Meditação na infância: dicas (práticas!) para deixar seu filho mais relaxado e evitar a ansiedade

Saúde mental é assunto sério e a discussão para o bem-estar dentro de casa é essencial. Para te auxiliar a passar (bem) por essa fase, mostramos como o mindfulness e a mudança no ambiente familiar pode mudar tudo

Resumo da Notícia

  • Saiba como a meditação pode melhorar o ambiente em família
  • Veja como identificar a hora de pedir ajuda a um profissional
  • Aprenda na prática como introduzir a meditação na rotina

Com a pandemia, as incertezas e mudanças na rotina familiar podem causar certo impacto e aumento do estresse nas crianças. Para ajudar seu filho a passar por essa fase, tiramos as principais dúvidas sobre o assunto e te contamos como a meditação pode influenciar positivamente uma postura mais tranquila dentro de casa.

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Criar um ambiente tranquilo faz toda a diferença (Foto: iStock)

Em uma conversa com a cardiologista pediátrica e integrativa, Renata Isa Santoro, mãe de Francisco e Laura, descobrimos um guia (na prática!) de como você pode incentivar a meditação com as crianças. A partir do passo a passo, elas ficarão mais tranquilas, além de criar um ambiente bastante aconchegante para a família.

Quais são os sinais de que meu filho pode estar com ansiedade?

Geralmente, é mais comum que as crianças fiquem preocupadas com assuntos relacionados a escola, família ou deles mesmos, segundo Renata. “O problema é quando essa preocupação se torna algo exagerado e, podemos perceber quando a forma como a criança lida com suas preocupações chama a atenção de algum adulto familiar ou cuidador ou, quando isso começa a limitar a vida desses pequenos como dificuldade no convívio social e reações exageradas a pequenos problemas”, define a especialista.

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Como alerta, ela explica que quando isso vai além de algo passageiro, a pessoa questiona e reage aos acontecimentos da vida cotidiana e passa a ser algo pesado, que traz sofrimento. É possível notar que há algo de errado quando a criança passa a ter medos não identificáveis como, por exemplo, medo de dormir sozinha e quando estiver dormindo algo terrível aconteça, medo de se afastar dos pais, medo que algo ruim aconteça a qualquer momento. A médica identifica também os sinais de perda ou aumento expressivo do apetite, medos e preocupações excessivas, que podem dificultar na realização de diversas atividades.

Como lidar com essa mudança de comportamento?

De início, a família pode ficar confusa em como agir com essa alteração de humor e não entender que é uma forma dela pedir ajuda. “Muitas crianças passam muito tempo com ansiedade pois não são diagnosticadas e acabam desenvolvendo outros transtornos como depressão ou fobias sociais o que traz mais dificuldades familiares pois a criança sente-se insegura fora de casa, não quer se afastar dos pais, não se diverte e tem pensamentos de fuga e medo”.

Como conselho, Renata orienta que os pais se mostrem bastante pacientes e levem a criança ao pediatra ou médico da família para conversar sobre o que está acontecendo. “Quando necessário, pode ser solicitado alguns exames que irão diferenciar se os sintomas são realmente físicos ou causados pelos transtornos da ansiedade”.

As crianças podem absorver os reflexos do ambiente familiar

Por isso, é tão importante ficarmos de olho no modo em que agimos. “Às vezes as brigas são por algo superficial e sem valor para os adultos, mas a criança não é a razão, ela é o sentir, e então ela sente o desafeto, o desamor, não sabe lidar com isso e com o tempo passa a achar que pode perder o amor dos pais, fica ansiosa, irritada e quer chamar atenção com situações de birra“.

Dependendo da idade, as crianças ainda não têm o discernimento para refletir uma briga familiar, por exemplo, e acaba absorvendo o assunto para si. “Quem tem criança em casa precisa ter a responsabilidade de tentar manter uma transparência afetiva, sem falsidade mas tomando cuidados de que você está sendo o exemplo de uma personalidade que está se formando ali, e isso é uma responsabilidade muito grande e sagrada”, explica.

Ser paciente e entender os motivos do seu filho é o primeiro passo pra melhorar o vínculo em família (Foto: iStock)

A meditação traz benefícios para toda a família

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a meditação “mindfulness“, que é a prática de atenção plena, já é recomendada no Documento Científico do Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento. Para criar curiosidade nas crianças, crie um hábito diário e inclua a atividade na rotina.

Como outras alternativas para lidar com a ansiedade, é recomendado ainda: organização da rotina de sono, com horário e tempo satisfatório; tempo e conteúdo de tela controlados de forma saudável para a idade; brincadeiras que tragam diversão para a criança; tempo qualitativo com os pais; atividades físicas durante cerca de 60 minutos ao dia; atividades de lazer; técnicas de relaxamento ou “mindfulness”.

Passo a passo na prática!

De forma leve, a atividade deve ser inserida aos poucos na vida da família, sem que seja imposta como uma obrigação. Para a criação do vínculo, a cardiologista recomenda que os pais comecem a meditar antes das crianças, pois alimenta o autoconhecimento e a maneira de lidar com as mais diversas situações

O que você precisa fazer:

  • Prepare um ambiente aconchegante: você pode usar uma ramo de lavanda e até pedir para que a criança traga o seu bicho de pelúcia preferido para abraçar;
  • Coloque uma música tranquila: seu filho vai amar sons com barulho da natureza, pássaros e de água!
  • Hora de começar: peça que ela se sente ou deite em uma posição confortável e, em seguida, feche os olhos e sinta a respiração entrar e sair pelo corpo. Com a voz tranquila, conduza seu filho a relaxar os músculos. Para aprimorar ainda mais a experiência, você pode contar uma história tranquila para finalizar o processo.

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