Criança

Criança tem paralisia cerebral após engasgar com pedaço de maçã e mãe faz pedido emocionante

Depois de passar 45 dias internado e sem respirar por 30 minutos, Nathanael precisa arrecadar 150 mil reais para fazer o tratamento que não existe no Brasil

Izabel Gimenez

Izabel Gimenez ,filha de Laura e Décio

Nathanael não consegue andar, comer, falar ou enxergar (foto: Arquivo pessoal)

Há 1 ano, a vida de Rosiane Silva, mãe de Nathanael, 2 anos, Júlio César, 7 anos, e Natalia, 8 anos, mudou drasticamente. Ela trabalhava como auxiliar de limpeza em uma escola na Chácara do Solar II — em Santana de Parnaíba, interior de São Paulo, onde mora — e precisou sair do emprego para cuidar integralmente do filho caçula. Com 1 ano e 10 meses, Nathanael se engasgou com um pedaço de maçã. A fruta foi parar no pulmão do menino, que ficou sem oxigênio por 30 minutos. Entre a vida e a morte, Nathanael entrou em coma e precisou ser monitorado por diversos aparelhos para se manter vivo.

“Eu tinha acabado de chegar do serviço. Minha filha mais velha foi comer uma maçã e ele pediu um pedaço. Quando engoliu, já começou a passar mal. Eu corri para o hospital, ele precisou ser entubado e ficou 20 dias assim. Depois, ficou mais 25 dias internado, foram quase 50 dias dentro do hospital. Quando tudo terminou, os médicos me avisaram que eu teria um novo Natanel em casa e que iria depender para sempre de mim”, relembra a mãe em entrevista à Pais&Filhos.

Rosiane é mãe de três filhos (foto: Arquivo pessoal)

Rosiane precisa estar 24 horas por dia ao lado do menino, que demanda cuidados especiais. Alimentado por uma sonda, Nathanael não consegue enxergar, andar ou falar. “Meu filho depende de mim para tudo, além disso, durante o dia ele tem muitas convulsões. Já aconteceu de ter vinte em apenas um dia. Eu preciso ficar ao lado dele, dar apoio, tentar acalmar”, explica. Como não consegue mais trabalhar, a mãe vive apenas com doações, já que a única renda da família vem através do Bolsa Família, com um auxílio de 212 reais mensais. “O aluguel vem do governo. É um auxílio, mas para alimentar as crianças e compras as fraldas, eu dependo da ajuda de amigos e pessoas que se sensibilizam, o meu dinheiro só não dá. Nós estamos esperando ser aceitos no Benefício Assistencial de Prestação Continuada (BPC), eu me cadastrei em outubro do ano passado mas até então não tive resposta”, diz.

Rosiane também afirma que sofre muito com a mobilidade e a questão da acessibilidade em Santana de Parnaíba. “É sempre muito difícil conseguir sair com ele. São poucos motoristas que me ajudam a subir com a criança. A cadeira que eu preciso custa 3 mil reais, mas não tenho esse dinheiro. Eu uso um carrinho de bebê por que ele é muito grandão, pesa uns 14kg, eu não consigo ficar carregando”, conta. “A gente tem que ser forte e saber viver com isso. Se eu não tivesse Deus, já estaria caída faz tempo. É muito difícil, mas ele me dá sabedoria para conseguir lidar com tudo isso. Eu só não aceito ver ele desse jeito. Ele estudava na época, pedia comida e agora só vejo ele em cima da cama”, conta a mãe, emocionada.

Para as crianças da casa, o acidente do irmão foi um baque. “Eles estavam acostumados a brincar juntos, não entendem porque isso aconteceu e choram muito”. Além disso, o pai de Nathanael não é presente e se afastou da família quando o garoto tinha apenas 10 meses. “Ele não ajuda, sumiu e me deixou sozinha”, afirma. Os parentes dele não procuraram e não mantêm contato com Rosiane.

Antes do acidente, Nathanael conseguia fazer tudo (foto: Arquivo pessoal)

Uma das principais fontes de ajuda da família é Micheli Senhorine, mãe de Pedro Antônio e dona de um estabelecimento perto da casa da família. Quando ela se mudou para o bairro, Nathanael já não andava e nem falava. Ela se sensibilizou com a história e decidiu ajudar. Micheli foi atrás do tratamento que o garoto precisa e falou com a Pais&Filhos para poder contar a história do menino. “Ele é como um cristal, tão delicado”, conta a amiga, emocionada ao pensar no garoto. “Ele sorriu pela primeira vez na semana passada. O Nathanael não fazia isso desde o acidente. Eu acho que ele está sentindo a nossa união e ganhando esperança. Ele precisa desse tratamento, que já acontece fora do país e realmente ajuda as crianças”.

Micheli entende a importância de compartilhar a história também para alertar outras mães. “A gente precisa tomar cuidado com a alimentação sólida até os 4 anos. Eu não sei de onde ela tira forças. É muito difícil ver a situação dela e o pai da criança abandonou tudo, não procura e não quer saber”, afirma.

 

O tratamento  

A família tem a ajuda da empresa Conexão Saúde para poder ajudar a entender a burocracia do tratamento. Nathanael precisa viajar para a Tailândia, onde existe um tratamento que visa melhorar a qualidade de vida através de transplantes de células-tronco. Segundo a família, o custo total do procedimento é de 150 mil reais. “É muito caro, mas se juntar forças e cada um der um pouco não vai fazer falta. Em um país tão grande como o Brasil, é um absurdo a gente precisar ir para fora para conseguir resolver esse problema. Mas vamos conseguir, nossa prioridade é ele”, afirma Micheli.

Para conseguir arrecadar todo o dinheiro, Rosiane recebe a ajuda de alguns amigos que fazem algumas ações beneficentes. Além disso, foi feita uma vaquinha virtual contando a história do garoto. Para doar, qualquer quantia, basta clicar aqui.

Caso na Nova Zelândia

Um caso parecido com o de Nathanael aconteceu em maio de 2016, na Nova Zelândia. A história era de Neihana, de 1 ano e 10 meses, que ficou paraplégico após comer um pedaço de maçã na creche. O caso só foi divulgado pela médica Sarah Alexander da ONG Global Child Forum neste ano, como um alerta aos pais. “Dar alimentos como um pedaço de maçã crua, pipoca, uva, entre outros, para crianças pequenas que podem engasgar facilmente, como a creche fez, não é recomendado”, contou a médica.

O menino ficou sem respirar e teve uma parada cardíaca. Com o acidente, Neihana sofreu paralisia cerebral e precisou ficar internado por 2 meses e, como sequela, acabou ficando paraplégico, incapaz de engolir e falar.

Neihana continua fazendo acompanhamento médico porque desde o acidente tem sofrido com uma série de infecções no pulmão.

Leia também: 

Menino fica paraplégico após engasgar com pedaço de maçã na creche e caso serve de alerta 

Sempre alerta! Saiba porque você não deve tomar remédios na frente dos seus filhos

Bebê se enforca com a babá eletrônica e pais fazem alerta