Família

Seleção feminina: única mãe do time brasileiro desabafa sobre a dificuldade de conciliar maternidade e jogos

Tamires Dias é mãe de Bernardo e mora com a família na Dinamarca

Izabel Gimenez

Izabel Gimenez ,filha de Laura e Décio

Tamires é a lateral esquerda do time da seleção brasileira feminina (foto: reprodução / instagram)

A Copa do Mundo Feminina de Futebol, que acontece na França, já começou e o time do Brasil está indo com tudo! Com 2 vitórias e uma derrota, as meninas já garantiram a participação nas oitavas de final. Ao todo, 23 atletas foram convocadas pelo técnico Vadão para tentarem conquistar a tão cobiçada taça, mas uma em especifíco chamou nossa atenção.

Tamires Cássia Dias Gomes, que atua como lateral esquerda, é a única entre as 23 mulheres que jogam no time brasileiro que tem um filho. A mãe de Bernardo mora com a família na Dinamarca e largou tudo para poder viver seu sonho no futebol. A esportista joga pelo Fortuna Hjørring e arrasa nos campos. Em entrevista exclusiva para a Pais&Filhos, Tamires contou sua história de vida, as motivações e claro, sobre a família!

Tamires é uma pessoa muito ligada a família e tem uma rede de apoio incrível que sempre ajuda quando precisa. Por causa dos treinos e longas viagens de convocações, a jogadora por muitas vezes precisa se afastar do filho e se dedicar a carreira, mas se engana quem pensa que ela não é uma mãe presente! Muito pelo contrário, Tata aproveita cada segundo com o menino e se diverte quando está de folga. Dá uma olhada na nossa conversa:

Como começou sua história com o futebol?

Minha história no futebol começou quando eu era bem pequena, eu acho que é um dom que Deus em deu. Quando tinha 11 anos, lembro que fiquei encantada vendo a Cici jogar, me despertou um sonho de poder jogar pela seleção também, mas e não sabia como iria conseguir realizá-lo porque eu morava em uma cidade muito pequena. Quando eu tinha 14 anos, minha tia me chamou para morar em São Paulo com ela e eu sabia que era minha chance, meus pais me apoiaram muito e comecei a procurar alguns clubes lá. Foi quando tudo começou.

O sonho de criança que virou realidade (foto: reprodução / instagram)

Você descobriu a gravidez com 21 anos, normalmente esse é quando acontece o auge da vida dos jogadores. Como foi essa fase para você? Você pensou que teria que se afastar do esporte?

Eu conheci meu marido no Juventus, nós dois treinavamos lá e começamos a namorar. Depois de alguns anos veio nosso filho Bernardo. Quando eu descobri que eu estava grávida foi uma fase muito difícil, eu estava crescendo muito e eu pensei que o futebol teria terminado para mim, mas o apoio da minha família, marido, foi muito importante para que eu entendesse o momento que eu estava vivendo e tudo que vinha com a chegada de uma criança.

Hoje olhando para trás foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu na sua vida, ele é a minha razão de viver. Hoje eu sou uma mulher muito mais forte, uma mãe muito mais forte e uma atleta muito mais forte. Foi difícil, mas eu aprendi a lidar com isso. Na época eu não queria, mas hoje não consigo me imaginar sem.

Eu cheguei a pensar do esporte e precisei fazer isso durante a gestação. Depois que ele nasceu, eu entendi que quem tinha que cuidar era eu e meu marido, por isso, me afastei durante 1 ano dos campos e me dedicar a minha família. No final de 2010, eu recebi uma proposta para jogar no atletico mineiro e pensei muito sobre a oportunidade. O Bernardo já estava maior, era perto da cidade da minha família, então decidi aceitar e voltar com tudo.

Tamires é mãe de Bernardo (foto: reprodução / instagram)

Seu marido também é jogador e essa vida é meio frenetica, com as viagens, treinos, etc. Como vocês conciliam os horários para ficar com o Bernardo?

