Boxeadora desabafa sobre experiência de parto normal: “Acreditava que não seria tão ruim assim”

Hilary não estava preocupada com a dor do parto

Hilary Achauer falou sobre sua experiência de ter um parto normal (Foto: Parents / Hilary Achauer)

Hilary Achauer entrou em trabalho de parto uma semana antes da data marcada, em 27 de agosto de 2005. Ela tinha planejado tudo para ter tempo de lavar, passar a dobras as roupas do bebê e dar os toques finais no quarto, mas não deu tempo.

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No caminho para o hospital, Hilary conta que só conseguia pensar nas coisas que tinha deixado de fazer. “Não pensei na dor do parto porque a verdade era que eu não acreditava que seria tão ruim assim”, ela diz.

“Cresci em uma casa com pouca paciência para reclamar de pequenas doenças ou ferimentos. A ideia de que pensamentos positivos influenciam a nossa saúde se manteve por muitas gerações”, conta Hilary. O pai dela era um cirurgião plástico e reconstrutivo, que cuidava de pessoas com queimaduras graves e fatais. A mãe veio de uma família que pregava que qualquer doença poderia ser curada através de uma oração.

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“Sempre que minha mãe começava a ficar resfriada, ela dizia que não tinha tempo para ficar doente e continuava com sua rotina”, Hilary confessa. “Passei vinte anos treinando e competindo na categoria amadora de boxe. No começo, eu saía de todas as lutas com o nariz sangrando”.

Hilary conta que seu treinador a aconselhou que ela precisava abaixar sua guarda. E assim ela fez, ela continuou praticando boxe e competindo na categoria amadora, com uma rotina física muito puxada.

Quando ela engravidou, ela encarou o parto como mais um desafio físico e decidiu dar à luz sem medicação para a dor. Ela escolheu não ter a anestesia peridural, porque leu que isso poderia retardar o trabalho de parto, aumentar o risco de uma cesárea, interferir na amamentação e levar a uma recuperação mais longa.

“Minha motivação era a competitividade com o desejo de provar para mim que eu podia passar por isso sem dor”, ela confessa. “Eu pensava: ‘Sou mais forte que a maioria das mulheres. Isso não deve ser tão difícil.’ No começo, foi fácil”, conta.

Hilary e o marido chegaram ao hospital e, só depois de entrarem na sala do parto, ela começou a sentir as contrações. “Eram fortes o suficientes para me fazer ficar parada e em silêncio por um momento. Quando a dor sumia, eu relaxava”, ela conta.

Quando as contrações ficaram mais constantes, em intensidade e frequência, Hilary percebeu que não estava preparada para essa experiência. “Quando eu estava completamente dilatada e chorando, eu disse que tomaria qualquer anestesia que pudessem me dar. Mas a enfermeira disse que era tarde demais e que eu precisava começar a fazer força”, relatou.

Hilary disse que seu pânico aumentou, mas ela sabia que não tinha opção. Mesmo com seu marido, sua mãe, uma doula e uma enfermeira na sala, ela se sentiu sozinha naquele momento. “Esqueci completamente o motivo da minha dor. Ela apagou todos os pensamentos que eu poderia ter e eu só queria que tudo terminasse”, confessou.

Depois de uma hora de trabalho de parto, Hilary deu à luz Rosemary. Ela conta que a dor desapareceu no mesmo momento.

Em 2008, ela teve outro filho e deixou que ele decidisse como seria o parto. “A experiência foi mais rápida, eu não tive tempo para uma anestesia epidural. Mas foi menos aterrorizante”, ela admite. “Dizem que você esquece a dor, mas eu nunca esqueci. Durante anos tive pesadelos de que estava grávida de 9 meses“.

Hilary confessa que, embora seja grata por ter parido dois bebês saudáveis sem complicações, a decisão de não ter aplicado uma epidural era exclusivamente sobre seu ego. “Me pergunto se teria sido uma entrega mais calma e mais presente”, ela diz.

Agora que os filhos têm 13 e 10 anos, ela disse que entende que a forma como você dá à luz é irrelevante. “A maternidade é uma jornada cheia de dor, mágoa, maravilhas e alegrias profundas”, conclui.

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