Família

Poliana Abritta conta detalhes sobre a vida com os trigêmeos: “Quando você consegue é uma dádiva”

Em entrevista exclusiva, a apresentadora do Fantástico compartilhou sua rotina com Manuela, José e Guido

Andressa Simonini

Andressa Simonini ,Filha de Branca Helena e Igor

(Foto: Arquivo Pessoal)

Poliana com Manuela, José e Guido (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de passar anos tentando engravidar, Poliana Abritta, apresentadora, conta em entrevista exclusiva à Pais&Filhos que a maternidade muda tudo (para o bem) na vida.

Que conversa boa! A apresentadora do programa Fantástico, da Globo, Poliana Abritta, mãe de Manuela, José e Guido, todos com 9 anos, abiu o coração para falar sobre os desafios que ela enfrentou para engravidar e como é ser mãe de trigêmeos. Não é brincadeira ter três filhos de uma vez só, mas ela mostra que, sim, sempre estamos preparadas para encarar o que der e vier. Como ela mesmo disse, ser mãe de um só é longe de sua realidade e com certeza você vai se reconhecer em muitas coisas, como contar com mãe, amigos, tios, primos e assim vai. Uma rede grande!

Para começar, conta para a gente o que mudou na sua vida depois de ser mãe?

POLIANA ABRITTA: Ai, mudou tudo. Eu acho que diariamente você tenta ser uma pessoa melhor. Se antes alguma coisa não era tão bacana assim você largava para lá, quando você vê um filho ou uma filha repetindo uma coisa que você não acha bom em você, você tenta mudar.

E o que mais?

P.A.: Na verdade muda o seu compromisso com a vida. Muda até o seu direito de morrer. Depois que tive meus filhos, eu tenho um compromisso com eles, tenho que perpetuar o tempo que eles precisam de mim.

Ter filhos ocupa a nossa cabeça 100%, você consegue lembrar da sua vida antes deles?

P.A.: Claro, até porque eu não tinha garantia de que eu conseguiria ter filhos. Eles nasceram quando eu tinha 33.
Naquela época eu já tentava há muito tempo. Fiz muitos investimentos em mim mesma. Eu tive uma vida antes deles e teria uma vida se eles não existissem, mas seria completamente diferente.

(Foto: Arquivo Pessoal)

“Depois que tive meus filhos, eu tenho um compromisso com eles” (Foto: Arquivo Pessoal)

A gente sabe que você fez um grande esforço para engravidar. Como foi esse processo?

P.A.: Como eu até relatei na série Fertilidade, no Fantástico, eu casei nova e nunca evitei filhos. Na minha cabeça estava claro que seria mãe até os 27 anos. Mas aí vieram os 28, 29 anos e nada. Comecei a achar que tinha alguma coisa errada.

E o que você fez?

P.A.: Uma médica que fica em Brasília, onde eu morava na época, pediu alguns exames básicos, mas não tinha nenhum diagnóstico ou problema aparente. Vamos considerar que faz mais de 10 anos que fiz o tratamento. A conduta dos médicos talvez esteja mais atenta a casos de infertilidade. Me diziam sempre que estava tudo bem, “relaxa, vai acontecer, você não tem nada”. Mas não aconteceu e não acontecia. Perto dos 30 anos, eu acabei procurando o Dr. Drauzio Varella, que já fazia reportagens na Globo e eu era repórter. Ele me pediu para buscar um especialista na área. Com isso acabei descobrindo que eu tinha endometriose. Eu fiz uma cirurgia para remover a endometriose e decidi tentar naturalmente por mais um tempo.

E mesmo assim não funcionou?

P.A.: A vida seguiu até que chegou uma hora que mesmo com a cirurgia eu não conseguia engravidar naturalmente e o caminho que eu vi foi a fertilização in vitro, que é a fecundação do espermatozoide e óvulo fora do corpo, em laboratório. Depois fazem uma transferência de embriões para o útero da mulher. Eu transferi três embriões, a chance dos três vingarem era muito pequena, mas Graças a Deus deu certo.

Ai que bom. E como foi a conquista de engravidar?

P.A.: Era um sonho tão sonhado e tão desejado que vieram três. Ser mãe era o meu maior sonho. Chegou um momento que eu queira tanto conseguir ter um filho que isso virou maior que os outros desejos e metas da vida. Quando eu consegui engravidar me veio um enorme agradecimento por ter dado certo, porque é uma batalha sofrida para mulher e para o casal que está passando por isso. Toda vez que eu ouço que alguém está tentando engravidar, eu compartilho dos mesmos sentimentos e sei do que eles estão falando.