A gente sempre teve muita ajuda dos meus sogros enquanto morávamos no Brasil. Durante os treinos, as viagens, os avós do Bernardo sempre ficam com ele e nos ajudam a cuidar de tudo. Eu deixei o futebol por duas vezes para poder me dedicar a família e quando eu recebi a proposta para jogar na Dinamarca, o César entendeu que agora seria a hora dele, por isso, se aposentou do esporte e me acompanhou nessa nova etapa. Quem fica mais fora de casa hoje em dia sou eu e ele fica dando suporte e ajudando o Bê em tudo que precisa.

Como você faz para conciliar maternidade e o futebol?

Por sorte, eu tenho pessoas muito queridas do meu lado. Tanto meu marido, quanto meus sogros e meus pais. Se eu não tivesse eles, com certeza eu não iria conseguir. Sempre que eu precisei eles me apoiaram, cuidaram do meu filho e assim eu pude viajar tranquila, focar no meu trabalho porque sei que ele está feliz e bem cuidado, eu sinto tranquila. Quando eu estou com ele, procuro aproveitar ele ao máximo, brinco, estudo e fico muito presente. As vezes as convocações são longas, tem vezes que passo 1 mês fora de casa, mas eu tento curtir cada segundo quando estou por perto para que ele não esqueça que a mãe o ama e está trabalhando pelo futuro dele. Além disso, acho que eu correr atrás dos meus sonhos é uma forma de ensiná-lo a fazer o mesmo quando ele crescer.

Você acha que seu filho pretende seguir os passos dos pais e ir para o caminho do esporte? Ele já demonstra algum interesse?

Ele gosta de futebol, teve um momento quando ele era menor que ele não queria muito saber. Acho que na cabeça dele, o esporte afastava a gente por causa das viajens, treinos, etc. Mas depois ele foi entendendo e a gente sempre joga bola junto ou com os amigos. Se ele vai pro profissional e seguir os nossos passos não da para saber, mas com certeza em qualquer escolha vai ter meu apoio e o do César. O importante é que ele seja feliz e realizado.

Como você se sente sendo a única mãe do time?

Aqui na seleção eu sou a única mãe, mas no time que eu jogo na Dinamarca não sou. Eu entendo que é algo diferente no futebol feminino, mas muitas tem esse sonho também e tiram várias dúvidas comigo. Elas brincam que eu dei sorte de ter o Bernardo quando ainda era jovem porque agora posso focar no meu trabalho. Eu gosto de poder estar falando sobre isso, aconselhandovárias mulheres que desejam ser mães. Dificuldades na vida sempre vamos ter, mas ser mãe é algo maravilhoso e inexplicavel.

Que time! (foto: reprodução / instagram)

Você pretende ter mais um filho?

Eu e meu marido pensamos nessa possibilidade, mas estamos deixando as coisas acontecer. O Bernardo pede muito por um irmão, então mais para frente quem sabe…

Quais são suas expectativas para a copa?

As minhas expectativas para a copa são as melhores possíveis. A gente está recebendo muito carinho do povo brasileiro. É um momento maravilhoso para o futebol feminino. Está sendo muito especial ter toda essa vizibilidade e assim, podemos passar e mostrar o quanto somos capazes. A gente teve uma participação muito boa na primeira fase e saimos com bastante confiança. Agora entramos na fase que é decidida em um jogo, por isso estamos bem concentradas e focadas. Vamos entrar com muita garra e com vontade, querendo a vitória a todo momento.

Família é tudo para você? 

Família é tudo. Família é o meu pilar! Tudo é passageiro, menos esse amor que sentimos. Meus pais, tios, avós sempre foram muito importantes para mim e muito especial. Agora, o César e a família dele que se tornaram a minha também. Eu não seria nada sem eles. Eu nunca abrira mão deles e desse carinho.

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