Família

Pai escreve texto sobre os desafios de criar uma menina

"É impossível saber quem ou o que será a minha filha, e essa descoberta deve ser algo para se esperar"

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

"O que você fizer com ela, eu farei com você" é a regra que fez o pai refletir como vai cuidar da filha (Foto:Reprodução Globo Esporte)

“O que você fizer com ela, eu farei com você” é a regra que fez o pai refletir como vai cuidar da filha (Foto: Reprodução Globo Esporte)

Christopher Currie publicou em sua rede social que a esposa estava grávida de uma menina. Junto com a notícia ele usou aquela clássica imagem da camisa com as “regras para namorar minha filha”. Uma das linhas dizia “o que você fizer com ela, eu farei com você”. Na época era uma brincadeira, mas “agora minha filha tem quase seis meses de idade e a questão de como vou protegê-la de repente tomou mais relevância” afirmou em sua coluna no site Babyology.

“Minha filha nasceu dois anos após o nascimento do meu filho, e enquanto os primeiros dias foram parecidos, eu já começava a pensar nas diferentes maneiras que eu abordaria a criação de uma menina. Além das diferenças físicas (minha esposa foi a primeira a reparar, em uma troca de fralda, que “é tudo diferente lá embaixo!”), eu estou cada vez mais ciente das maneiras que eu adquiri de tratar minha filha de forma diferente.

Eu me peguei, nas primeiras semanas da vida da minha filha, pensando em sua aparência, examinando seus traços para indícios de que ela seria bonita ou não. Algo que eu nunca pensei com o meu filho. Que chocante a aparência da minha filha estar tão intrinsecamente ligada às minhas esperanças por ela. Aos seis meses, é claro, já há muito mais para se orgulhar do que sua aparência. Como sua personalidade incrível e feliz, sua determinação de se sentar sozinha, sua adoração inabalável pelo irmão, mesmo enquanto ele a acerta na cabeça com um brinquedo macio.

Como ser pai de menina: (Foto:Reprodução Ajax Thumbnail)

Como ser pai de menina: (Foto:Reprodução Ajax Thumbnail)

Neste estágio da vida da minha filha, ela não pode estar muito longe da minha esposa por longos períodos de tempo. Enquanto esse momento – papai sendo a ajuda, mas não a solução – estava presente com meu filho, dessa vez é diferente. Ela me tolera quando está acordada, mas não me deixa levá-la para dormir, não importa o que eu tente. Com meu filho esta foi uma das atividades em que me senti mais útil. Desta forma, nossas rotinas domésticas são regularmente separadas em “meninos” e “meninas”.

Embora eu saiba que isso é passageiro, reflete uma preocupação que eu terei mais tarde na vida, pois,  especialmente com as meninas, os pais geralmente não se vêem em uma mesma relação que as mães, mas simplesmente como apoio à elas. Este não é o pai que eu quero ser.

Pai de menina precisa se preocupar mais com o mundo (Foto: iStock)

Pai de menina precisa se preocupar mais com o mundo (Foto: iStock)

Sou um pai que presta extrema atenção às experiências e problemas dos meus filhos. Eu me preocupo com as coisas que acontecem com minha filha, mas felizmente por enquanto, essas preocupações estão limitadas à minha paranoia, relacionada principalmente a maneiras pelas quais eu – como um cérebro confuso – poderia ser negligente. Esses cenários são inevitavelmente ridículos, como uma águia gigante de repente pousasse no meu jardim, pegasse minha filha e levasse ela embora.

Algumas preocupações, no entanto, não são tão fantasiosas. É difícil criar uma filha de qualquer idade sem estar ciente do mundo em que ela está entrando. A situação já esteve pior, mas os homens estão finalmente começando a entender o que as mulheres têm de enfrentar todos os dias: assédio, julgamento,  violência de gênero. Como faço para criar uma filha sabendo que este é o universo dela?

Quando esses pensamentos ficam demais para mim, tenho que me lembrar de que tudo o que posso fazer, com meus dois filhos, é amá-los e cuidar deles da melhor forma possível, deixá-los cometer erros e apoiá-los quando o fizerem. Eu não deveria ser o cavaleiro branco da minha filha.

Por outro lado, eu não deveria me culpar por não querer que coisas ruins aconteçam com meus filhos. É impossível saber quem ou o que será minha filha, e essa descoberta deve ser algo para se esperar. Enquanto isso, continuarei a procurar no céu por águias gigantes”

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