Realmente uma grande conquista…

P.A.: Quando você consegue é uma dádiva, uma bênção. Eu não consigo imaginar a minha existência sem os meus filhos, a razão da minha vida está relacionada a eles. Eles nascerem para essa mãe e essa mãe que ganhou esses filhos.

Como é ser mãe de três? Não é brincadeira, né?

P.A.: Eu não sei ser mãe de um filho só (risos). Eu não tive um filho e depois tive três, eu sempre tive trigêmeos. Então eu não sei como é ser mãe em um outro formato. Quando você tem três filhos, você tem ali uma alternância de situações, momentos ora difíceis, ora prazerosos, que fazem com que você distribua não só a sua atenção quanto a sua exigência. As vezes penso que se eu tivesse um filho só talvez eu focasse demais nele e a relação poderia ser um pouco mais densa.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Que lindos! Os trigêmeos aos 8 meses (Foto: Arquivo Pessoal)

E para dar conta desse time, você gritou por ajuda?

P.A.: Sim, de todo mundo. Era humanamente impossível. Eu tinha que dormir para o peito encher de madrugada, para ter leite de manhã. Ao mesmo tempo, enquanto um estava tomando banho, o outro estava chorando e querendo mamar e outro acordava ao mesmo tempo…

Sem descanso!

P.A.: Além da enfermeira durante a noite por um período, eu tive a minha comadre, a minha irmã e a minha mãe, que se revezavam lá em casa e ajudavam para eu conseguir dormir. No início, eles precisavam ganhar peso porque eles nasceram prematuros, tinha que acordá-los de duas em duas horas para amamentar.

Você chegou a achar que não daria conta?

P.A.: Eu achava que conseguiria fazer tudo como a gente vê as outras mães fazendo. Imaginei que eu pegaria um bebê, daria banho, amamentaria, colocaria para dormir e depois faria a mesma coisa com o outro. Um de cada vez – e não tem jeito, não é bem assim. Me senti culpada. Eu achava que não estava sendo uma mãe completa para cada um deles como eu gostaria de ser e como eu via as outras mães que tinham um filho só fazerem.

E como passou por cima disso?

P.A.: Vencer a culpa é uma questão de tempo. Você se adapta àquela realidade, eles vão se ajustando à situação. Porque o que não faltava era amor para conseguir superar.

Mas tudo isso faz parte, certo?

P.A.: Com certeza. Eu sempre fui muito centralizadora. Jornalista, né?! A gente acha que dá conta de tudo. Eu falo que eles vieram para bagunçar e me mostrar um outro jeito de viver. Nem sempre a gente tem controle de tudo, precisamos afrouxar, delegar e estar mais abertos, e isso foi um aprendizado diário para mim. Eu não descobri de um
dia pro outro como acabar com a minha culpa. Foi errando, acertando e criando uma sintonia muito particular.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Dá um olhada como cresceram (Foto: Arquivo Pessoal)

E como foi voltar a trabalhar?

P.A.: Foi ótimo porque eu estava acostumada com outro ritmo de vida. Eu fiquei de repouso a partir do quinto mês,
mais 4 meses de licença-maternidade, mais um mês de férias. Um total de 8 meses. Chegou uma hora que eu precisava me reconhecer como Poliana. Quando eu voltei vi que eu podia ser o que eu era e ser a mãe que eu estava sendo.

Você chegou a pensar em parar?

P.A.: Nunca pensei em parar de trabalhar por causa dos meus filhos. Respeito e admiro as mulheres que fazem essa escolha, mas essa não é uma escolha minha e eu fui obrigada a saber como eu iria conciliar a minha vida profissional e a maternidade. Voltar a trabalhar foi muito importante para mim.

Até porque mãe também é gente, né?

P.A.: Mãe é tudo. Mãe é mulher, profissional, tem desejos e atende desejos. A gente vive uma harmonia de desejos, não pode ser só um ou outro. E funciona!

Para a gente fechar, conta o que você mais deseja para os seus filhos?

P.A.: A primeira coisa que eu mais desejo é que eles tenham saúde, porque saúde é mais importante. E desejo também que eles encontrem um caminho feliz. Eu sei que eles vão viver momentos tristes e difíceis, mas que eles
tenham sempre a balança pesando para cima, que usem as ferramentas que vão adquirir ao longo da vida a favor deles.

Para você, família é tudo?

P.A.: Definitivamente eles são a coisa mais importante da minha vida, mas eu acho que a gente se completa de várias coisas, então o “tudo” é muito particular, eu não sei te dizer se família é tudo em cada momento da minha vida, mas eles definitivamente são o que há de mais importante na minha vida, mas há outras coisas além dos filhos. Eles fazem parte do meu tudo.

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