Dor de crescimento existe, sim! Saiba o que é, como identificar e aliviar o desconforto nas crianças

O desconforto pode durar de poucos minutos até horas e atrapalhar a vida da criança

(Foto: Getty Images)

Se o seu filho te acorda no meio da noite falando que está com dor na perna, não se engane. Ele não está só querendo carinho ou faltar na aula do dia seguinte. Pode ser dor do crescimento! Por mais que não exista qualquer comprovação científica que esse desconforto está relacionado ao crescimento das crianças, a dor realmente existe e seu filho pode sofrer com ela.

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“Apesar de não haver uma causa que seja comprovada cientificamente para o aparecimento das dores, existem várias teorias, como, a de que os ossos cresceram mais rápido do que os músculos e tendões, causando uma sobrecarga. Outra hipótese é que seria provocada pelo excesso de atividade física e, que pode ser um problema hereditário, também, porém sem confirmações para ambas as causas”, explica Claudia Goldenstein Schainberg, médica especialista em reumatologia.

As dores podem percorrer todo o período de crescimento até os 18 anos, porém ocorre frequentemente na faixa dos 5 e 10 anos. Nos dias que a criança pratica mais exercícios ou passa muito tempo brincando, os incômodos podem aparecer na hora de dormir ou no meio da noite, causando até perda de sono por conta da dor intensa. Estatisticamente, entre 3% e 37% das crianças sofrem com dor do crescimento. Cerca de 15% da demanda das consultas pediátricas acontecem por causa do problema. 

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De onde vem?

“Não há qualquer indício científico que este sintoma esteja de fato relacionado com o crescimento. No entanto, a dor é verdadeira, as crianças realmente sentem. A origem não é totalmente conhecida. Alguns fatores podem estar associados à hipermobilidade articular (articulações mais flexíveis), maior sensibilidade, estresse, problemas de sono e história familiar de dor”, explica Dr. Claudio. 

Alguns estudos mostram que crianças com deficiência de Vitamina D, baixa densidade mineral óssea, síndrome das pernas inquietas, baixo limiar de dor e que foram amamentadas com o leite materno por menos de 40 dias são mais propensas a apresentar essas dores, de acordo com o ortopedista Rui Maciel Godoy, pai José Rui, Juliana e Mariana.

A origem do desconforto também pode ser predominantemente biomecânica, infecciosa, inflamatória ou autoimune, o que mobilizará específicas áreas médicas que o reumatologista saberá exatamente qual te direcionar. “Normalmente os sintomas deste âmbito se baseiam em dores nas articulações, cansaço e dificuldades para se movimentar”, explica Claudia.

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Como diagnosticar?

O diagnóstico é feito por exclusão. Os especialistas consideram dor de crescimento os incômodos que, depois de uma investigação criteriosa, não apresentam uma causa determinada. 

É importante lembrar que o diagnóstico deve ser realizado pelo pediatra e ortopedista. O médico vai fazer um exame físico cuidadoso e, em casos de dúvida, radiografias e exames de sangue. Isso é muito importante, porque outras complicações podem ser confundidas com a dor do crescimento, como a osteomielite, infecção nos ossos, e alguns tipos de câncer, como a leucemia, que pode se manifestar com dor nas pernas ou nos braços.

Onde dói mais?

A dor é mais comum nas pernas e nos pés, mas pode ocorrer também na região das virilhas, coxas, joelhos ou em outros locais menos comuns, como braços, mãos e costas. Na maioria das vezes ocorre nos dois lados, direito e esquerdo, mas pode ser observada apenas em um dos lados. Em alguns casos ela é “difusa”, ou seja, as crianças não conseguem localizar o local exato de dor. 

O desconforto existe e pode durar de poucos minutos até horas e atrapalhar a vida da criança. O crescimento ocorre principalmente no período noturno. Seu filho pode, inclusive, acordar de noite reclamando de dor. Por essa razão, algumas crianças dormem mal. 

Por quanto tempo a criança pode sentir essa dor?

A dor de crescimento pode durar meses ou até mesmo anos. E ela vai e vem. Algumas crianças podem ficar semanas sem dor, mas tende a voltar. Normalmente, cada episódio de dor dura poucos minutos, mas pode se estender por uma ou duas horas. Em 70% a 80% das vezes desaparece lentamente ao longo dos anos, mas pode durar até a vida adulta. Uma dor que é fraca e passa a ser forte de uma hora para a outra deve chamar a atenção dos pais para que procurem assistência médica.

É importante saber diferenciar essa dor de um sintoma mais sério, por isso o pediatra alerta. “Caso apareça febre, vermelhidão, mal estar, cansaço excessivo ou qualquer outro sinal que permaneça por muito tempo, poderá ser algo a mais”, afirma Marcelo Reibscheid, pediatra no hospital São Luiz, pai de Bruno e Theo. Se você identificar algum desses sintomas, o melhor a fazer é procurar por um especialista. Já a dor do crescimento é normal e não precisa ser motivo de preocupação.

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Quando a dor pode significar algo mais sério?

A criança com dor de crescimento geralmente está em ótimo estado e desempenha bem suas funções. A dor não interfere nas atividades diárias. No entanto, em 1% a 2 % dos casos o incômodo pode estar relacionado a doenças mais sérias, como as reumáticas, infecciosas e oncológicas. Já a osteomielite, infecção nos ossos e alguns tipos de câncer, como as leucemias, podem se manifestar como dor nas pernas ou nos braços, mas são raras.

Como aliviar a dor?

Não há prevenção para este incômodo e, para amenizar o problema, é necessário um tratamento afetivo com as crianças, ou seja, permanecer ao seu lado e lhe prestar atenção quando estiverem com dor. “Massagens, bolsa de água quente, alongamentos, hidratação e analgésicos podem amenizar o desconforto”, reforça Claudia.

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