Conheça os tipos de espessura do endométrio e como isso pode afetar a gravidez

A espessura do endométrio pode dificultar a fixação do embrião no corpo da mãe. Fique atenta e saiba o que fazer nesse caso

Resumo da Notícia

  • O endométrio passa por 3 fases, de acordo com o ciclo menstrual
  • O endométrio pode ser adequado, atrófico ou espesso
  • A espessura do endométrio pode afetar a gravidez

Para que o embrião se desenvolva, o corpo da gestante passa por uma série de mudanças. São essas alterações que permitem que o crescimento do bebê ocorra da melhor maneira possível, e elas começam antes mesmo da gravidez. O endométrio é uma camada mucosa que reveste toda a parede interna do útero e responde a estímulos hormonais durante o ciclo menstrual, o que faz com que sua espessura se altere.

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Em cada ciclo menstrual, o corpo feminino se prepara para uma possível gestação. Todo ciclo começa com a menstruação: quando a superfície do endométrio é eliminado na forma de sangramento. Em seguida, esse mesmo tecido começa a se espessar, preparando-se para que, caso ocorra a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, o embrião encontre condições adequadas para se instalar.

Quando ocorre a fecundação, o endométrio se mantêm espesso para que o embrião possa se fixar
Quando ocorre a fecundação, o endométrio se mantêm espesso para que o embrião possa se fixar (Foto: Reprodução/ iStock)

Todos os meses a menstruação é o resultado do endométrio descamando após cumprir o ciclo que prepara o corpo para a gravidez. Quando a espessura desse tecido está mais fina ou mais grossa que o normal é preciso identificar e tratar esta alteração para não comprometer a reprodução.

3 fases do endométrio

De acordo com o ciclo menstrual, ou o início da gestação, o endométrio passa por algumas fases que alterarão a sua espessura.

O a espessura do endométrio varia de acordo com o ciclo menstrual
O a espessura do endométrio varia conforme o ciclo menstrual (Foto: iStock)
  • 1ª Fase – Proliferativa:
    No início de um novo ciclo, o endométrio está descamando devido à menstruação anterior. Por isso, o hormônio estrogênio é estimulado para que se promova o espessamento do endométrio. A quantidade de vasos sanguíneos pequenos também aumenta. Nessa fase o endométrio cresce de 1-3mm para 6-8mm.
  • 2ª Fase – Secretora:
    Nesse momento, o estrogênio e a progesterona agem para que o endométrio tenha todas as condições necessárias para que o embrião se fixe no útero e continue o seu desenvolvimento. O principal objetivo dessa fase é tornar o endométrio disponível para receber e nutrir um embrião. É aqui que ele atinge sua espessura máxima, entre 10 e 16mm.
  • 3ª Fase – Menstruação:
    Se a mulher não estiver grávida, ocorre a redução nos níveis de estrógeno e progesterona, que resulta na menstruação. O endométrio descama e pequenos vasos sanguíneos que ficam nessa região contraem. Assim, os restos endometriais acompanhados de sangue se desprendem e são liberados, finalizando o ciclo. Esse período tem duração de 5 a 7 dias e o endométrio é reduzido a 1mm.

Tipos de espessura do endométrio

  • Endométrio adequado:

Para que o óvulo fecundado consiga se fixar no endométrio, é necessário que ele tenha uma espessura mínima de 7 mm e máxima entre 12-14 mm durante a ovulação. A espessura pode ser medida através do exame de ultrassonografia transvaginal.

Na fase proliferativa o endométrio deve ter aspecto trilaminar – composto por três lâminas, proporcionado pelo estímulo de estrogênio. Na fase secretora, após ovulação, o endométrio fica esbranquiçado (hiperecogênico) devido ao estímulo da progesterona. Durante a menstruação, ele apresenta aspecto linear e fino.

  • Endométrio fino ou atrófico:

Quando o endométrio não atinge a espessura de 6mm, ele é considerado atrófico e não é suficiente para a implantação e nutrição do embrião. Geralmente, tratamentos com progesterona são eficazes para espessamento do endométrio.

Muitas mulheres que utilizaram anticoncepcionais por longos períodos apresentam espessura reduzida do endométrio logo após pararem com o procedimento. Os contraceptivos mantêm uma concentração contínua e baixa de hormônios, por isso os ovários não estão mais acostumados a gerar estímulos que regulam a espessura do endométrio. Para que se recupere, há um período mínimo de 3 meses, por tanto, é necessário parar com os anticoncepcionais 3 meses antes do planejamento para gravidez.

  • Endométrio espesso:

Endométrio espessado ou hiperplasia endometrial é caracterizada pelo aumento da grossura do endométrio. Normalmente o endométrio tem aproximadamente 5mm, mas o endométrio espesso pode chegar a ter 15mm, por exemplo. Essa condição pode ser ocasionada por exposição excessiva ao estrógeno ou níveis de progesterona abaixo do normal. Esse desequilíbrio hormonal, pode ser provocado por diabetes, Síndrome dos Ovários Policísticos, obesidade e terapias hormonais de estrogênio sem a administração de progesterona.

