriza;
  • Conjuntivite;
  • Manchas brancas que aparecem na mucosa bucal conhecida como sinal de koplik, que antecede de 1 a 2 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas

Quais são as complicações do sarampo?

As complicações mais comuns do sarampo são:

  • infecções respiratórias;
  • otites;
  • doenças diarreicas;
  • doenças neurológicas.

É durante o período exantemático que, geralmente, se instalam as complicações sistêmicas, embora a encefalite possa aparecer após o 20º dia.

Como o sarampo é transmitido?

A transmissão do sarampo ocorre de forma direta, por meio de secreções quando tosse, espirra, fala ou respira. Por isso, o contágio da doença é muito grande.  O período de maior transmissibilidade ocorre dois dias antes e dois dias após o início do exantema. O vírus vacinal não é transmissível. O sarampo afeta, igualmente, ambos os sexos.

Como é feito o tratamento do sarampo?

Não existe tratamento específico para o sarampo. Mas Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda administrar a vitamina A, em todas as crianças, no mesmo dia do diagnóstico do Sarampo, nas seguintes dosagens:

  • Crianças menores de seis meses de idade – 50.000 Unidades Internacionais (U.I.): uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
  • Crianças entre seis e 12 meses de idade – 100.000 U.I: uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
  • Crianças maiores de 12 meses de idade – 200.000 U.I.: uma dose, em aerossol ou cápsula, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.

Para os casos sem complicação é importante manter a hidratação e a ajuda nutricional. Muitas crianças precisam de quatro a oito semanas, para recuperar o estado nutricional normal. As complicações como diarreia, pneumonia e otite média, devem ser tratadas de acordo com normas e procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Informações retiradas do site do Ministério da Saúde

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