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O primeiro contato do pai com o recém-nascido pode mudar para sempre a relação entre os dois

Estudo inédito mostra o que acontece com os hormônios do pai depois do nascimento dos filhos

Redação Pais&Filhos

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(Foto: iStock)

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Muito se sabe sobre o que acontece com os hormônios da mãe depois do nascimento dos filhos, mas e os do pai? Há alguma ligação com os hormônios pós-parto dos pais e as relações de cuidado com os filho? Um estúdio inédito sobre o assunto está sendo realizado na Universidade de Notre Dame pelo professor assistente de antropologia, Lee Gettler, e a autora Patty Kuo, professora assistente de psicologia.

Eles estão se concentrando em como funciona a biologia dos pais em torno do nascimento do filhos e a relação disso com os laços paternais ao longo da vida. Eles fizeram uma parceria com os psicólogos da universidade e com o Hospital Memorial de South Bend para analisar a testosterona e o cortisol em 298 homens nos primeiros dois dias de vida dos recém-nascidos.

“Estudos como este nos dão uma compreensão do valor de ter o pai presente no nascimento do filho e a relação que cria com ele desde o começo.” disse Gettler. “O que vemos nos dias mais próximos do nascimento é que os hormônios dos pais – aqueles que eles estão produzindo em geral e as rápidas mudanças que eles têm quando seguram seus recém-nascidos – estão ligados ao que eles estarão fazendo com os filhos meses depois. Isso se relaciona em como os pais estabelecem laços com seus recém-nascidos, além de com seus parceiros e em como eles trabalham juntos.”

O grande número de participantes permitiu a Gettler e Kuo examinar como as mudanças hormonais afetam tanto os novos pais quanto os experientes. Sua pesquisa, publicada este mês na revista Hormones and Behavior, demonstrou que os pais cujos níveis de cortisol eram elevados enquanto seguravam seus recém-nascidos no dia de seu nascimento estavam mais propensos a se envolver com o cuidado indireto e a brincar com seus bebês nos primeiros meses de suas vidas.

Eles também testaram a testosterona masculina no dia do nascimento e descobriram que o cuidado posterior dos pais não diferia com base nesses níveis. No entanto, se a testosterona dos pais fosse menor no segundo dia de vida dos bebês, os pais estavam mais envolvidos nos cuidados. 

Os enfermeiros que trabalhavam na maternidade do Hospital Memorial coletaram amostras de saliva dos pais participantes que seguravam seus bebês aproximadamente uma hora após o nascimento. As enfermeiras obstetras que aceitaram ajudar no estudo e as enfermeiras do hospital ficaram entusiasmados em fazer parceria com Gettler e Kuo porque o estudo deles se alinha com o objetivo delas em incentivar a interação entre os pais e seus recém-nascidos.

“Quando fomos abordados pelo Dr. Gettler para ajudar em seu estudo, não tínhamos ideia de que levaria dois anos e 1.600 tubos de saliva”, disse Patricia De Stefano, gerente da Unidade Memorial de Parto. “Nossas enfermeiras são muito apaixonadas pelo envolvimento dos pais no processo de nascimento e estavam dispostas a fazer o que fosse necessário para ajudar as crianças a terem mais envolvimento com seus pais. Ficamos muito felizes em participar do estudo.”

A pesquisa foi completada com o acompanhamento de 180 dos participantes originais e deu a Gettler e Kuo uma visão do nível de cuidado que os pais investiram nos primeiros quatro meses de vida de seus recém-nascidos. O cortisol é por vezes referido como o “hormônio do estresse”, mas este estudo revelou que o cortisol elevado nem sempre é prejudicial, mas útil.

“Nós pensamos em cortisol como um hormônio ‘ruim’, mas os bebês exigem muito cuidado e você precisa estar vigilante“, disse Kuo. “Achamos que o cortisol elevado é uma espécie de resposta orientadora que pode ajudar o corpo a se preparar para o cuidado infantil“.

Não é surpreendente que o nível de cortisol nos pais seja alto no dia do nascimento. E, a partir daí, se ele não estiver cronicamente elevado, pode trazer benefícios, explicou Gettler. Alguns dados mostram que isso também é benéfico para as mães, já que isso poderia deixa-las mais propensas a reagir aos sinais de seus filhos, como um choro de doença ou fome.

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