A mulher pode sentir muita dor se tiver hiperplasia endometrial (Foto: Getty Images)

Os sintomas do endométrio espesso estão normalmente relacionados com o ciclo menstrual. Ele pode ocasionar sangramento entre um período menstrual e outro, períodos menstruais muito longos com abundância de sangramento, dor pélvica, secura vaginal, corrimento vaginal, aumento de pelos no corpo, mudanças de humor, dor durante relações sexuais e taquicardia, além de poder aumentar o risco de câncer endometrial.

Geralmente no tratamento é utilizado medicamento à base de progesterona. Em casos mais graves, é necessário realizar o procedimento de histeroscopia ou curetagem do tecido endometrial, para visualizar e estudar o interior do útero, sem necessidade de realizar qualquer procedimento cirúrgico. Todo endométrio engrossa com a gravidez, mas quando ele está muito espesso, engravidar pode ser mais difícil.

Importância do endométrio para a gravidez

O endométrio é peça chave para mulheres que desejam engravidar, sendo essencial para a implantação do embrião e nutrição dele antes da formação da placenta. “O endométrio, a camada interna do útero, vai funcionar como se fosse um tapete que o embrião se implanta e comece a dar origem a todo o saco gestacional. Esse endométrio precisa ter uma espessura mínima para que haja essa implantação. O ideal é que a espessura do endométrio seja por volta de 7 a 14 mm”, explica o Doutor Rodrigo Rosa, Ginecologista especialista em Reprodução Humana Assistida.

Alterações na espessura, seja aumento ou diminuição, dificultam as chances de engravidar e ocasionam sintomas que requerem tratamento. As portadoras da hiperplasia endometrial podem engravidar, no entanto o tempo de espera pode ser mais longo, por isso o diagnóstico precoce é importante.  A melhor forma para avaliar se seu endométrio está adequado é através de ultrassonografia transvaginal indicada por um médico especialista e tratamento individualizado prescrito. O tratamento do endométrio espesso costuma ser hormonal e individualizado para cada paciente.

Outro fator ligado ao endométrio que influencia nas possibilidades de engravidar é a atrofia endometrial, quando o endométrio é mais fino que o normal, não atingindo a espessura de 6mm, o que dificulta a nidação (fixação do embrião no útero) e o desenvolvimento do embrião no útero materno. “Uma parte das mulheres tem o endométrio fino. Quando a espessura do endométrio é menor do que 6 mm a taxa de gravidez menor. Não é que é impossível engravidar, mas é uma taxa menor”, aponta o Doutor Rodrigo.

Endometriose

Responsável por 50% dos casos de infertilidade feminina, a endometriose acomete entre 9 a 13% das mulheres no mundo todo.  Cerca de 7 milhões de mulheres são afetadas pela endometriose no nosso país. Essa doença é caracterizada pelo crescimento anormal do endométrio fora da cavidade uterina e pode atingir outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestino e bexiga.

Segundo o ginecologista Waldir Inácio Jr., hoje já se sabe que o problema não é decorrente do fluxo menstrual. “A mulher nasce com endometriose. Por isso, irmãs têm mais chance de ter. E já se estudaram natimortos do sexo feminino que tinham endometriose”, afirma. “O endométrio não deve se expandir para outros órgãos. Quando isso se dá, causa uma reação inflamatória que pode ser discreta ou de forte intensidade. A partir daí, a mulher começa a sentir os sintomas da endometriose”, explica o ginecologista e obstetra Marcos Tcherniakovsky.

Segundo o especialista, a endometriose é conhecida como a doença da mulher moderna. “Por conciliar várias funções diárias, como ser profissional, mãe e parceira, a mulher acaba ficando mais estressada e com a imunidade baixa. Então, se torna mais receptiva à endometriose, que tem um componente imunológico e genético. Fora isso existe o fator hereditário. Hoje se sabe que filhas de mães que já tiveram endometriose são mais propensas. E por fim existe a causa genética”, ressalta o médico.

Os sintomas da endometriose podem ser confundidos com outras doenças
Os sintomas da endometriose podem ser confundidos com outras doenças (Foto: Shutterstock)

Por ter sintomas muito semelhantes a outras condições, além de poder ser assintomática em algumas mulheres, a endometriose é uma doença de difícil diagnóstico, levando até anos para ser identificada. Entre os sintomas possíveis estão: dores pélvicas, desconforto durante as relações sexuais e fortes cólicas antes e durante o período menstrual. Em alguns casos, a doença pode levar à infertilidade.

A mulher que tem endometriose quiser engravidar enfrenta complicações, já que o tecido do endométrio vai para lugares distintos do útero. Assim, a fecundação do óvulo fica mais difícil. Uma vez que conseguir, a doença não tem efeitos sobre a gravidez.

O Doutor Marcos deu algumas dicas de como evitar a endometriose. “Diminuir a menstruação de alguma forma é uma boa maneira. Isso dá para notar, já que cerca de 15% de todas as mulheres que menstruam têm endometriose. Além disso, praticar atividades físicas e evitar estresse no dia a dia também são fatores que ajudam”.